Semiologia - 4º Bimestre
20 pág.

Semiologia - 4º Bimestre


DisciplinaSemiologia Médica7.344 materiais106.163 seguidores
Pré-visualização10 páginas
caso este esteja fora de sua posição. Para ter certeza que se trata do ceco, realiza-se as Manobras de Merlo ou de Sigault: 
	* Manobra de Merlo: faz-se um pinçamento do abdome o mais próximo possível do rebordo costal (4 dedos na parede anterior e polegar na parede posterior) por cerca de 30s e, em seguida, realiza-se novamente a palpação do ceco. Se houver borbulhamento é com certeza o ceco; se não houver, pode ser o ceco ou cólon transverso.
	* Manobra de Sigault: o mesmo, mas a mão de apoio é invertida: 4 dedos na parede posterior e polegar na parede anterior.
[Sinal de Gelsuny: também realizado em idosos para diferenciar o sigmoide do cólon transverso: coloca-se o dedo indicador na região do sigmoide, caso o dedo seja \u201cmoldado\u201d trata-se do sigmoide; caso não seja, podemos falar de cólon transverso ou sigmoide vazio].
Exame do Aparelho Urinário
Anamnese: dor lombar (paciente agitado, sem posição diferente de dor na coluna). Cólica nefrítica: geralmente de um lado só, a não ser que seja via ascendente (vir da uretra). Disúria, polaciúria, urgência miccional, nictúria. 
Exame Físico
Bexiga:
Inspeção Estática: abaulamento do hipogástrio (supra-púbico), pode chegar até abaixo do umbigo. [o crescimento da bexiga pode ser encontrada em homem com hiperplasia da próstata. Pacientes com aumento da bexiga e impossibilidade de urinar, não se deve fazer o esvaziamento rápido, pois pode haver sangramento intenso: conforme a bexiga vai se enchendo há microruptura de vasos, mas como esses vasos ficam colabados devido ao aumento da bexiga, não há sangramento, mas com o esvaziamento rápido esses vasos podem começar a sangrar]. Na Inspeção dinâmica:as manobras mostram um Desaparecimento ou diminuição do abaulamento.
Palpação: consistência cística; pode notar que ela é maior do que está vendo.
Percussão: macicez e ao lado timpanismo. Reavaliar o tamanho da massa.
 Ausculta: Como a bexiga é um órgão que não possui ar em seu interior, não há barulho. Frêmito na uretra sob dificuldade de esvaziamento. Quando a bexiga está cheia há o desaparecimento dos ruídos hidroaéreos do local; quando vazia: ouvem-se normalmente os ruídos hidroaéreos.
Salvo (raro): doença de Crohn -> fistula enterovesical ou infecção por anaeróbios -> produção de gases, crepitação e movimentação dos gases.
Ureteres: dor em cólica que irradia da região lombar para o hipogástrio, genitais e coxa. Raiz: irradia para epigástrio. Áreas de Head: sensibilidade aumentada nas regiões dos ureteres. Exame dos pontos dolorosos:
	INTERIOR
	EXTERIOR
	Saída da pelve renal para o ureter
	Ponta da XII costela
	Psoas
	Lado lateral do reto abdominal na altura do umbigo
	Passa pela Artéria Ilíaca
	Borda lateral do ureter na altura da linha biespinha
	Ao entrar na bexiga
	Tubérculo Púbico
	
