Apostila MPC
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Apostila MPC


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A complexidade dos problemas de segurança pública exige buscar alternativas que melhorem a 
prestação do serviço. A produção de conhecimento científico constitui-se em uma variável estratégica das 
transformações necessárias para enfrentar os novos desafios da segurança pública e de proteção dos 
direitos dos cidadãos. 
Este curso de Metodologia é um guia prático sobre a pesquisa científica. O pesquisador iniciante 
encontrará aqui uma disciplina metodológica, prática e objetiva que o auxiliará na elaboração de projetos de 
pesquisa, monografias e artigos científicos relevantes para sua área de atuação. 
Bom estudo! 
 
Objetivo do curso 
 
Ao final do estudo deste curso, você será capaz de: 
\u2022 Reconhecer a importância da pesquisa científica para produção do conhecimento; 
\u2022 Compreender os procedimentos metodológicos da pesquisa científica; 
\u2022 Elaborar projeto de pesquisa, monografia e artigos científicos. 
 
 
Estrutura do curso 
 
Este curso compreende os seguintes módulos: 
 
\u2022 Módulo 1 \u2013 Aspectos introdutórios 
\u2022 Módulo 2 \u2013 Elaboração do projeto de pesquisa: o que pesquisar e como planejar a pesquisa 
\u2022 Módulo 3 \u2013 Procedimentos metodológicos 
\u2022 Módulo 4 \u2013 Tipos de pesquisa, técnicas de coleta e de análise dos dados 
\u2022 Módulo 5 - Elaboração de trabalhos científicos 
 
 
 
 
 
 
 
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Apresentação do módulo 
 
Neste módulo você estudará a natureza da prática científica, mais especificamente sobre a diferença 
entre o conhecimento científico e o conhecimento vulgar) ou senso comum). Estudará também as características 
dos principais métodos científicos e o problema da subjetividade e da objetividade na construção do 
conhecimento. 
 
Objetivo do módulo 
 
Ao final do estudo desse módulo, você será capaz de: 
 
\u2022 Diferenciar o conhecimento científico do conhecimento vulgar ou de senso comum; 
\u2022 Caracterizar o método científico; e 
\u2022 Compreender o problema da objetividade e subjetividade na produção do conhecimento 
científico. 
 
Estrutura do Módulo 
 
Esse módulo compreende as seguintes aulas: 
 
\u2022 Aula 1- Conhecimento vulgar ou de senso comum; 
\u2022 Aula 2 - Método científico e conhecimento científico; 
\u2022 Aula 3 - Subjetividade e objetividade científica. 
 
 
Aula 1 \u2013 Conhecimento vulgar ou de senso comum 
 
Nesta aula você estudará a natureza do conhecimento vulgar ou de senso comum, suas principais 
fontes e sua relação com o conhecimento científico. 
 
MÓDULO 
1 
ASPECTOS INTRODUTÓRIOS 
 
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Antes de iniciar a leitura da aula, assista ao filme franco-canadense \u201cA Guerra do Fogo\u201d (Disponível 
em http://www.ustream.tv/recorded/5564454), de Jean-Jacques Annaud, produzido no ano de 1981. 
 
Após assistir ao filme, reflita sobre as seguintes questões: 
\u2022 Como o homem pré-histórico construía seu saber? 
\u2022 Para que servia esse saber? 
\u2022 Qual relação se apresenta no filme entre a experiência e o saber? 
 
 
1.1 O conhecimento baseado no saber-fazer 
Os seres humanos procuraram o conhecimento da natureza e dos objetos próximos, pois disso dependia 
a sua sobrevivência. Esse conhecimento é, antes de tudo, um saber-fazer produzido na experiência diária. 
 
1.2 As fontes do conhecimento vulgar ou de senso comum 
Laville e Dione (1999) consideram saberes espontâneos à: 
Intuição: Saber espontâneo. 
Tradição: Se constitui compartilhando saberes espontâneos considerados adequados pela sociedade. 
Autoridade: Transmitem saberes que são socialmente aceitos, pelo comum sem muitos 
questionamentos. 
 
