Augusto César L. de Carvalho - Direito do Trabalho - 2011
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Augusto César L. de Carvalho - Direito do Trabalho - 2011


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as fontes de produção profissional ou 
autônoma20 se apresentam como o mecanismo atualmente mais apto a tornar efetiva a 
proteção ao trabalho e ao mercado de trabalho, pela possibilidade que dão aos próprios 
atores sociais de adaptar a regra jurídica, sem prejuízo da garantia mínima já referida, a 
novas realidades ou condições de trabalho, surgidas como corolário das mutações 
econômicas ou inovações tecnológicas que movimentam o nosso cotidiano. É pena que se 
desvirtue, por vezes, essa função das normas coletivas, preconizando-se o seu uso como um 
instrumento de redução de direitos trabalhistas indisponíveis. 
A convenção coletiva de trabalho nasceu como forma de os trabalhadores, 
organizados em torno do sindicato que defendia os seus interesses, obterem condições de 
trabalho que o Estado, por inércia, não lhes estava a assegurar, mediante lei. O acordo 
coletivo de trabalho surgiu posteriormente, distinguindo-se da convenção pelo fato de 
apenas o sindicato obreiro participar de sua elaboração, do outro lado se apresentando o(s) 
empregador(es). Na convenção coletiva de trabalho, também o empregador está 
representado pelo sindicato da categoria econômica, de que é membro. Voltaremos ao 
assunto quando tratarmos, no próximo capítulo, do princípio da autodeterminação coletiva. 
O regulamento de empresa é, da empresa, o estatuto. No uso de seu poder de 
organização, em que está investido por ser o titular da empresa, o empregador estrutura a 
sua unidade produtiva, instituindo a divisão de trabalho que lhe apraz. O poder de dirigir a 
empresa é inerente ao capitalismo, em qualquer de suas formas, não se podendo olvidar, 
neste passo, o prestígio que o direito burguês confere ao direito de propriedade - ocorre, 
porém, de os trabalhadores também participarem da elaboração do regulamento de 
empresa. São exemplos deste os planos de cargos e salários e os quadros de carreira que 
disciplinam as relações trabalhistas em inúmeras organizações empresariais. 
 
19 Cf. GOMES e GOTTSCHALK, op. cit., p. 49. 
20 Segundo classificação proposta por Kelsen, as fontes autônomas são elaboradas pelos próprios 
destinatários e por isso se distinguem das fontes de produção heterônoma. 
Fonte de produção mista é a sentença normativa, que ultima os processos 
coletivos (a Constituição e a CLT os denominam dissídios coletivos) instaurados quando é 
malsucedida a negociação direta entre sindicato profissional e o empregador ou sua 
representação sindical. Também aqui se diferencia o direito laboral, em vista do poder 
normativo assegurado à Justiça do Trabalho pelo artigo 114, §2o, da Constituição. 
Contudo, após a edição da Emenda Constitucional n. 45/2004 o citado 
dispositivo passou a exigir, para a instauração do dissídio coletivo que resultaria em uma 
sentença normativa, a existência de \u201ccomum acordo\u201d. Vale dizer, o dissídio coletivo 
somente pode iniciar-se nos casos em que a Justiça do Trabalho for provocada por ambos 
os polos da relação conflituosa: empregados (necessariamente pelo sindicato respectivo) e 
empregador(es). Ressalvou-se apenas a hipótese de \u201cgreve em atividade essencial, com 
possibilidade de lesão do interesse público\u201d, quando o Ministério Público pode ajuizar o 
dissídio coletivo (art. 114, §3o da Constituição). 
Na prática, a exigência de comum acordo entre as partes desavindas tem 
propiciado a agonia do dissídio coletivo e, por extensão, da sentença normativa que nele 
sobreviria. Decerto porque é de nossa tradição que se ajuízem processos judiciais apenas 
quando o esforço da negociação já fora levada ao extremo, acirrando-se o conflito e assim 
se inviabilizando que os contendores elejam, como cavalheiros medievais, o palco do duelo 
que gostariam de protagonizar. 
Em verdade, o Tribunal Superior do Trabalho tem contemporizado o rigor da 
nova regra, ao afirmar que o comum acordo é exigível para a instauração do dissídio 
coletivo de natureza econômica (em que as condições de trabalho e salário são revistas), 
não se o exigindo para dissídios coletivos de natureza jurídica (nos quais se questiona a 
interpretação de normas coletivas). 
Fontes de produção internacional são sobretudo os tratados referidos pelo art. 
5o, §2o, da Constituição. Esses tratados internacionais podem se inserir na nossa ordem 
jurídica, converter-se em norma, especialmente as Convenções Internacionais da OIT, que 
ganham força normativa quando ratificadas pela autoridade competente do Estado-membro 
- no Brasil, pelo Congresso Nacional, sendo questionada, pela doutrina especializada e em 
face do que dispõem os artigos 49, I, e 84, VIII, da Constituição, a necessidade de ato de 
promulgação posterior, pelo Presidente da República. 
Sob a regência da relação individual de trabalho por normas gerais, protege-se o 
empregado, mas, com igual efeito, impõe-se o mesmo ônus financeiro a todos os 
empresários e assegura-se, assim, a cada um deles melhor ou mais equânime condição de 
competir. Também o Direito Internacional do Trabalho tem como objetivos, como ensina 
Arnaldo Süssekind21: 
I - por meio de convenções internacionais: a) universalizar as normas de proteção 
ao trabalho, esteadas nos princípios da justiça social e da dignificação do trabalho 
humano; b) estabelecer o bem-estar social geral como condição precípua à 
felicidade humana e à paz mundial; c) evitar que razões de natureza econômica, 
decorrentes do ônus da proteção ao trabalho, impeçam que todas as nações 
adotem e apliquem as normas tutelares consubstanciadas nos diplomas 
internacionais. 
 
