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DisciplinaHistória Moderna: da Formação do Sistema Internacional199 materiais1.391 seguidores
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O maior rival da Inglaterra, no comércio ultramarino, era a Holanda.
Para diminuir o poderio holandês nos mares e garantir o predomínio inglês, em 1651, é publicado o chamado Ato de Navegação. Segundo esse ato, qualquer mercadoria que chegasse aos portos ingleses deveria ser transportada em navios de bandeira inglesa.
Em 1652, foi estendido que o capitão e 3/4 da tripulação também deveriam ser compostos por ingleses. A medida foi um baque na economia holandesa.
Para entendermos sua extensão, basta lembrarmos que grande parte da mercadoria vinda das colônias, seja inglesa ou não, deveria vir nestes navios.
A frota inglesa passou a dominar os comércios americanos, asiático e europeu o que, obviamente, deixou a Holanda extremamente insatisfeita, resultando na chamada Guerra Anglo-holandesa. (As chamadas Guerras Anglo-Holandesas, também referidas como Guerras Anglo-Neerlandesas, foram uma série de conflitos navais que se desenvolveram entre oséculo XVII e o XVIII entre o Reino Unido, (mais tarde Reino da Grã-Bretanha durante a quarta guerra) e a República das Sete Províncias Unidas dos Países Baixos pelo controle das rotas marítimas. São conhecidas como Guerras Holandesas na Inglaterra e Guerras Inglesas nos Países Baixos)
Ainda que os demais países da Europa também fossem prejudicados pelos atos de navegação, não possuíam forças suficientes para fazer frente à poderosa armada inglesa, por isso, somente a Holanda, prejudicada diretamente pelo ato, iniciou uma guerra entre 1652 e 1654.
Foi em vão e ela saiu derrotada, o que acabou confirmando a supremacia inglesa no domínio dos mares.
O estabelecimento de uma potência
Os atos de navegação transformaram a Inglaterra em uma potência definitiva, tanto comercial quanto financeiramente.
A burguesia acumulou um enorme capital que, no século XVIII, seria investido na industrialização, sendo um dos fatores responsáveis pelo pioneirismo inglês na Revolução Industrial.
Sob gestão de Cromwell, os cercamentos dos campos se intensificaram. Para diminuir as disputas agrárias, as terras dos partidários do antigo rei fora confiscadas e vendidas aos produtores rurais.
O domínio inglês sobre a Escócia e a Irlanda foi consolidado sendo estabelecida a Commonwealth.( GRUPOS DE ESTADOS GOVERNADOS POR UM SÒ LÌDER).
Lorde Protetor
Cromwell reprimiu impiedosamente tanto as rebeliões quanto a oposição ao seu governo. Pode ser considerado um salvador para os ingleses tendo recebido, na época, o título de Lorde Protetor, contudo, o mesmo não se pode dizer em relação à Irlanda, onde a perseguição aos católicos gerou verdadeiros massacres. 
Sua gestão foi rígida e intolerante, não permitindo a existência de qualquer tipo de oposição e expandindo os princípios puritanos a todo custo. Em 1653, o parlamento foi dissolvido, eliminando o último entrave ao poder absoluto que ele de fato exerceu.
Poder
Embora Cromwell não fosse rei, seus poderes eram amplos e possivelmente maiores do que os de alguns monarcas permitindo, inclusive, que indicasse seu sucessor.
O escolhido foi seu filho, Ricardo. Mas o filho não tinha a mesma habilidade política do pai nem era, como ele, amado pelo exército. 
Ricardo governou por menos de 1 ano e, em 1660, um novo parlamento foi eleito, buscando substituir Ricardo Cromwell do poder e restaurar a monarquia.
Estratégia
Devemos entender esta medida como estratégica e não como um retrocesso ao regime anterior, que havia sido definitivamente sepultado pela Revolução Puritana. 
A monarquia que se pretendia restaurar obedeceria agora às vontades do parlamento, sendo a ele submetido, o que gerou a famosa expressão para definir o poder do monarca inglês: \u201cO rei reina, mas não governa\u201d.
Para que a sucessão fosse legitima e não pudesse ser questionada pelas demais casas reais europeias, foi levado ao poder um descendente da dinastia Stuart, Carlos II, que governou de 1660 até sua morte em 1685.
Mas o parlamento olhava a monarquia com desconfiança e procurava, a todo custo, evitar o que havia se repetido com os reis anteriores.  
O fato do novo rei ter se casado com uma princesa católica, Catarina de Bragança, filha de Dom João VI, não ajudou a melhorar a reputação real entre os protestantes. Embora tenha tido diversos filhos ilegítimos \u2013 e que, portanto, não tinham direito ao trono \u2013 a Rainha Catarina jamais teve filhos. Por isso, com a morte de Carlos II, o trono encontrava-se novamente vago, tendo sido ocupado por seu irmão, Jaime II.
Tanto Carlos II quanto Jaime eram filhos do rei deposto Carlos I. Dessa forma, seguindo o exemplo de seu pai, Jaime II procurou restaurar o absolutismo e, como se não bastasse, era um católico fervoroso e procurou reintroduzir o catolicismo na Inglaterra protestante.  
Jaime II contava com a prerrogativa da Magna Carta que previa o direito real de dissolver o parlamento quando bem entendesse. Mas essa não era mais a assembleia dos tempos de seu pai e não aceitaria tal medida de forma alguma.
Diante da postura do rei, o parlamento buscou um novo monarca, que também pertencesse à casa dos Stuart. A escolha recaiu sobre a filha de Jaime, Maria, casada com Guilherme de Orange.
Diante das pressões parlamentares, o rei fugiu para França e sua filha foi conduzida ao trono inglês. Essa fase ficou conhecida como Revolução Gloriosa, pois provocou uma mudança de poder na Inglaterra sem que houvesse derramamento de sangue.
Mas havia uma condição para que Maria e Guilherme pudessem governar: a assinatura da Declaração dos Direitos. Segundo esse documento, redigido pelo parlamento, era vetado ao rei revogar as leis estabelecidas pelos parlamentares, que por sua vez poderiam escolher a quem entregar o trono após a morte do rei. Haveria sessões parlamentares e eleições regulares e a política fiscal seria decidida em assembleia. As finanças da corte também seriam regulamentadas pelos parlamentares, que decidiriam, entre outras coisas, a política interna, externa e a resolução de conflitos.
Guilherme de Orange, um rei submetido à autoridade parlamentar.
O novo sistema monárquico inglês
A assinatura da Declaração de Direitos, em 1689, criou o sistema de monarquia parlamentar inglesa que conhecemos hoje.
A atual rainha, Elizabeth II, embora reine, não governa de fato, cabendo este papel ao primeiro ministro e ao parlamento inglês.
A Declaração de Direitos consolidou inquestionavelmente os poderes do parlamento.
O controle das finanças por parte das câmaras possibilitou o desenvolvimento comercial, já grandemente favorecido pelas políticas adotadas por Cromwell e pelos atos de navegação.
A Inglaterra emergiu da Revolução Inglesa como um país pronto para implantar e fortalecer o sistema capitalista e com as condições propícias para que realizasse a Revolução Industrial do século XVIII.