DIREITO FINANCEIRO E TRIBUTÁRIO - PONTO 05
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DIREITO FINANCEIRO E TRIBUTÁRIO - PONTO 05


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umbilicalmente ligada à de crédito público. Na verdade, ambos os conceitos consistem em duas facetas do mesmo fenômeno. Afirma-se que dívida pública é toda a dívida contraída pelo Estado a fim de obter recursos financeiros necessários ao cumprimento de seus objetivos.
Ricardo Lobo Torres pondera que a dívida pública \u201cabrange apenas os empréstimos captados no mercado financeiro externo ou interno, através de contratos assinados com os bancos e instituições financeiras ou do oferecimento de títulos ao público em geral\u201d. Quando a assunção de compromissos financeiros ocorre com pessoa jurídica ou física do exterior, fala-se em endividamento externo. De outro lado, quando o credor é pessoa física sediada no Brasil, diz-se que se cuida de dívida interna.
A dívida pública brasileira, assim, encontra-se apresentada em contratos firmados e no lançamento de títulos da dívida pública, dentre os quais se destacam Bônus do Tesouro Nacional, Obrigações do Tesouro Nacional, Letra Financeira do Tesouro Nacional, Nota do Banco Central e Letra do Tesouro Nacional.
PRINCÍPIOS INCIDENTES SOBRE A DÍVIDA PÚBLICA.
A dívida pública está consubstanciada em negócios jurídicos firmados pelo Estado, e devem ser cumpridos. Ocorre que uma das partes deste negócio é gestora dos interesses da coletividade, peculiaridade esta que faz incidir uma principiologia própria nesta espécie de negócios jurídicos. Princípios de garantia da prevalência dos direitos humanos devem sobrepor-se ao cumprimento do contrato a qualquer custo.
Régis Fernandes de Oliveira, em seu Curso de Direito Financeiro, aponta princípios incidentes sobre o débito público, quais sejam:
Pacta sunt servanda \u2013 O contrato enquanto tal vincula as partes componentes e deve ser cumprido;
Cláusula rebus sic stantibus \u2013 Ocorrendo bruscas transformações na situação fática que se verificava à época da assinatura do contrato, modificação esta que torne difícil ou impossível o cumprimento do que foi pactuado, deve haver reformulação do teor do contrato; 
Princípio da boa-fé;
Princípio do beneficium competentiae \u2013 não redução do devedor ao estado de necessidade;
Princípio do favor debitoris \u2013 a parte mais fraca deve ser tutelada, de modo a tornar mais suave o cumprimento das obrigações;
Impossibilidade de alteração unilateral das cláusulas.
Arrematando o quadro principiológico, assevera o renomado autor: \u201cO essencial é que ninguém pode se enriquecer à custa da fome ou das necessidades básicas de qualquer povo. O limite de assunção de compromissos é a possibilidade de pagamento ou de endividamento do povo. Ao mesmo tempo em que há a responsabilidade pelo pagamento dos débitos, há, de outro lado, a responsabilidade do (...) credor, que tem de saber dos limites do seu empréstimo, uma vez que é corresponsável, se emprestou mal. Se conhece as dificuldades do país devedor de honrar seus compromissos, também assume o risco de não receber, caso tenha efetuado o empréstimo sem tomar as cautelas devidas, de saber da saúde financeira do tomador. Como diz Jacob Dolinger, \u2018é princípio aceito hoje pelos economistas, inclusive americanos e ingleses, que a responsabilidade por empréstimos é mútua, e que os credores são substancialmente responsáveis por empréstimos arriscados.\u201d
3.2. DÍVIDA PÚBLICA CONSOLIDADA. DÍVIDA PÚBLICA FLUTUANTE. DÍVIDA PÚBLICA MOBILIÁRIA.
Com base na lei 4.320/64, a doutrina estabeleceu classificas definições daquilo que seriam dívida consolidada, dívida flutuante e dívida mobiliária. A dívida consolidada é o montante total das obrigações financeiras assumidas em virtude da Constituição, leis, contratos, convênios ou tratados e da realização de operações de crédito.para amortização em prazo superior a 12 meses. A dívida pública flutuante é a assumida para pagamento no mesmo exercício. Por fim, dívida pública mobiliária é a decorrente de títulos emitidos pelos entes federados.