21 SÜSSEKIND, Arnaldo. Instituições de Direito do Trabalho / Arnaldo Süssekind, Délio Maranhão, 
Segadas Viana. Vol. II. São Paulo : LTr, 1993. p. 1245. 
Sobre ser atual essa preocupação, vejamos o que retrata reportagem do 
jornalista Jaime Spitzcovsku, para a Folha de São Paulo, de 14.04.9822: 
Turnos de mais de 12 horas diárias de trabalho para conseguir alcançar a 
produtividade exigida. Trabalhar em pé. Cortar, durante o dia e parte da noite, 
veludo, um tecido grosso, com tesouras e sem usar luvas. O esforço deixa marcas 
nas mãos. Esse cenário despontava numa fábrica de brinquedos de Xangai, um 
dos corações industriais da China neocapitalista. O milagre asiático, agora 
desafiado pela crise financeira, usou como um de seus combustíveis na 
decolagem a exploração da mão-de-obra. As principais vítimas são mulheres e 
crianças. O trabalho infantil também municiou a economia paquistanesa, indiana 
e de alguns países árabes. Mãos pequenas tecem tapetes com mais destreza, 
argumentam os fabricantes. Na China, a opção por mão-de-obra feminina 
também busca argumentos para sobreviver. As mulheres seriam mais habilidosas 
para cortar o veludo. Na Tailândia e no Sri Lanka, vi mulheres e crianças vítimas 
de exploração sexual. São exemplos asiáticos de um problema global. 
O órgão da OIT que elabora a regulamentação internacional do trabalho é a 
Conferência Internacional do Trabalho, composta de quatro delegados de cada Estado-
membro, sendo dois deles designados pelos respectivos governos, um pelos empregadores e 
um pelos trabalhadores23. Existem várias convenções internacionais ratificadas pelo Brasil, 
entre estas sobressaindo aquelas que cuidam da igualdade de tratamento entre estrangeiros e 
nacionais quando vítimas de acidentes do trabalho (Convenção n. 19/25), do trabalho 
forçado (n. 29/30), da indenização por enfermidade profissional (n. 42/34), da inspeção do 
trabalho na indústria e no comércio (n. 81/47), da proteção do salário (n. 95/49) etc., sendo 
exaustiva a relação de convenções internacionais ratificadas, a que procedera o Min. 
Arnaldo Süssekind24. 
Mas há outras normas imperativas de direito internacional, enumeradas, com 
visível atualidade, por Amauri Mascaro Nascimento25. Refere-se o autor às convenções