DIREITO FINANCEIRO E TRIBUTÁRIO - PONTO 03
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DIREITO FINANCEIRO E TRIBUTÁRIO - PONTO 03


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O art. 16 (despesas de capital) traz como requisitos: estimativa de impacto orçamentário/financeiro; declaração do ordenador de despesas asseverando que há previsão/consonância com a tríade orçamentária
Já o artigo 17 trata das despesas obrigatórias de caráter continuado (correntes), definindo-as como aquelas que sejam necessárias ao funcionamento da máquina administrativa e que fixem para o ente a obrigação legal de sua execução por um período superior a dois exercícios. Tem como requisitos: estimativa de impacto orçamentário/financeiro, comprovante de que não afetará as metas do anexo de metas fiscais, aumento permanente de receita ou corte de gastos.
Obs.: serviço da dívida ou reajuste de pessoal \u2013 não necessitam de estudo de impacto orçamentário/financeiro
Despesas com pessoal: 
Metas do Consenso de Washington: superávit primário, câmbio flutuante, independência do Banco Central, responsabilidade fiscal \u2013 a pressão do FMI estimulou a aprovação da LRF, mas esta LC tem berço no artigo 169 da CF/88 (a soma dos gastos com pessoal deve respeitar os limites da lei complementar)
Entende-se como despesas com pessoal o somatório dos gastos com os ativos, inativos e pensionistas, bem como os encargos sociais e contribuições recolhidos pelo ente às entidades de previdência. Também os contratos de terceirização de mão-de-obra devem ser contabilizados como \u201coutras despesas com pessoal\u201d, somando-se aos gastos com ativos, inativos e pensionistas (v. art. 18).
Os artigos 19 e 20 da LRF definem os limites para gastos com pessoal dos entes federativos (União: 50%, Est. e mun.: 60%) e dos poderes (legislativo federal: 2,5%, judiciário: 6%, MPU: 0,6%) \u2013 atualmente, por exemplo, se o legislativo descumpre seu limite, toda a União será tida como descumpridora \u2013 há um projeto de lei complementar em tramitação para alterar esta previsão.
Ao final de cada quadrimestre, se verificado que a despesa com pessoal excedeu ao limite prudencial de 95%, serão vedados rejustes, contratações e etc. Se ultrapassado o limite do artigo 20, o excedente deve ser eliminado nos dois quadrimestres seguintes, inclusive com a adoção das medidas previstas nos §§ 3º e 4º do art. 169 da CF.
A LRF exclui dos limites de gastos com pessoal a revisão geral anual. Maria Sylvia defende que essa revisão não pode ser impedida pelo fato de estar o ente político no limite de despesa de pessoal porque seria inaceitável que a aplicação de uma norma constitucional tivesse o condão de transformar outra, de igual nível, em letra morta (o STF já entendeu desta forma no julgamento de uma ADIN por omissão).
São vedados empréstimos ou operações de crédito para suprir gastos com pessoal.
A Lei nº 9504/97 (Lei Geral das Eleições) proíbe a revisão geral da remuneração dos servidores que exceda a recomposição da perda de seu poder aquisitivo, desde 180 dias antes do pleito até a posse dos eleitos.
É nulo o ato que implique aumento de despesas com pessoal expedido nos 180 dias anteriores ao término do mandato.
Disciplina Constitucional dos Precatórios
A CF/88 em seu artigo 100 dispõe que os pagamentos devidos pela fazenda pública em virtude de sentença judiciária, far-se-ão exclusivamente na ordem cronológica de apresentação dos precatórios e à conta dos créditos respectivos.
Ressalte-se que os acordos judiciais poderão não se sujeitar ao regime dos precatórios, se presentes o interesse público e observada a moralidade administrativa, não podendo, para tanto, ser utilizada verba reservada para o pagamento de precatórios.
O precatório decorre de sentença executada na forma do artigo 730 do CPC, sendo a pessoa jurídica de direito público citada para opor embargos no prazo de 30 dias (não para pagar).
A Súmula 279 do STJ estabelece que é cabível execução de título extrajudicial contra a fazenda pública.
