Manual_brasileiro Suínos
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Manual_brasileiro Suínos


DisciplinaProdução de Aves e Suínos42 materiais358 seguidores
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água Vantagens da medicação via ração
\u2022	 Normalmente os animais clinicamente do-
entes consomem menos ração, mas con-
tinuam bebendo água, principalmente nas 
doenças entéricas. Dessa forma, o trata-
mento via água muitas vezes é usado como 
medicação curativa, enquanto na ração uti-
liza-se preferencialmente a preventiva.
\u2022	 Na medicação via ração observa-se maior 
risco de contaminação cruzada, nos mis-
turadores, silos e caçambas de transpor-
te, elevando-se os riscos para segurança 
alimentar.
\u2022	 Podem ser utilizadas em granjas que não pos-
suem sistemas hidráulicos adequados para o 
tratamento via água de bebida.
\u2022	 O sucesso não está condicionado à qualidade 
da água
\u2022	 Uso mais prático, não sendo necessário incluir 
o medicamento em uma quantidade de veículo 
suficiente para vários dias.
\u2022	 Em tratamentos de mesma duração, o custo da 
medicação via ração (custo/g de princípio ativo) 
é menor que via água de bebida. 
\u2022	 O desperdício de água pode elevar significativa-
mente o custo do tratamento.
Para a medicação via água pode ser utilizada a diluição do princípio ativo diretamente na 
caixa d\u2019água ou o aparelho dosador (figuras 18 e 19).
5.6.2. Controle de endo e ectoparasitas
Em sistemas de manejo onde os animais são criados 100% confinados e não têm 
acesso à terra, praticamente se reduziram a zero os problemas de verminoses, já que 
nesses sistemas são adotados procedimentos de limpeza e desinfecção que impedem 
que o ciclo de vida dos endoparasitas (vermes) se complete, impossibilitando, assim, sua 
disseminação.
Em sistemas de manejo, nos quais alguma fase de criação tenha contato com a terra 
ou material orgânico por tempo prolongado, como é o caso de criações ao ar livre \u2013 SISCAL 
\u2013 ou mesmo criações que utilizam cama sobreposta, deve-se dar mais atenção a possíveis 
infestações por vermes, principalmente em animais mais jovens.
Um bom acompanhamento pode ser feito durante as monitorias de abate, pois. na 
maioria das vezes. uma das fases do ciclo passa pelo fígado do suíno e provoca lesões que 
poderão ser observadas no abate. 
No caso de ectoparasitas, principalmente sarna, todos os sistemas de manejo estão 
suscetíveis à infecção. Também podem ser monitorados no abate, ainda que a avaliação 
visual das fêmeas gestantes seja bastante conclusiva. Mas o diagnóstico mais efetivo atra-
vesse dá a partir de raspados de pele, a serem realizados na introdução de animais na 
granja (quarentena) de forma a impedir a contaminação do plantel, e mesmo nos animais 
já em produção (gestação) para se avaliar o grau de infestação do rebanho.
Para todo o controle de endo e ectoparasitas, é necessário que se consulte um médi-
co veterinário , bem como se utilizem os produtos registrados no MAPA.
Proibida a reprodução integral ou parcial 
sem autorização expressa da ABCS.
manual de boas práticas na produção de suínos
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5.7. Programa de vacinação
A vacinação constitui o método mais eficaz para a prevenção das doenças infecciosas 
nos humanos e animais. A elaboração de um programa de vacinação representa um recurso 
importante na prevenção de enfermidades. Nos sistemas intensivos atuais, onde os animais 
são criados confinados em um aproveitamento máximo de área, a proximidade uns dos outros 
acarreta maior desafio sanitário para os mesmos. Dessa forma, ferramentas de controle de en-
fermidades, como a utilização de vacinas, tornam-se indispensáveis para a redução das perdas 
econômicas causadas.
Tabela 2: Características de um bom programa vacinal
As principais características de um bom programa de vacinação são:
\u2022	Ter custos compatíveis com os prejuízos causados pela doença;
\u2022	Utilizar vacinas de fácil aplicação, boa proteção e total inocuidade;
\u2022	Não produzir doença e evitar portadores;
\u2022	Reduzir ou evitar perdas econômicas;
\u2022	Prevenir a disseminação do agente.
