As principais mudanças no regime de acumulação fordista-1
2 pág.

As principais mudanças no regime de acumulação fordista-1


DisciplinaPadrões de Desenvolvimento Capitalista9 materiais107 seguidores
Pré-visualização1 página
Escreva um texto de 1 a 2 páginas tratando das principais mudanças no regime de acumulação fordista-keynesiano (David Harvey: \u201cA condição pós-moderna\u201d) a partir da década de 70, relacionando com as mudanças no plano da orientação da política econômica, com as críticas ao keynesianismo.
As principais mudanças no regime de acumulação fordista-keynesiano a partir da década de 70
Em meados dos anos 30, foi introduzido o modelo de produção fordista-keynesiano, que visava produção em massa, padronizada, em larga escala, com grandes estoques, reduzindo os custos da produção, bem como ampliar o mercado consumidor, tinha trabalho especializado, com salários ascendentes. O objetivo da doutrina Keynesiana era manter o crescimento da demanda em paridade com o aumento da capacidade produtiva da economia. Nos EUA essa doutrina foi introduzida através do New Deal.
Entre os anos 60-70, o modelo fordista-keynesiano entrou em crise, tendo queda dos ganhos de produtividade, os salários não acompanham ao aumento dos preços dos produtos no mercado, além da concorrência internacional, já que, entre 66-67 foi uma onde de industrialização fordista competitiva em ambientes inteiramente novos. As políticas keynesianas tinham se mostrado inflacionárias à medida que as despesas públicas cresciam e a capacidade fiscal estagnava.
Outros fatores são apontados por Harvey, como a crise do petróleo (1973), a ascensão do Toyotismo, a mudança tecnológica da época, novas necessidades de consumo, além de não absorver as demandas geradas pelo sistema capitalista, e essa incapacidade se deve a rigidez dos investimentos de capital fixo de larga escala e de longo prazo em sistemas de produção em massa, o que impedia muita flexibilidade de planejamento e presumia crescimento estável em mercados de consumo invariantes.
Toda a tentativa de superar o problema da rigidez encontrava a força da classe trabalhadora, o que explica as greves e os problemas trabalhistas que começaram 1968. Nessa época, começou também uma onda inflacionária que afundaria a expansão do pós-guerra.
Iniciou-se então, devido à crise, um processo de reorganização do capital, de seu sistema ideológico e político de dominação. A acumulação flexível foi um confronto direto com a rigidez do fordismo. Nela há flexibilidade dos processos de trabalho, dos mercados de trabalho, dos produtos e dos padrões de consumo.
Na acumulação flexível há rápidas mudanças dos padrões de desenvolvimento desigual, como a criação do \u201csetor de serviços\u201d, que gera muito emprego. Houve a evolução da tecnologia, como a comunicação via satélite, e a queda de custos de transporte, que permitiram que os empregados exercessem pressões mais fortes de controle de trabalho.
A acumulação flexível causa níveis relativamente altos de desemprego estrutural, retrocesso do poder sindical, entre outros. O mercado de trabalho passou por uma reestruturação, além do que, muitos se aproveitaram do enfraquecimento do poder sindical e grande quantidade de mão de obra para impor regimes e contratos mais flexíveis. Além da aparente redução do emprego regular em favor do crescente uso do trabalho em tempo parcial, temporário, ou subcontratado. Houve também a substituição de trabalhadores homens melhor remunerados e menos facilmente demitíveis pela exploração da força de trabalho feminino em ocupação parcial mal pago.
O conhecimento científico e técnico teve sempre muita importância na luta competitiva, mas, num mundo de rápidas mudanças de gostos e necessidades e de sistemas de produção flexíveis, o conhecimento da última tecnologia implica a possibilidade de alcançar uma importante vantagem competitiva.
É verdade que o equilíbrio entre o poder financeiro e o poder do Estado sob o capitalismo sempre foi delicado, mas o colapso do fordismo-keynesianismo significou a preferência ao fortalecimento do capital financeiro, e isso pode ser visto na redução de custos de transporte e de comunicação.
O movimento mais flexível do capital acentua o novo, o fugidio, o efêmero, o fugaz e o contingente da vida moderna, em vez dos valores mais sólidos implantados na vigência do fordismo.