LIVRO Estatistica Basica Para Ciências Agrárias
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no caso do experimento de aplicac¸a\u2dco de diferentes doses de nitroge\u2c6nio podemos
formular a seguinte hipo´tese cient´\u131fica: e´ poss´\u131vel aumentar a produc¸a\u2dco de milho (kg/ha)
atrave´s da aplicac¸a\u2dco de nitroge\u2c6nio. E a seguinte hipo´tese estat´\u131stica: existe diferenc¸as en-
tre as me´dias verdadeiras de produc¸a\u2dco de milho quando submetido a diferentes doses de
nitroge\u2c6nio. Para testar uma hipo´tese estat´\u131stica, e´ preciso um conjunto de observac¸o\u2dces, isto
e´, e´ preciso coletar dados, valores a respeito do fato que estamos estudando, por exemplo,
no´s precisamos de dados sobre a produc¸a\u2dco de milho para as diferentes doses de nitroge\u2c6nio,
para que possamos testar a hipo´tese acima formulada. Como estamos tratando de exper-
imentac¸a\u2dco, vamos obter nossas observac¸o\u2dces, nossos dados, atrave´s de um experimento, ou
seja, as observac¸o\u2dces sera\u2dco feitas sob condic¸o\u2dces controladas, os fatos ou feno\u2c6menos a serem
estudados sa\u2dco planejados a sofrer variac¸o\u2dces sistema´ticas, mediante a aplicac¸a\u2dco de tratamen-
tos. Por exemplo, a produc¸a\u2dco de milho sofre variac¸o\u2dces devido a aplicac¸a\u2dco de diferentes doses
de nitroge\u2c6nio. Os efeitos dos outros fatores, que na\u2dco as doses de nitroge\u2c6nio, sa\u2dco minimizados
tanto quanto poss´\u131vel, por exemplo, o efeito de diferenc¸as de fertilidade do solo, ataque de
pragas e doenc¸as, invasoras, sombreamento, etc. A hipo´tese acima formulada vai ser testada
por meio de uma ana´lise estat´\u131stica. Esta, por sua vez, depende de como foi instalado o
experimento, ou seja, de como as observac¸o\u2dces foram obtidas. Com isso podemos verificar
a grande importa\u2c6ncia de um bom planejamento inicial do experimento, esta fase inclusive
e´ chamada de planejamento estat´\u131stico do experimento. Planejamento de experimento e
ana´lise estat´\u131stica sa\u2dco feitos em sequ¨e\u2c6ncia e esta\u2dco intimamente ligados. Por delineamento
estat´\u131stico de experimento, entendemos o processo de planejamento do experimento de tal
forma que os dados obtidos possam ser analizados atrave´s de me´todos estat´\u131sticos, resultando
em concluso\u2dces va´lidas e objetivas (Montgomery, 2001). Podemos resumir isto que foi dito,
por meio da representac¸a\u2dco gra´fica da circularidade do me´todo cient´\u131fico (Peres e Saldiva,
1982), apresentada na figura 1.3.
Para fixar melhor a ide´ia de pesquisa cient´\u131fica estatisticamente planejada, vamos atrave´s
de dois projetos de pesquisa, seguir as principais etapas do me´todo cient´\u131fico.
Projeto 1: Recuperac¸a\u2dco de Ervais Nativos Atrave´s da Decepa
1) Identificac¸a\u2dco do problema. Inicia-se uma pesquisa cient´\u131fica com a definic¸a\u2dco do prob-
1Hipo´tese cient´\u131fica: Dado um problema bem definido, identificado, vamos imaginar uma explicac¸a\u2dco para
algum aspecto do problema que nos tenha despertado interesse. Essa e´ a hipo´tese, e deve ser coerente com
as observac¸o\u2dces importantes ja´ feitas, aliada aos conhecimentos teo´ricos que o pesquisador possue sobre o
assunto.
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(4)
Desenvolvimento 
da teoria
(2)
Observações 
ou dados
(1)
Formulação de 
hipóteses
(3)
Verificação das 
hipóteses formuladas
Análise estatística
Planejamento estatístico
do experimento
Figura 1.3: Circularidade do me´todo cient´\u131fico
lema, juntamente com a formulac¸a\u2dco dos objetivos e hipo´teses. No planejamento do experi-
mento, e´ importante a participac¸a\u2dco de especialistas de diversas a´reas, pois quanto maior o
conhecimento adquirido, melhor o entendimento sobre o feno\u2c6meno em estudo e, isto, facili-
tara´ a soluc¸a\u2dco final do problema.
Os ervais explorados para a produc¸a\u2dco de erva-mate sa\u2dco na grande maioria plantas nativas.
