DIREITO FINANCEIRO E TRIBUTÁRIO  – PONTO 06.2
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DIREITO FINANCEIRO E TRIBUTÁRIO – PONTO 06.2


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DIREITO FINANCEIRO E TRIBUTÁRIO \u2013 PONTO 06
O Sistema Tributário Nacional. Limitações constitucionais ao poder de tributar. A repartição de competências na federação brasileira. Delegação de arrecadação. Discriminação constitucional da rendas tributárias. Legislação sobre o Sistema Tributário Brasileiro. Definição de tributo. Espécies de tributos.
Revisado por Jucelio Fleury Neto em agosto de 2012.
O Sistema Tributário Nacional
Conceito: conjunto de normas jurídicas constitucionais que disciplinam a tributação em caráter nacional. Para alguns, incluem-se as normas jurídicas infraconstitucionais.
Constituição Federal: traz normas de estrutura do STN e competência dos entes da Federação
Código Tributário Nacional: traz normas gerais, em atendimento ao art. 146 da CF/1988
Leis ordinárias: editadas por cada um dos entes da Federação no exercício de suas competências, para a instituição e regulação de cada um dos tributos
Normas infralegais: regulamentação
Limitações constitucionais ao poder de tributar
O poder de tributar está associado à competência tributária, que é de titularidade da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. É o poder de criar tributos em abstrato.
Como esse poder de invasão patrimonial tem índole compulsório, é imprescindível a existência de balizamentos constitucionais, que são as limitações ao poder de tributar, as quais se referem aos princípios constitucionais tributários e às imunidades tributárias.
Garantias como rol não exaustivo:o art. 150 da CF estatui as principais limitações ao poder de tributar, mas não todos. Exemplo de outra limitação: inciso XXXIV do art. 5º da CF: \u201csão a todos assegurados, independentemente do pagamento de taxas: a) o direito de petição aos Poderes Públicos em defesa de direitos ou contra ilegalidade ou abuso de poder; b) a obtenção de certidões em repartições públicas, para defesa de direitos e esclarecimento de situações de interesse pessoal;
Algumas limitações podem configurar cláusulas pétreas (leading case: ADI 939-7 DF). Ex: imunidade tributária recíproca (art. 150, VI, a, CF); imunidade de templos de qualquer culto (art. 150, VI, b); imunidade dos livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão (todos reconhecidos no aludido julgamento). 
PRINCÍPIOS:
Princípio da legalidade: a criação e majoração de tributos só pode ser feita por lei. 
Exceção: para a majoração de alíquotas: II, IE, IOF, IPI (alíquotas fixadas por decreto, dentro dos limites fixados em lei), CIDE-combustíveis (o Poder Executivo pode reduzir e restabelecer as alíquotas \u2013 art. 177, § 4º, I, b, da CF/88) e ICMS monofásico sobre combustíveis (alíquotas fixadas por convênio celebrado entre Estados e DF \u2013 CONFAZ \u2013 art. 155, § 4º, IV, da CF).
- Legalidade e delegação legislativa: nada impede a utilização de lei delegada em matéria tributária. Contudo, a grande liberdade na edição de medidas provisórias acaba inutilizando o instrumento.
- Legalidade e regulamentos: STF: \u201cos decretos regulamentadores, ao tratarem da atividade econômica preponderante e do grau de risco acidentário, delimitaram conceitos necessários à aplicação concreta da Lei 8.212/91, não exorbitando o poder regulamentar conferido pela norma ... (STF, RE 343.446-2/SC, j. 20.3.2003). Assim é possível que o legislador atribua ao regulamento a incumbência de complementar conceitos jurídicos indeterminados, sem que com isto se fira o princípio da legalidade. 
Roque Carraza afirma que no Brasil aplica-se o PRINCÍPIO DA REFERENDA, no que tange aos regulamentos expedidos pelo executivo, com fundamento no art. 87, parágrafo único, inciso I, da CF, que afirma que os Ministros de Estado devem "referendar os atos e decretos assinados pelo Presidente da República".