Decorrido o prazo de 30 dias sem embargos ou caso estes sejam julgados improcedentes, o juiz expedirá ofício requisitório ao presidente do seu Tribunal. Obs.: juiz estadual no exercício delegado de função federal comum ou trabalhista expede o requisitório para o presidente do TRF ou TRT.
A execução contra empresas públicas ou sociedades de economia mista será feita na forma comum, caso referidas entidades tenham por objeto atividade econômica. O STF decidiu que no caso dos Correios, por exercer atividade típica de Estado, o regime de execução deveria seguir a forma dos precatórios, em razão da impenhorabilidade de seus bens (Informativo 213).
O Enunciado no. 655 da Sumula do STF estabelece que \u201cA exceção prevista no art. 100, caput, da Constituição, em favor dos créditos de natureza alimentícia, não dispensa a expedição de precatório, limitando-se a isentá-los da observância da ordem cronológica dos precatórios decorrentes de condenações de outra natureza.\u201d. Esta manifestação teve como contraponto a tese que defendia que a previsão do caput do art. 100 trazia uma exceção ao regime dos precatórios, que ao final restou não acolhida.
Antes da Emenda no. 30/2000 a atualização dos valores era realizada em 1o. de julho do ano anterior ao do pagamento (data limite para apresentação). Após referida emenda os valores passaram a ser reajustados na data do pagamento, o qual tem por limite o final do ano seguinte (essa previsão foi mantida com a EC no 62/09).
Quando o pagamento do precatório é feito a menor (geralmente em razão da atualização monetária do crédito), decidiu o STJ que não é necessária a citação da fazenda para opor embargos a cada atualização do cálculo, bastando sua intimação para se manifestar sobre a conta de liquidação (RESP 354.357/2002). De qualquer forma, apurada a diferença, será necessária a expedição de novo precatório (STF - EDcl no RE 112.661/SP, 2ª Turma, DJ de 12.8.1988).
As obrigações definidas em lei como de pequeno valor não estão sujeitas aos precatórios. No âmbito federal o limite é de 60 s.m. Até que leis sejam editadas por Estados e Municípios, os limites serão 40 e 30 s.m., respectivamente.
Na hipótese de litisconsórcio cada autor terá seu crédito considerado individualmente (Resoluções 373 e 399 do CJF). No âmbito dos Estados há quem sustente que deve ser considerado o valor total dos créditos em cada processo.
De acordo com o art. 78 do ADCT os precatórios pendentes de pagamento na data de promulgação da Emenda 30 (13/09/2000) e os que decorram de ações ajuizadas até 31/12/1999, serão liquidados pelo seu valor real, em moeda corrente, acrescido de juros legais, em prestações anuais, iguais e sucessivas, no prazo máximo de dez anos.
O prazo de parcelamento fica reduzido para dois anos nos casos de precatórios originários de desapropriação de imóvel residencial do credor, desde que seja seu único imóvel à época da imissão na posse.
Não estão sujeitos ao parcelamento os créditos de natureza alimentícia, os de pequeno valor, os que já tiveram recursos liberados, os já depositados e os anteriormente parcelados.
As prestações anuais que não forem liquidadas até o final do exercício a que se referem, terão poder liberatório dos tributos da entidade devedora.
Sequestro de rendas: caso algum credor seja preterido em seu direito precedência, poderá requerer ao presidente do tribunal o sequestro de quantia necessária ao pagamento, que será determinado nas seguintes hipóteses: a) omissão de inclusão da parcela no orçamento; b) se, vencido o prazo anual, a parcela não for integralmente paga; c) se verificada a preterição do direito de precedência.
Intervenção federal: no caso de atraso ou suspensão do pagamento de precatórios, pode caracterizar-se o descumprimento de uma ordem judicial, dando ensejo a eventual intervenção, que dependerá de requisição do STF, STJ ou TSE. Duas ações envolvendo o Estado de São Paulo já foram decididas pelo STF, que concluiu que não houve descumprimento voluntário, mas sim impossibilidade decorrente de inexistência de recursos.
A Lei no. 11033/2004 exigiu a apresentação de certidões negativas para levantamento