DIREITO FINANCEIRO E TRIBUTÁRIO – PONTO 06.01
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DIREITO FINANCEIRO E TRIBUTÁRIO – PONTO 06.01


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\u2013 Contribuições Corporativas
Criadas pela União Federal, com o objetivo parafiscal de obter recursos destinados a financiar atividades de interesses de instituições representativas ou fiscalizatórias de categorias profissionais ou econômicas.
Contribuição Sindical: (art. 8º, IV, parte final, CF)
Obs: é importante registrar que a contribuição prevista na primeira parte do aludido inciso (contribuição fixada pela assembleia geral para o custeio confederativo do respectivo sindicato) não tem caráter tributário, dado o fato de não ser compulsória (só paga quem é filiado) e não ser instituída por lei. Neste sentido: SÚMULA Nº 666 do STF: A contribuição confederativa de que trata o art. 8º, IV, da Constituição, só é exigível dos filiados ao sindicato respectivo.
Contribuições corporativas para o custeio das entidades de fiscalização do exercício de profissões regulamentadas: típica utilização do tributo com finalidade parafiscal, uma vez que o Estado cria o tributo e atribui o produto de sua arrecadação a terceira pessoa que realiza atividade de interesse público.
No julgamento da ADI 1.717, DJ 28.03.2003, o STF declarou a inconstitucionalidade de dispositivos da Lei 9.649/98 que atribuíam caráter privado aos serviços de fiscalização de profissões regulamentadas. Por conseguinte, restou fixado o caráter autárquico dos conselhos de fiscalização. Tal decisão não abarcou o § 9º do art. 58 da referida lei, dispositivo este que exclui a OAB do regime nela instituído.
OAB: é uma autarquia sui generis, razão pela qual suas contribuições não têm natureza tributária (STJ, Resp 915.753, j. 22/05/2007). No âmbito do STF, a decisão mais recente (ADI 3.026/DF, j. 08.06.2006), apesar de não tratar da questão tributária, fixa o entendimento de que a OAB não é uma entidade da ADM Indireta da União e também não pode ser tida como congênere dos demais órgãos de fiscalização profissional (STJ parece aderir a esse posicionamento: HC 232.230, j. 26/06/2012)
 - Contribuição de Iluminação Pública \u2013 (COSIP): STF decidiu pela constitucionalidade da referida contribuição e definiu-a como tributo sui generis, \u201cque não se confunde com um imposto, porque sua receita se destina a finalidade específica, nem com uma taxa, por não exigir a contraprestação individualizada de um serviço ao contribuinte\u201d. (RE 573.675, j. 25/03/2009; e ainda RE 642938 AgR, j. 29/05/2012) 
Classificações Doutrinárias dos Tributos:
- Quanto à hipótese de incidência:
Tributos vinculados (ou retributivos): fato gerador é alguma atividade específica do Estado relativa ao contribuinte. Ex: taxas e contribuições de melhoria.
Tributos não vinculados (ou contributivos): fato gerador não é nenhuma atividade específica do Estado direcionada ao contribuinte. Ex: impostos (fatos geradores são manifestações de riqueza \u2013 renda, patrimônio, consumo).
obs: no que tange aos empréstimos compulsórios e às contribuições especiais, não há regra, devendo ser analisado o fato gerador de cada um destes tributos instituídos para se aferir a sua vinculação ou não-vinculação 
- Quanto ao destino da arrecadação:
Tributos de arrecadação vinculada: receita está previamente destinada ou afetada a determinado órgão, fundo ou despesa. Ex: contribuições sociais para financiamento da seguridade social; empréstimos compulsórios.
Tributos de arrecadação não vinculada: não há prévia vinculação constitucional do produto de sua arrecadação. Ex: Impostos.
obs: as taxas são tributos de arrecadação não vinculada, salvo as custas e emolumentos (art. 98, § 2º, CF)\ufffd
- Quanto à finalidade:
Tributos de natureza fiscal: têm por finalidade preponderante arrecadar dinheiro e prover de recursos o Estado. Ex: ISS, ICMS, IR e outros.
