DIREITO TRIBUTÁRIO E FINANCEIRO - PONTO 07.2
10 pág.

DIREITO TRIBUTÁRIO E FINANCEIRO - PONTO 07.2


DisciplinaDireito Tributário I23.218 materiais271.984 seguidores
Pré-visualização4 páginas
1758)
* declaração da inconstitucionalidade do art. 2º, §2º, da EC nº 3/93, que, entre outras coisas, pretendeu excluir o IPMF da vedação ora tratada (ADI 939) 
7.8 Uniformidade tributária
Trata-se de vedação específica à União, inserta no art. 151, I da CR que visa à proteção do pacto federativo. É regra protegida por cláusula pétrea. O mesmo dispositivo traz uma exceção que se refere à possibilidade de concessão de incentivos fiscais destinados a promover o equilíbrio socioeconômico entre as diferentes regiões do País. Essa possibilidade está em harmonia com o art. 3º da Constituição que inclui entre os objetivos da República a redução das desigualdades sociais e regionais. 
Art. 151. É vedado à União:
I - instituir tributo que não seja uniforme em todo o território nacional ou que implique distinção ou preferência em relação a Estado, ao Distrito Federal ou a Município, em detrimento de outro, admitida a concessão de incentivos fiscais destinados a promover o equilíbrio do desenvolvimento sócio-econômico entre as diferentes regiões do País;
7.9 Tributação das concessionárias
É absolutamente pacífico que concessionárias ou permissionárias de serviços públicos, remuneradas por preços públicos ou tarifas, não gozam de qualquer privilégio tributário. Tanto isso é verdade que, mesmo a prestação direta de serviços públicos pelo Estado, quando remunerada por preço ou tarifa pagos pelo usuário, estaria excluída da imunidade tributária recíproca (art. 150, §3º, CF), salvo se tratar de serviço público de prestação obrigatória e exclusiva do Estado, como é o caso da ECT.
7.10 Sociedades Mistas e Fundações
As sociedades de economia mista apresentam regime tributário definido pela CF/88, equiparando-as às empresas privadas, inclusive quanto às obrigações tributárias. Dispõe, ainda, o texto constitucional que tais entidades não poderão gozar de privilégios fiscais não extensíveis às do setor privado.
POLÊMICA: DI PIETRO e DIÓGENES GASPARINI sustentam a paridade quanto se tratar de entidade que explora atividade econômica em sentido estrito, podendo haver privilégios em favor daquelas que executam atividades econômicas sob a forma de serviços públicos.
		JOSÉ DOS SANTOS CARVALHO FILHO e HELY LOPES entendem que, independentemente de sua natureza, as sociedades de economia mista devem sujeitar-se ao mesmo regime tributário aplicável às empresas privadas, porque todas exercem, em sentido amplo, atividades econômicas.
Vale destacar que Empresa Pública que executa serviço público monopolizado \u2013 admite-se a concessão de privilégio, em virtude da inexistência da ameaça de mercado e da ausência do risco de abuso do poder econômico. O STF (RE 407.099 \u2013 Rel. Carlos Veloso) entendeu que a ECT está abrangida pela imunidade tributária recíproca, por se tratar de prestadora de serviço público exclusiva do Estado. (Monopólio que está sendo questionado na ADPF 46, sob o fundamento de livre iniciativa e livre concorrência). Equiparou, portanto, no que concerne à imunidade tributária recíproca, empresas públicas prestadoras de serviços públicos às autarquias.
ATENÇÃO: Em julgado ainda mais recente (06.02.07), o STF, sob os mesmos fundamentos, considerou aplicável a imunidade tributária recíproca a uma sociedade de economia mista prestadora de serviços públicos (Ação Cautelar 1550-2 \u2013 2ª Turma).
Assim, com base nesse julgado e no inteiro teor do voto do Min. Gilmar Mendes, pode-se concluir que o entendimento atual do STF é no sentido de ampliar a imunidade tributária recíproca para empresas públicas e sociedades de economia mista prestadoras de serviços públicos obrigatórios. Manteve-se a vedação de extensão de vantagens para empresas públicas e sociedades de economia mista exploradoras de atividade econômica.
Em relação às fundações, o artigo 150, §2º CF dispõe que a imunidade tributária relativa aos impostos sobre a renda, o patrimônio e os serviços federais, estaduais e municipais é extensiva às fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público, não diferenciando qual tipo de fundação pública. Ou seja, ambas as modalidades de fundações públicas fazem jus à referida imunidade, desde que a atividade esteja relacionada às suas atividades essenciais.
7.11 Extensão da imunidade às autarquias
A imunidade recíproca estende-se às autarquias e fundações públicas federais, estaduais, distritais e municípios (art. 150, §2º, CF). TODAVIA, há uma diferença importante: enquanto no caso da imunidade recíproca das pessoas políticas não há restrição quanto à destinação de seu patrimônio, renda ou serviços, a imunidade das autarquias e fundações públicas alcança somente patrimônio, renda ou serviços vinculados às finalidades essenciais, ou às delas decorrentes, dessas pessoas administrativas.
O STF já afastou a incidência de IPTU sobre prédio ocupado por autarquia estadual, evidentemente, portanto, vinculado a suas finalidades essenciais (RE 203.839).
BIBLIOGRAFIA
CARVALHO FILHO, José dos Santos. Manual de Direito Administrativo. 16 ed. 2006.
CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. 16 ed. 2004.
CASTRO, Aldemario Araújo. Direito Tributário. 3 ed. 2007.
PAULO, Vicente & ALEXANDRINO, Marcelo. Direito Tributário na Consituição e no STF. 12 ed. 2007.
PAULSEN, Leandro. Curso de Direito Tributário. 2008.