Tabela 3: Cuidados para uma vacinação efetiva
Os principais cuidados para uma vacinação efetiva são:
\u2022	Conservar as vacinas em geladeira, com temperatura entre 2°C a 8 °C (figura 20);
\u2022	Não congelar as vacinas. Caso isso ocorra a vacina deve ser descartada;
\u2022	Usar uma caixa de isopor com gelo, para manter os frascos de vacinas refrigerados en-
tre o trajeto geladeira até a granja (figura 21);
\u2022	Usar uma agulha para retirar a vacina do frasco e outra para aplicar a vacina nos ani-
mais.
\u2022	Usar agulhas adequadas para cada tipo de animal e para cada via de aplicação (intra-
muscular ou subcutânea);
\u2022	Desinfetar as tampas dos frascos contendo sobras de vacina e retorná-los imediatamen-
te para a geladeira após o uso;
\u2022	Aplicar as vacinas de acordo com a recomendação do fabricante em relação à dosagem, 
idade do animal, fase do ciclo produtivo e via de aplicação.
5.8. Período de carência
O período de carência ou de retirada tem como objetivo evitar a presença de resíduos do 
produto veterinário em alimentos, como carne, leite, ovos, pescado e mel, acima do permitido em 
nível considerado prejudicial à saúde humana. Esse período, que vai desde a retirada do medi-
camento ou suspensão do fornecimento da ração medicada até o abate do animal, depende do 
produto ou mesmo das combinações de produtos utilizados. Importante destacar que os períodos 
de carência variam muito entre as diferentes drogas.
O período de carência, que deve ser obedecido rigorosamente, atendendo à indicação do 
fabricante, tem de obrigatoriamente constar no rótulo do produto.
Proibida a reprodução integral ou parcial 
sem autorização expressa da ABCS.
Biosseguridade e ferramentas de controle sanitário
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5.9. Programa de limpeza e desinfecção
O processo de limpeza e desinfecção é uma ferramenta indispensável no programa de 
biosseguridade e em todas as fases da produção. Tem como objetivo preparar as instalações 
para recebimento de um novo lote de suínos, reduzindo a pressão de infecção (retirada de 
sujidades e eliminação de agentes causadores de doenças como vírus, bactérias e parasitos), 
melhorando, assim, a produtividade e a lucratividade na suinocultura.
Muitas doenças se estabelecem quando se verifica uma grande presença de agentes pa-
togênicos, ultrapassando os limites da resistência do animal. Desta forma, num ambiente com 
condição de higiene ruim, potencialmente contaminado, os animais não apresentam resistên-
cia e adoecem com frequência, causando perdas diretas (mortes) ou indiretas (desuniformida-
de, perda de peso, gastos com medicamentos, mão-de-obra).
Devem ser utilizados produtos de comprovada eficácia, adequados às características pró-
prias de cada instalação e equipamentos, mão-de-obra qualificada, treinada e conhecedora 
da necessidade de uma perfeita atuação nas atividades de limpeza e desinfecção, e ainda, o 
conhecimento dos agentes etiológicos instalados na propriedade. 
A realização rotineira de um processo de higienização detalhado é a condição 
indispensável para a manutenção de um alto nível de saúde do rebanho, pois 
através da redução da carga microbiana nas instalações, equipamentos e 
consequentemente no sistema de produção, seguramente se reduzirá o risco de 
ocorrência de doenças.
5.9.1. Importância econômica e sanitária da limpeza e desinfecção
A limpeza e desinfecção de instalações, veículos, equipamentos, silos, entre outros, re-
quer o investimento nos insumos e tempo de mão-de-obra, mas consiste também em inves-
timento rentável, tendo em vista que geralmente a prevenção de uma doença é mais fácil e 
barata que lidar com um surto e suas perdas. 
Deve-se ressaltar que o custo com desinfecção representa menos de 1% do custo total de 
uma granja. Os processos de limpeza e desinfecção não conseguem impedir totalmente o risco 
Figura 20: Geladeira para conservação das vacinas 
com termômetro para aferição diária da temperatura 
interna.
Figura 21: Caixa de isopor com gelo reciclável