Tributos de natureza extrafiscal: têm finalidade diversa da simples obtenção de recursos. Objetivam, fundamentalmente, intervir numa situação social ou econômica. Ex: II, IE
Tributos parafiscais: quando a lei nomeia sujeito ativo diverso da pessoa que a expediu. Ex: contribuições previdenciárias, antes da criação da Secretaria da Receita Previdenciária 
- Quanto à possibilidade de repercussão do encargo econômico-financeiro:
Tributos diretos: o contribuinte eleito pela lei é aquele que, efetivamente, suporta o ônus.
Tributos indiretos: o contribuinte eleito pela lei (contribuinte de direito) é o que tem a obrigação de efetuar o pagamento do tributo, mas não é ele quem, efetivamente, suporta o ônus tributário, que é repassado a um terceiro (contribuinte de fato). Ex: ICMS
obs: a classificação proposta inclui apenas os tributos tecnicamente concebidos como aptos à transferência do encargo (repercussão jurídica), já que, sob o ponto de vista econômico, a translação verifica-se praticamente em todo tributo. Neste sentido, STJ (REsp 118.488).
- Quanto aos aspectos objetivos e subjetivos da hipótese de incidência:
Tributos reais: são os que a lei valoriza, objetivamente, a operação ou o bem envolvido na relação jurídica tributária, desconsiderando as características pessoais do contribuinte. Ex: IPVA.
Tributos pessoais: são os que a lei valoriza as características pessoais do contribuinte, para o fim de determinar o alcance da imposição tributária. Ex: IR.
- Quanto ao exercício da competência impositiva:
Tributos privativos: a CF defere a determinado ente político competência exclusiva para a sua instituição, não sendo possível delegação. Ex: Impostos, empréstimos compulsórios, contribuicoes especiais e contribuição de iluminação pública.
Tributos comuns: cuja instituição é deferida a todos os entes políticos. Ex: taxas e contribuições de melhoria 
Tributos residuais: novos impostos (CfF, art. 154, I) e as novas contribuições sociais para a seguridade social (CF, art. 195, § 4º)
O CTN divide os impostos em quatro grupos, a saber (com as devidas atualizações, de acordo com a CF): a) impostos sobre o comércio exterior (II e IE); b) impostos sobre o patrimônio e a renda (IR, ITR, IGF, IPVA, ITCD, IPTU, ITBI); c) impostos sobre a produção e a circulação (IPI, ICMS, IOF E ISS); d) impostos especiais (IEG).
\ufffd	Ricardo Alexandre. Direito Tributário Esquematizado. 4ª Ed., p. 184.
\ufffd	 Os tributos podem ser vinculados ou não vinculados, dependendo da necessidade ou não de o Estado realizar alguma atividade específica relativa ao contribuinte para legitimar a cobrança.
\ufffd	 Acerca da exigência ou não de vinculação do produto da arrecadação tributária ao serviço público que justificou a instituição e cobrança de determinada taxa, transcrevo os comentários de Vicente Paulo e Marcelo Alexandrino, tecidos no excelente livro \u201cDireito Tributário na Constituição e no STF\u201d:
	\u201c(...) quanto ao destino do produto da arrecadação das taxas, cabe notar que não existe vinculação constitucional expressa entre a receita e a despesa, vale dizer, não é obrigatório que a arrecadação da taxa seja legalmente destinada a um fundo ou órgão específico incumbido de custear ou desempenhar a atividade estatal que constitui o fato gerador do tributo. Mas a lei pode estabelecer vinculação da arrecadação de taxas, porque não se lhes aplica o art. 167, inciso IV, da Constituição, dispositivo específico para impostos. (...) Mesmo quanto à vinculação legal da arrecadação de taxa ao custeio de determinado serviço público, ou atividade de polícia, desempenhado por pessoa de direito público, o STF parece inclinar-se a entender que a atividade estatal custeada deve ser o próprio fato gerador da taxa, ou, pelo menos, guardar alguma relação com esse fato gerador. (...) Quanto à total ilegitimidade de vinculação legal do produto de arrecadação de taxas a entidades privadas, ou com personalidade jurídica de direito privado, a jurisprudência do STF é abundante.\u201d