Manual_brasileiro Suínos
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já que estimula a liberação de ocitocina e as 
contrações uterinas. 
O segundo procedimento não invasivo é 
levantar a fêmea calmamente e mudá-la de posição. O útero da matriz suína é relativamente 
grande e, muitas vezes, durante o parto, pode ocorrer algum problema de posicionamento dos fe-
tos, o que prejudica o trânsito dos mesmos. A simples mudança de posição da matriz, em muitos 
casos se mostra suficiente para reposicionar os leitões.
Quando esses procedimentos não são suficientes, deve-se avaliar o tipo de problema (se há 
ou não contrações) e tomar a decisão entre os procedimentos de toque ou a aplicação de carbe-
tocina ou ocitocina.
Quando o problema é a falta das contrações, o procedimento recomendado em geral é a 
aplicação de carbetocina ou ocitocina, respeitando-se a dose recomendada pelo fabricante. A 
utilização de carbetocina ou ocitocina deve ser cuidadosa e realizada somente quando existir a 
certeza de que não há nenhum leitão preso no canal cervical, pois issopode resultar em prolapso 
e até rompimento do útero caso o canal do parto esteja obstruído.
No caso das contrações vigorosas e inquietação da fêmea, deve-se proceder com o toque, 
seguindo as regras de higiene e cuidados na realização. 
Regras para a realização do toque (figuras 17 a 19):
1) higiene do posterior da fêmea (lavar com água e sabão);
2) higiene do braço e da mão do operador, com especial atenção para o comprimento das 
unhas;
3) utilizar luva descartável de palpação e lubrificante;
4) inserir a mão com os dedos unidos e, se necessário, o braço;
5) certificar-se se há algum leitão obstruindo a cérvix;
6) palpar e manipular o leitão para reposicioná-lo e tracioná-lo;
7) aplicação de um antimicrobiano assim que o procedimento for concluído ou assim que 
terminar o parto, repetindo a dose nos dias subsequentes, conforme recomendação do vete-
rinário.
Em resumo, a intervenção só é recomendável quando o parto não transcorre normalmente, 
ou seja, quando o intervalo entre leitões aumenta ou as contrações param. 
Figura 16: Massagem abdominal com os pés, sobre 
o abdômen da fêmea: tirar as botas e não colocar 
todo o peso sobre a fêmea.
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sem autorização expressa da ABCS.
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Nasce leitão em 20 
minutos
Não nasce leitão em 
20 minutos
Início do parto:
rompimento da bolsa e início 
das contrações
Mudar a matriz de posição;
Fazer massagem abdominal;
Fazer massagem abdominal e no 
aparelho mamário;
Atender; Marcar na 
ficha a hora, peso e 
tipo de leitão (vivo, 
mum, nat) 
Com contrações Sem contrações
Atender; Marcar na 
ficha a hora, peso e 
tipo de leitão (vivo, 
mum, nat)
Fazer toque
Atender; Marcar na 
ficha a hora, peso e 
tipo de leitão (vivo, 
mum, nat)
Aplicar ocitocina
Nasce leitão em 
5 minutos
Não nasce leitão em 
5 minutos
Nasce leitão em
 5 minutos
Não nasce leitão em
5 minutos
Nasce leitão em 
10 minutos
Não nasce leitão em 
10 minutos
Atender; Marcar na 
ficha a hora, peso, 
tipo de leitão (vivo, 
mum, nat)
Anotar ocitocina na 
ficha
Fazer toque
Nasce leitão
Atender; Marcar na 
ficha a hora, peso e 
tipo de leitão (vivo, 
mum, nat)
Anotar toque na ficha 
e medicar a matriz
Nasce leitão
Atender; Marcar na 
ficha a hora, peso e 
tipo de leitão (vivo, 
mum, nat)
Anotar toque na ficha 
e medicar a matriz
Algumas etapas devem ser seguidas e, didaticamente, recomenda-se cumprir o diagrama 
abaixo: 
Organograma1: Intervenções ao parto.