Dada a grande demanda por erva-mate, as erveiras foram exploradas, isto e´, extra´\u131da sua
massa foliar, atrave´s de me´todos inadequados; esta falta de manejo implicou na extinc¸a\u2dco de
espe´cies e outras esta\u2dco em vias de extinc¸a\u2dco, enta\u2dco, os ervais nativos ficaram em sua quase
totalidade comprometidos. Buscando recuperar os ervais nativos, ira´ aplicar-se a te´cnica da
decepa total das erveiras em diferentes n´\u131veis de altura.
2) Objetivo geral. Determinar o efeito da decepa em plantas adultas e danificadas de
erveiras.
3) Objetivos espec´\u131ficos:
\u2022 Verificar a capacidade e comprimento de brotac¸a\u2dco;
\u2022 estudar a produc¸a\u2dco de massa verde;
\u2022 verificar a sobrevive\u2c6ncia das erveiras decepadas.
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4) Formulac¸a\u2dco da hipo´tese cient´\u131fica. E´ via´vel a recuperac¸a\u2dco de ervais nativos e impro-
dutivos atrave´s da pra´tica da decepa.
5) Escolha dos fatores que devem ser inclu´\u131dos no estudo e seus correspondentes n´\u131veis
(tratamentos). O pesquisador deve escolher os fatores a serem estudados, a faixa na qual
esses fatores sera\u2dco variados, e os n´\u131veis espec´\u131ficos utilizados no experimento. Neste projeto
o fator, tambe´m conhecido como varia´vel independente, e´ a decepa, e as alturas em que sera´
realizada a mesma sa\u2dco os tratamentos (n´\u131veis do fator). Foram utilizadas quatro alturas
de decepa (4 tratamentos), quais sejam: tratamento 1 - altura de decepa a 0,00 m do solo;
tratamento 2 - altura de decepa a 0,30 m do solo; tratamento 3 - altura de decepa a 0,60 m
do solo; tratamento 4 - altura de decepa a 0,90 m do solo. Este e´ um experimento com um
fator.
6) Escolha da unidade experimental. As unidades experimentais sa\u2dco as que recebem
os tratamentos e devem ser as mais homoge\u2c6neas poss´\u131veis, para que quando submetidas a
tratamentos diferentes, seus efeitos sejam facilmente detectados. Portanto, elas devem ser
orientadas no sentido de minimizar o erro experimental. As unidades experimentais pode ser
um animal, um conjunto de animais, uma pessoa, cinco mil ce´lulas, uma planta, um conjunto
de plantas, um vaso, um frango, cinco a´reas de 5 cm2 em um frango, um tubo de ensaio,
etc. Nesse experimento, a unidade experimental e´ formada por 8 plantas de erva-mate de
dia\u2c6metros bem pro´ximos. Enta\u2dco, o tratamento 1 sera´ aplicado a 8 plantas de erva-mate,
o tratamento 2 a outras 8 plantas, e assim por diante, ate´ o quarto tratamento. Embora
tenhamos 8 medidas da varia´vel resposta em cada unidade experimental, esses resultados
na\u2dco sa\u2dco repetic¸o\u2dces independentes. Na realidade, so´ temos um resultado independente para
cada tratamento, a me´dia das oito a´rvores para cada varia´vel resposta em estudo.
A heterogeneidade das unidades experimentais e´ que determina os diferentes planos ex-
perimentais.
7) Escolha das varia´veis que sera\u2dco medidas nas unidades experimentais. Denominam-
se de varia´veis as caracter´\u131sticas que sera\u2dco mensuradas, avaliadas pelos pesquisadores nas
unidades experimentais. As varia´veis sa\u2dco pre´-estabelecidas pelo pesquisador e devem medir
diretamente os tratamentos de acordo com os objetivos do trabalho. Algumas varia´veis
medidas nesse experimento foram: percentagem de brotac¸a\u2dco, nu´mero de brotos, comprimento
dos brotos, produc¸a\u2dco de massa verde para a indu´stria e sobrevive\u2c6ncia das erveiras decepadas.
O importante e´ que os dados devem ser objetivos, precisos e verdadeiros, isto e´ o m\u131´nimo
que se espera de algue´m que ira´ publicar um trabalho de pesquisa.
8) Determinac¸a\u2dco das regras e procedimentos pelos quais os tratamentos sa\u2dco atribu´\u131dos
a`s unidades experimentais: delineamentos experimentais. Trata-se de normas de designar
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os tratamentos a`s unidades experimentais e que definem os delineamentos experimentais.
A estat´\u131stica e´ bastante rica em planos (delineamentos) experimentais. E´ nesse item que a
estat´\u131stica participa fortemente do planejamento da pesquisa, ou seja, a sua contribuic¸a\u2dco e´
bastante grande, de tal forma que pode-se chamar esta etapa de planejamento estat´\u131stico do
experimento. Veja figura 1.3. E´ importante na fase de planejamento da pesquisa, escolher
adequadamente o delineamento, pois, caso contra´rio, pode-se ter muita