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DisciplinaHistória Moderna: da Formação do Sistema Internacional199 materiais1.391 seguidores
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( AO CONTRÁRIO DE OUTROS QUE SE OPUSRAM A SUA TOMADA DO PODER) do Diretório deram o apoio necessário a Napoleão e propuseram o uso da força militar para que ele assumisse o governo, pois perceberam que ele era o homem certo para consolidar o novo regime. Assim foi feito, e numa ação eficaz, apesar de tumultuada, Napoleão fechou a Assembléia do Diretório. Era o início do primeiro dos três períodos de Napoleão como governante da França, seguindo-se o Império e mais tarde, o Governo dos Cem Dias.
A nova constituição francesa
As reformas políticas eram urgentes e em 1800 foi aprovada uma nova constituição.
O poder legislativo passaria a ser composto por quatro assembleias e o executivo ficaria a cargo de três cônsules.
Na prática, porém, o primeiro cônsul detinha maiores poderes sobre os demais e esse cargo cabia a Napoleão.
Consulado
O período do consulado, entre 1799 e 1802 foi marcado por reformas e tentativas de conciliação com os países estrangeiros.
No plano interno era preciso evitar a eclosão de uma guerra civil e conciliar os diversos interesses envolvidos na política, em especial as demandas da burguesia e da população. 
 Já no plano externo, foi firmada a paz de Amiens  com o Reino Unido, que punha fim a uma crise que se arrastava há anos.
O Tratado de Amiens( TRATADO DE PAZ FIRMADO EM 25 de março de 1802 na cidade de Paris de Amies) pôs fim às hostilidades existentes entre França e Reino Unido durante as chamadas Guerras Revolucionárias Francesas. 
O tratado, que foi assinado entre José Bonaparte e o Marquês de Cornwallis, foi chamado de "tratado de paz definitivo", pois trouxe fim ao conflito entre as duas maiores potências bélicas da Europa naquele tempo. Porém o mesmo foi quebrado um ano depois. Marcou um dos poucos anos de paz que a Europa veria durante muito tempo, já que a França vinha participando de repetidas batalhas desde 1793 e 1815, considerando o fim das guerras francesas.
A assinatura da Paz de Amiens marcou o fim da Segunda Coligação antifrancesa, formada em 1799. Suas cláusulas foram basicamente a respeito dos territórios coloniais, fazendo, por exemplo, o Reino Unido abrir mão de suas colônias em Trinidad e Tobago e Ceilão, devolver a Índia Ocidental e a Colônia do Cabo à República Batávia e retirar suas tropas do Egito, assim como a Napoleão retirar suas forças dos Estados Papais e as fronteiras da Guiana Francesa serem definitivamente demarcadas. Além disso, Malta, Gozo e Comino foram declarados países neutros.
A reorganização do Estado francês
O Estado francês foi completamente reorganizado. 
 No campo jurídico, foi aprovado o Código Civil, influenciado pelos princípios do direito romano.
Era comum na Europa a prática do direito consuetudinário, ou seja, o direito nascido do costume. Não era usual que as leis fossem escritas, e elas eram seguidas por hábito, o que permitia uma série de distorções.
A quebra da lei era julgada pelos nobres ou pelos senhores feudais, que constantemente favoreciam a quem bem quisessem.
O Código Civil Napoleônico
O Código Civil, que também ficou conhecido como Código Civil Napoleônico, põe fim ao direito consuetudinário e estabelece o princípio da igualdade civil. É o direito que surge dos costumes de uma certa sociedade, não passando por um processo formal de criação de leis, onde um poder legislativo cria leis, emendas constitucionais, medidas provisórias etc. No direito consuetudinário, as leis não precisam necessariamente estar num papel ou serem sancionadas ou promulgadas. Os costumes transformam-se nas leis.
A afirmativa \u201cTodos os homens são iguais perante a lei\u201d, é comum para nós hoje, não é mesmo?
Porém, no século XVIII era uma grande novidade e estava de acordo com as ideias defendidas pelos iluministas. 
Era, enfim, uma proposta extremamente avançada para a época, já que terminava com privilégios centenários. 