A Lei de Responsabilidade Fiscal promoveu algumas alterações neste panorama. 
Primeiro, estabeleceu que a dívida relativa à emissão de títulos de responsabilidade do Banco Central do Brasil integra a dívida consolidada da União. 
Instituiu também uma ampliação do conceito de dívida pública consolidada, aí incluindo as operações de crédito para amortização em prazo inferior a 12 meses, desde que incluídas no orçamento. Eis o exato teor legal:
Art. 29. Para os efeitos desta Lei Complementar, são adotadas as seguintes definições:
        I - dívida pública consolidada ou fundada: montante total, apurado sem duplicidade, das obrigações financeiras do ente da Federação, assumidas em virtude de leis, contratos, convênios ou tratados e da realização de operações de crédito, para amortização em prazo superior a doze meses;
        II - dívida pública mobiliária: dívida pública representada por títulos emitidos pela União, inclusive os do Banco Central do Brasil, Estados e Municípios;
        III - operação de crédito: compromisso financeiro assumido em razão de mútuo, abertura de crédito, emissão e aceite de título, aquisição financiada de bens, recebimento antecipado de valores provenientes da venda a termo de bens e serviços, arrendamento mercantil e outras operações assemelhadas, inclusive com o uso de derivativos financeiros;
        IV - concessão de garantia: compromisso de adimplência de obrigação financeira ou contratual assumida por ente da Federação ou entidade a ele vinculada;
        V - refinanciamento da dívida mobiliária: emissão de títulos para pagamento do principal acrescido da atualização monetária.
        § 1o Equipara-se a operação de crédito a assunção, o reconhecimento ou a confissão de dívidas pelo ente da Federação, sem prejuízo do cumprimento das exigências dos arts. 15 e 16.
        § 2o Será incluída na dívida pública consolidada da União a relativa à emissão de títulos de responsabilidade do Banco Central do Brasil.
        § 3o Também integram a dívida pública consolidada as operações de crédito de prazo inferior a doze meses cujas receitas tenham constado do orçamento.
        § 4o O refinanciamento do principal da dívida mobiliária não excederá, ao término de cada exercício financeiro, o montante do final do exercício anterior, somado ao das operações de crédito autorizadas no orçamento para este efeito e efetivamente realizadas, acrescido de atualização monetária.
Convém, por fim, estabelecer a noção de dívida consolidada líquida, que é aquela dívida consolidada que tem deduzidas as disponibilidades de caixa, as aplicações financeiras e os demais haveres financeiros, nos termos da Resolução nº 43/2001.
LIMITES DA DÍVIDA PÚBLICA.
O atual panorama brasileiro possui específica regulamentação dos limites da dívida pública, tendo em vista a busca de um aperfeiçoamento cada vez maior da eficiência da gestão estatal.
Inicialmente, convém afirmar que um ente público somente pode assumir um débito público mediante específica autorização legislativa e após prévia previsão orçamentária. Além disso, devem ser obedecidas as Resoluções do Senado Federal, que é órgão encarregado de autorizar e fiscalizar as obrigações financeiras dos entes públicos, conforme percebemos ao analisar os dispositivos abaixo da CF/88:
 
Art. 52. Compete privativamente ao Senado Federal:
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V - autorizar operações externas de natureza financeira, de interesse da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Territórios e dos Municípios;
VI - fixar, por proposta do Presidente da República, limites globais para o montante da dívida consolidada da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios;
VII - dispor sobre limites globais e condições para as operações de crédito externo e interno da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, de suas autarquias e demais entidades controladas