O princípio restringe-se aos elementos do tributo previstos no art. 97 do CTN (fato gerador, base de cálculo, alíquotas, sujeitos penalidades, disciplina relativa ao crédito tributário e à obrigação tributária), salvo exceções constitucionais acima mencionadas.
Segundo o STF, não estão sujeitas à reserva legal as seguintes matérias: a) obrigações acessórias; b) prazos para pagamento de tributos; c) atualização monetária da base de cálculo do tributo. Em relação a esta última, tanto o STF e STJ entendem ser possível a fixação de índice local para a correção monetária, o qual somente teria como limite o índice oficial de correção monetária. Neste sentido, Sumula 160 do STJ.
Alguns tributos devem ser instituídos por lei complementar: imposto sobre grandes fortunas, empréstimos compulsórios, impostos residuais da União e contribuições sociais residuais da União.
- Legalidade e medida provisória: a EC 32/2001 veio constitucionalizar a medida provisória como meio adequado para criar ou aumentar IMPOSTOS (segundo a literalidade da CF). No entanto, antes mesmo da EC, a STF entendia ser a MP veículo normativo hábil a criar ou majorar tributos. Restrição: regulação dos conteúdos cuja disciplina esteja reserva à lei complementar (art. 62, § 1º, CF). Não pode regulamentar artigo da Constituição alterado entre 1995 e a EC nº 32/01. Art. 246 da CF. É importante prestar atenção na limitação ao uso de Medidas Provisórias surgida com a Emenda Constitucional nº 06/95, que acrescentou o art. 246 ao texto da Constituição, com a alteração imposta pela EC nº 32/01.
Princípio da isonomia (art. 150 , II, CF): 
II - instituir tratamento desigual entre contribuintes que se encontrem em situação equivalente, proibida qualquer distinção em razão de ocupação profissional ou função por eles exercida, independentemente da denominação jurídica dos rendimentos, títulos ou direitos;
Acepção horizontal: refere-se a pessoas que estão niveladas, na mesma situação, e que, portanto, devem ser tratadas da mesma forma.
Acepção vertical: refere-se a pessoas que se encontram em situações distintas e que, justamente por isso, devem ser tratadas de maneira diferenciada, na medida em que se diferenciam.
Revolução Francesa, contém um capítulo intitulado \u201cA Promessa da Igualdade de Impostos\u201d, em que Sieyès rechaça a tentativa da nobreza de abafar a revolução mediante a promessa de que também pagaria impostos. A isonomia como decorrência do princípio republicano.
Também conhecido como princípio da igualdade, veda o tratamento tributário diferenciado para pessoas que estão na mesma condição. Não há exceções constitucionais a este princípio. A CF foi explícita, ainda, ao dispor ser vedado aos entes tributantes instituir tratamento desigual entre contribuintes que se encontrem em situação equivalente, proibida qualquer distinção em razão de ocupação profissional ou função por eles exercida, independentemente da denominação jurídica dos rendimentos, títulos ou direitos. Isso significa que pessoas em condições diferentes podem ter tratamento tributário diferente, senão vejamos:
Tratamento jurídico diferenciado às microempresas e às empresas de pequeno porte, assim definidas em lei, visando a incentivá-las pela simplificação de suas obrigações administrativas, tributárias, previdenciárias e creditícias, ou pela eliminação ou redução destas por meio de lei.
As contribuições sociais previstas no inciso I do caput do art. 195 poderão ter alíquotas ou bases de cálculo diferenciadas, em razão da atividade econômica, da utilização intensiva de mão-de-obra, do porte da empresa ou da condição estrutural do mercado de trabalho.
È admitida a concessão de incentivos fiscais destinados a promover o equilíbrio do desenvolvimento sócio-econômico entre as diferentes regiões do País (art. 151, I).
Deduções da base de cálculo do imposto de renda (saúde, educação, dependentes).
Vale frisar que o STF tem jurisprudência consagrada segundo a qual não é possível ao Judiciário, por força da isonomia, atuar como legislador positivo para colmatar lacunas que representam inconstitucionalidades decorrentes de exclusão discriminatória de benefício