O conjunto de leis francesas foi seguido na elaboração de códigos do mundo inteiro e parte de suas proposições ainda estão em vigor na França.  
Plano Econômico, Reforma educacional e nas cidades
Plano Econômico
No plano econômico, havia um alinhamento dos interesses burgueses, como podemos notar pela criação do Banco da França, que tinha, dentre suas atribuições, a emissão de papel moeda. 
A existência deste banco permitiu a consolidação do capital financeiro e a expansão comercial, pois facilitava aos burgueses o empréstimo e a circulação monetária.
Reforma Educacional
A preocupação com a formação de um corpo burocrático e militar qualificado levou a uma extensa reforma educacional, estabelecendo o ensino público, custeado pelo Estado. 
Foram criados os liceus e as escolas de política e técnicas navais. 
É importante ressaltar que o programa de disciplinas consideradas \u201cperigosas\u201d, como história e filosofia, foram alterados para legitimar o novo regime-.
Análise brasileira
No Brasil de hoje, tendemos a olhar a educação por vários ângulos, nem todos favoráveis. 
Existem diversas correntes pedagógicas que foram aplicadas ao longo dos anos, com maior ou menor sucesso, mas nenhuma resolveu completamente o problema educacional brasileiro. Isso ocorre porque há um descaso do Estado com a educação brasileira que remonta há vários governos. 
Embora, no século XXI, o Estado tenha alardeado os índices de crescimento econômico, isso raramente é atrelado ao investimento educacional. 
Países que deram saltos de desenvolvimento, como a Coreia do Sul, nos mostram que somente com um maciço investimento nesta área é possível criar mão de obra qualificada e permitir um solido crescimento econômico. 
No Brasil, os discursos sobre desenvolvimento simplesmente ignoram o papel da educação \u2015 erro que, como professores e historiadores, não podemos cometer. Disciplinas como a história tiveram seus programas alterados em várias partes do mundo para legitimar os governos vigentes. Isso evidencia o papel das Ciências Humanas na formação de cidadãos educados e conscientes de seu lugar social. 
Se o Brasil contemporâneo ignora esta lição, ela foi muito bem aprendida por Napoleão Bonaparte, que tratou de utilizar os currículos escolares para formar indivíduos afins ao seu governo.
Reformas nas cidades
Também foram empreendidas mudanças nas cidades. 
Canais e estradas foram abertos, o porto reformulado e as cidades sofreram diversas intervenções. 
No campo, foi garantida a posse de terra pelos camponeses, um dos trunfos da Revolução Francesa. 
Isso proporcionou a Napoleão um enorme apoio, não só entre a população urbana, mas também rural.
O poder de Napoleão
O Consulado deu à França estabilidade suficiente para que Napoleão pudesse se lançar a novas conquistas.
O general era um admirador da história do Império Romano e acreditava na expansão territorial cujo objetivo seria o de colocar a França como o mais poderoso país do continente.
Napoleão podia ocupar um lugar de destaque político, mas era, antes de tudo, um militar.
Inglaterra: a grande rival
Ainda no período do Consulado, tem início as chamadas eras Napoleônicas, que se estendem de 1803 até 1815. 
A principal rival da França continuava a ser a Inglaterra, que no século anterior havia se industrializado e cuja expansão comercial estava a pleno vapor. 
Além disso, a Inglaterra tinha uma série de alianças firmadas entre os reinos europeus, como Portugal, se tornando uma poderosa inimiga. 
A paz de Amiens foi breve e o desejo de derrotar os ingleses logo seria um dos principais objetivos do exército francês.
Egito
Um dos primeiros países a ser invadido por Napoleão foi o Egito, quando ainda existia o Diretório, em 1798. 
O objetivo era o domínio do império turco otomano, uma estratégia que havia sido aprovada pelo Diretório. 
O interessante na campanha do Egito, que durou até 1801, e que esta não foi somente uma incursão militar. Além do exército, foram designados para a região estudiosos, historiadores e cientistas. 
Já havia a noção da importância histórica da região e Napoleão era um apaixonada