DIREITO  FINANCEIRO E TRIBUTÁRIO – PONTO 07 .1
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DIREITO FINANCEIRO E TRIBUTÁRIO – PONTO 07 .1


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DIREITO FINANCEIRO E TRIBUTÁRIO \u2013 PONTO 07
Competência tributária plena. Indelegabilidade da competência. Não exercício da competência. Competência residual e extraordinária. Limitações da competência. Princípios da legalidade e da tipicidade. Princípio da anualidade. Proibição de tributos interlocais. Imunidade e isenção. Uniformidade tributária. Tributação das concessionárias. Sociedades mistas e fundações. Imunidade recíproca. Extensão da imunidade às autarquias.
Partes alteradas ou acrescentadas em azul
Atualizado por Rodrigo Parente Paiva Bentemuller \u2013 agosto de 2012
7.1 Competência tributária plena
A competência tributária plena é aquela outorgada à pessoa política não só para cobrar (arrecadar) e fiscalizar o tributo (\u201cfunção fiscal\u201d ligada ao Poder Executivo), mas especialmente para criá-lo e legislar (\u201cpoder fiscal\ufffd\u201d ligado ao Poder Legislativo) sobre ele (art. 6º, CTN) Segundo Aliomar Baleeiro, \u201ca ênfase da adjetivação \u2013 \u2018plena\u2019 \u2013 quer significar que não há outras limitações ao legislador, senão aquelas de ordem constitucional\u201d. Somente os entes federados possuem competência tributária. Somente a CF pode estabelecer competências tributárias.
\uf0b7	Limites para o exercício da competência: são apenas aqueles constantes na Constituição Federal, mas alguns autores entendem que Estados e Municípios podem criar restrições próprias (autolimitações), por meio de suas Constituições Estaduais e Leis Orgânicas. Tributo com receita distribuída: é o caso do IOF sobre o ouro como ativo financeiro, em que a União é competente para instituí-lo, mas a receita vai toda para Estados e municípios. Nesse caso, apesar do ente competente não ficar com a receita, ele mantém a competência plena.
\uf0b7	As regras constitucionais de repartição de receitas tributárias não têm nenhuma influência sobre a competência tributária, conforme art. 6º. parágrafo único, do CTN: \u201cOs tributos cuja receita seja distribuída, no todo ou em parte, a outras pessoas jurídicas de direito público pertencem à competência legislativa daquela a que tenham sido atribuídos.\u201d
\uf0b7	A competência tributária é mutável, podendo ser alterada por emenda constitucional, pois não configura, a priori, cláusula pétrea. Ela decorre, entretanto, de uma cláusula pétrea, qual seja, o princípio federativo. (Na ADI 2381, o STF reforçou a existência do referido princípio). Então, a competência pode ser modificada por emenda constitucional, desde que não prejudique a autonomia do ente federativo (financeira e de autogestão).
7.2 Indelegabilidade da competência
	Em sentido estrito, a competência tributária é política, referindo-se à possibilidade de editar lei instituindo o tributo, definido seus elementos essenciais (fatos geradores, contribuintes, alíquotas e bases de cálculo). 
A capacidade ativa decorre da competência tributária, mas possui natureza administrativa, referindo-se às funções de arrecadar ou fiscalizar tributos, ou de executar leis, serviços, atos ou decisões administrativas em matéria tributária.
	Nestes termos, conclui-se que, em sentido amplo, a competência seria a soma de quatro atribuições: instituir, arrecadar, fiscalizar e executar leis, serviços, atos ou decisões administrativas relativas ao tributo.
	A indelegabilidade da competência tributária, contudo, refere-se apenas à primeira atribuição, a de instituir o tributo. As demais funções seriam delegáveis, portanto. Assim, utilizando-se a expressão em sentido estrito, pode-se afirmar que a competência tributária (política) é indelegável, seja expressa (CTN, art. 7º), seja tacitamente (CTN, art. 8º); já a capacidade ativa (administrativa) é delegável de uma pessoa jurídica de direito pública a outra.