1.2.1 O saber baseado na intuição 
 
Da observação que o sol nasce todos os dias de um lado da terra e se põe do outro, 
o homem pensou, por muito tempo, que o sol girava em torno da terra. Essa 
compreensão do fenômeno pareceu satisfatória durante séculos, sem mais provas 
do que a simples observação (LAVILLE e DIONE, 1999, p.18). 
 
1.2.2 O saber baseado na tradição 
 
Na família, na comunidade em diversas escalas, a tradição lega saber que parece útil 
a todos e que se julga adequado conhecer para conduzir sua vida. Esse saber é 
mantido por ser presumidamente verdadeiro hoje em dia, e é hoje porque o era no 
passado e deveria assim permanecer no futuro. A tradição dita o que se deve 
conhecer, compreender, e indica, por consequência, como se comportar (LAVILLE e 
DIONE, 1999, p.19). 
 
 
 
 
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1.2.3 O saber baseado na autoridade 
 
Com frequência, sem provas metodicamente elaboradas, autoridades se encarregam 
da transmissão da tradição. Desse modo, a igreja católica decidiu, muito cedo, regras 
para o casamento (uniões proibidas entre primos, proclamas, declarações de 
impedimentos conhecidos) tendo como objetivo prevenir relações incestuosas e 
inclusive consanguíneas. Impõe sua autoridade aos fiéis por meio dos preceitos 
ensinados pelo clero. Todas as religiões transmitem, portanto, sua autoridade 
através de saberes que guiam a vida de seus fiéis sem que seu sentido ou origem 
sejam sempre evidentes (LAVILLE e DIONE, 1999, p. 20). 
 
1.3 A visão de Emile Durkheim sobre o problema do conhecimento vulgar ou de senso comum e 
a ciência sociológica 
O conhecimento espontâneo do mundo que nos rodeia e as pré-noções que esse saber pode acarretar 
na compreensão do social preocuparam os primeiros sociólogos, interessados na constituição da Sociologia 
como ciência. 
Emile Durkheim (1858-1917), sociólogo francês fundador da Sociologia como ciência no século XIX foi 
um grande defensor da construção de uma Sociologia independente e autônoma de outros campos do 
conhecimento. 
 
1.3.1 Sociologia independente e autônoma de outros campos do conhecimento. 
Durkheim (2007) utiliza argumentos filosóficos e metodológicos na fundamentação da Sociologia e 
aborda o problema clássico da Sociologia do Conhecimento: 
A definição do objeto a ser estudado e a relação entre o sujeito que conhece - objeto de 
conhecimento 
No livro \u201cAs Regras do Método Sociológico\u201d, Durkheim (2007) afirma, criticamente, que o conhecimento 
de senso comum é produto de nossas experiências sociais cotidianas e, por isso, tendemos a utilizar essa 
compreensão espontânea para entender os mais diversos aspectos da vida social. É nesse sentido que ele afirma: 
 
O homem não pode viver em meio às coisas sem formar a respeito delas ideias, de 
acordo com as quais regula sua conduta. Acontece que, como essas noções estão 
mais próximas de nós e mais ao nosso alcance do que as realidades a que 
correspondem, tendemos naturalmente a substituir estas últimas por elas e a fazer 
delas a matéria mesma de nossas especulações (DURKHEIM, 2007, p.12). 
 
Observe a seguir que Durkheim (2007) alerta para o uso incorreto que podemos fazer de nossas ideias 
sobre os fatos sociais. Essas ideias também são fruto da experiência, mas elas não devem preceder aos fatos 
observados cientificamente. 
 
Em vez de observar as coisas, de descrevê-las, de compará-las, contentamo-nos 
então em tomar consciência de nossas ideais, em analisá-las, em combiná-las. Em 
 
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vez de uma ciência de realidades, não fazemos mais que uma análise ideológica. Por 
certo essa análise não exclui necessariamente toda observação. Pode se recorrer aos 
fatos para confirmar as noções ou as conclusões que se tiram. Mas os fatos só 
intervêm secundariamente (DURKHEIM, 2007, p. 12). 
 
Por fim, Durkheim (2007) enfatiza que as ideias sobre as coisas não podem substituir a observação 
sistemática, isso é, planejada dos fatos sociais. 
 
Com efeito, essas noções ou conceitos, não importa o nome que se queira dar-lhes 
não são