	
Rim: profundo (anteriormente) e protegido (posteriormente).
Inspeção: abaulamento \u2013 concavidade diminuída. Abscesso perinefrético: sinais de inflamação na parede.
Percussão: posição genupalmar: aumento macicez ou diminuição do timpanismo, deve-se fazer diagnostico diferencial com baço.
Palpação: igual do intestino, porém sem mobilidade respiratória: muito difícil. Decúbito. Polo inferior do rim pode perceber cistos.
Recostar paciente \u2013 rim normal nada. Meio frouxo => escorrega um pouco. Apoio na cadeira (relaxa musculatura).
Apendicite Aguda
Anamnese: Pacientes jovens. É normal ocorrer até os 30 anos, depois disso pode ocorrer, mas suspeita-se de adenocarcinoma. Inicia com desconforto, dor difusa (visceral) com irradiação, febre baixa (alta sugere complicação - supuração/peritonite) e inapetência. Com manifestações clínicas de náusea e vômito inicial que logo para; aumento do trânsito intestinal seguido de constipação (diminuição da mobilidade intestinal), dor mesogástrica periumbilical que difunde para quadrante inferior direito e, por fim, na fossa ilíaca D (dor peritoneal). A dor tem esse percurso por que a dor visceral manda pouca informação precisa, então, quando atinge o peritônio parietal, ela é localizada e a dor pode ser referida com maior especificidade.
Exame Físico:
Inspeção estática: paciente anda com tronco fletido, com a mão sobre da região dolorosa (baixo abdome ou fossa ilíaca D), claudicando (poupa o lado D na tentativa de diminuir a dor), mínimo de movimentação. 
- Eritema, contração muscular e ereção pilosa (curta duração - hiperestesia ao raspar da roupa).
- Meteorismo localizado (alça sentinela - intestino para). Imagem RX é semelhante a um charuto, porção fica distendida. Abaulamento na fossa ilíaca D.
- Posições no leito: posição fetal, decúbito lateral ou então com pernas fletidas e levantadas.
Inspeção dinâmica: respiração se modifica quando há peritonite (apendicite simples não), ocorre inversão do movimento no homem; peristaltismo diminuído.
- Manobras: Valsalva e tosse (paciente não sabe o que está sendo avaliado), Carnett, Smith-Bathes, distensão e depressão voluntárias (ambas levam a dor), etc. Devem ser todas realizadas, para avaliar a evolução do paciente ou se houver fingimento.
Palpação superficial: turgor e elasticidade (na doença avançada, aumenta o turgor e diminui a elasticidade - dificuldade de pinçamento), edema, tensão muscular (QID), temperatura (comparar com pernas e tórax, pois na peritonite todo o abdome tem aumento de temperatura), ereção pilosa, eritema, reflexos diminuidos. 
Palpação Profunda:
- Ao toque retal o lado direito mais edemaciado e doloroso.
Pontos dolorosos:
- Ponto de Mc Burney: linha entre umbigo e espinha ilíaca AS, divide-se em 3; o ponto é o primeiro partindo da espinha ilíaca.
- Ponto renoureteral: diagnóstico diferencial com a compressão e descompressão. O renoureteral dói mais quando comprime e alivia quando descomprime.
Manobras especiais:
Manobra do calcanhar: paciente em decúbito dorsal com MMII estendido ligeiramente levantado; bate-se com a mão fechada no calcanhar E primeiramente, e quando bate no D paciente sente dor devido ao estímulo irradiado.
Manobra de Blumberg: descompressão súbita no ponto de McBurney com o dedo indicador. Resultado positivo: dor (sinal do rebote).
Sinal de Lenander: indica inflamação abdominal. Quando a diferença entre as temperaturas axilar e retal é maior que 1ºC.
Manobra de San Martinho: toque retal com objetivo de causar desconforto maior que aquele causado pela doença quando há dor abdominal difusa e abdome contraído. Fazer com mão sobre o abdome e observar face. Diferenciar: peritonite, doença localizada no paciente hipersensível (apendicite, diverticulite, por exemplo), PNM de base e doença psicológica. 
Sinal de Rovsing: palpação é realizada com punho fechado que comprime o sigmóide em direção superior procurando-se movimentar conteúdo intestinal em direção ao cólon descendente, até o ascendente, onde o acúmulo de gases e/ou fezes gera a dor pela distensão do ceco (sinal positivo). 
- Melhor que Blumberg, pois é em local diferente daquele que dói e não inclui estímulo da parede que pode confundir os resultados.
Sinal do músculo obturador: Para realizá-lo, com o paciente em decúbito dorsal, faz-se a flexão passiva da perna sobre a coxa e da coxa sobre a pelve, então se procede com uma rotação interna da coxa. Tem maior positividade nas apendicites com posição retrocecal.
Lapinski: diagnóstico diferencial com psoíte. Psoas levanta a perna estendida.
- Se segura o joelho e pede para levantar a perna / levanta-se a perna e pede para o paciente mantê-la naquela posição:
	* Apendicite: aumenta a dor e a perna é colocada de volta no leito pela dor.
	* Psoíte: impotência funcional / a perna cai de uma vez.
- Manobra do Psoas: paciente em decúbito lateral, segura-se o joelho e pede para que ele flexione a perna (intenção muda). 
	* O examinador estende a perna do paciente passivamente. Se psoíte haverá dor intensa por compressão do músculo; se apendicite, a dor será local (QID).
Abdome Agudo
Definição: quadro abdominal agudo que cursa com dor e manifestações abdominais como contração da parede