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manejos aplicados à maternidade
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7.3. Manejo dos recém-nascidos
O parteiro precisa estar treinado e dispor dos seguintes materiais para atendimento imedia-
to dos recém-nascidos:
a) papel toalha absorvente, pó secante ou maravalha para secagem do leitão;
b) tesoura para o corte do cordão umbilical \u2013 limpa e desinfetada, mantida sempre bem 
afiada;
c) cordão de algodão \u2013 mantido embebido em solução desinfetante trocada diariamente;
d) solução desinfetante para o umbigo \u2013 acondicionada em recipiente fechado e com 
capacidade para pequenos volumes;
e) Carbetocina ou ocitocina para determinados partos distócicos; 
f) antibiótico injetável e antitérmico para matriz em caso de toque ou febre;
h) luvas de toque dentro de suas embalagens;
i) solução lubrificante estéril para toque;
j) agulha e linha cirúrgica para pequenas intervenções;
l) lâminas e cabo de bisturi;
m) tranquilizante e anestésico local;
n) relógio e caneta para anotações;
o) seringas e agulhas (40 x 15).
Esses materiais devem, preferencialmente, estar acondicionados em uma bandeja (figura 
20) ou caixa a ser limpa três vezes ao dia. Nessa ocasião, lavam-se a caixa, a tesoura e, externa-
mente, os frascos de solução desinfetante para o umbigo e o cordão.
As tarefas a serem realizadas com o leitão imediatamente após seu nascimento são as seguintes:
Procedimento Objetivo
Secagem do leitão: com papel toalha (figura 21 a 23)::
1. usar papel toalha na cabeça do leitão, retirando toda a se-
creção da boca e narinas para facilitar a respiração;
2. secar o corpo do leitão com papel tolha, pó secante ou 
maravalha. 
Esse procedimento objetiva deso-
bstruir as vias respiratórias, ativar 
os sistemas circulatório e respirató-
rio e evitar a perda de calor corpo-
ral do leitão.
Figura 17: Bandeja de atendimento ao parto.
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Procedimento Objetivo
Amarração, corte e antissepsia do umbigo (figura 24 a 26):
1. utilizar um cordão embebido em solução desin-
fetante e amarrar o umbigo de 3 a 5 cm de sua 
inserção no abdômen;
2. Utilizar uma tesoura limpa e desinfetada e cortar 
logo abaixo da amarração;
3. Utilizar solução desinfetante acondicionada em 
um frasco com boca larga o suficiente para a 
passagem do umbigo;
4. Imergir o umbigo até sua base e mantê-lo em 
contato com a solução por 5 segundos. A solu-
ção a ser utilizada pode ser tintura de iodo (5 a 
7%) ou iodo glicerinado. 
Evitar infecções umbilicais localiza-
das ou focos de infecções que podem 
se distribuir pelo organismo, reduzin-
do o crescimento do leitão e podendo 
causar até sua morte.
Imediatamente após esse procedimento inicial, o leitão deve ser acompanhado na sua 
primeira mamada.
Figuras 18,19 3 20: 
Métodos de secagem dos leitões.
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7.3.1. Reanimação de leitões aparentemente mortos
Alguns leitões podem nascer com parada respiratória, aparentemente mortos, porém man-
tem os batimentos cardíacos. Para tentar reanimá-los, deve-se proceder conforme consta nas figu-
ras 27 e 28. 
Posicionar o leitão de cabeça para baixo e forçar a saída de secreções das vias respiratórias. 
Fazer compressão intercalada do tórax, compressão do abdômen em direção ao tórax para 
expulsar líquidos aspirados e reativar a respiração.
Se for obtido sucesso, esses leitões devem ser abrigados em local aquecido e incentivados a 
mamar assim que possível.
Figuras 21, 22 e 23: Amarração, corte 
antissepsia do umbigo.
Figuras 24: Reanimação de leitões. Figuras 25: Reanimação de leitões.
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7.3.2. Acompanhamento da primeira mamada (ingestão do colostro)
É fundamental que o leitão mame o colostro, pois ele nasce praticamente sem imunidade, 
já que a placenta da fêmea suína não