	Pode-se citar como exemplo a delegação da capacidade ativa feita ao INSS de algumas contribuições previdenciárias instituídas pela União, detentora da competência tributária. Após tal delegação, foi editada a Lei 11.098/05 a qual a União retirou a capacidade ativa delegada do INSS autorizando a criação da Secretaria da Receita Previdenciária que, mais tarde, foi unificada com a Secretaria da Receita Federal criando-se a Receita Federal do Brasil.
As atribuições atinentes à capacidade tributária ativa só podem ser delegadas para pessoas jurídicas de direito público (art. 7º, caput, do CTN). Não confundir com o encargo ou função de mera arrecadação exercido por pessoas jurídicas de direito privado, como os bancos (art. 7º, §3º, do CTN), concessionária de energia elétrica (art. 149-A CF)
\uf0b7	Não obstante, vale registrar que alguns doutrinadores, como Paulo de Barros Carvalho, afirmam a imprestabilidade do texto literal do CTN, por conflitar com o sistema constitucional, onde se albergam, no campo da parafiscalidade (delegação da capacidade tributária ativa), entidades não públicas credenciadas à titularidade ativa de relações jurídico-tributárias.
7.3 Não exercício da competência
CTN: Art. 8º O não-exercício da competência tributária não a defere a pessoa jurídica de direito público diversa daquela a que a Constituição a tenha atribuído.
\uf0b7	O não-exercício tampouco implica decadência da competência.
\uf0b7	Com a LC 101/00, o não exercício da competência tributária passou a ter um ônus. Com efeito, o art. 11 da citada lei veda a realização de transferências voluntárias (entrega de recursos correntes ou de capital a outro ente da Federação, a título de cooperação, auxílio ou assistência financeira) para entes que não exerçam as competências tributárias que lhe foram atribuídas pela Constituição em relação aos impostos. Como já dito, há quem entenda por inconstitucional tal disposição, por trazer restrição não prevista na CF.
	O exercício do poder atribuído é uma faculdade, não uma imposição constitucional. Cada ente decide, de acordo com seus critérios de oportunidade e conveniência política, e, principalmente, econômica, sobre o exercício da competência tributária.
	Ante ao exposto, Ricardo Alexandre faz considerações acerca da Lei Complementar nº 101/2000, Lei de Responsabilidade Fiscal, que prevê como requisito essencial da responsabilidade na gestão fiscal a instituição, previsão e efetiva arrecadação de todos os tributos da competência constitucional do ente federado.
	Para o autor, a previsão tem caráter principiológico, estando dentre do contexto do equilíbrio das contas públicas, que é o maior objetivo da LRF. Todavia, para ele, a lei foi além, ao proibir a realização de transferências voluntárias para entes federados que deixem de instituir os impostos de sua competência. 
	Apesar de reconhecer a lógica do postulado, na qual se um ente possui competência para criar um imposto e não o faz, presume-se que não precise de receita proveniente de transferência voluntária, para Ricardo Alexandre trata-se a vedação legal de uma sanção institucional que parece caminhar em sentido contrário à lição de que o exercício da competência tributária é facultativo.
7.4 Competência residual e extraordinária
Competência residual (Constituição Federal) \u2013 é sempre da União Federal em matéria de impostos (art. 154, I, CF) e contribuições sociais (art. 195, §4º, CF):
Competência extraordinária (Constituição Federal): é atribuído à União (art. 154, II, CF)
\uf0b7	Competência extraordinária \u2013 regras gerais:
o	Guerra externa ou sua eminência: são circunstâncias que permitem a criação do imposto, mas jamais serão seus fatos geradores.
o	Terão a mesma hipótese de incidência, base de cálculo e fato gerador de imposto ordinário já instituído pela União, Estados, DF ou Municípios; ou seja, ele é repetitivo, é uma clonagem tributária, que vai conviver, simultaneamente, com o imposto ordinário ou residual já existente. Ou seja, poderá haver a bitributação (quando duas pessoas exigem tributo do mesmo sujeito passivo sobre o mesmo fato gerador) e o bis in idem (quando a mesma pessoa exige tributos sobre o mesmo fato gerador).
o	Não exige não-cumulatividade.
o	Devem ser transitórios, mas