Manual_brasileiro Suínos
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Manual_brasileiro Suínos


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permite a transferência de anticorpos para os fetos durante 
a gestação. 
A ingestão de colostro precisa ocorrer uniformemente na leitegada, o que só é possível 
acompanhando a mamada logo após o nascimento. Deve-se fazer com que os leitões tenham a 
ingestão da maior quantidade possível nas primeiras seis horas de vida \u2013 período de maior con-
centração de anticorpos no colostro e maior absorção pelo intestino do leitão. A organização da 
mamada nesse período está ilustrada nas figuras 29 a 34. 
Nas leitegadas grandes, o ideal é assegurar que os primeiros 8-10 leitões nascidos mamem 
o colostro e, após isso, marcá-los com um pincel. Na sequência do transcorrer do parto, os primei-
ros serão fechados no escamoteador, mantendo no máximo dez leitões mamando até o término. 
Dessa forma, evita-se disputa por tetos e garante-se uma melhor ingestão de colostro em 100% 
dos leitões, inclusive nos que nascem por último. 
Figura 26: Acompanhar a mamada de colostro 
durante o parto.
Figura 27: Acompanhar a mamada de colostro du-
rante o parto.
Figura 28: Marcação e revezamento mamada colostro. Figura 29: Primeiros leitões nascidos no escamoteador.
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manejos aplicados à maternidade
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Figura 30: Marcação dos leitões que já mamaram. Figura 31: Leitões que já mamaram o colostro ficam 
no escamoteador até o final do parto.
7.4. Manejo dos leitões na primeira semana
Vários procedimentos devem ser realizados nos primeiros dias de vida dos leitões para garan-
tir a viabilidade durante a lactação e a melhor performance nas fases posteriores de crescimento.
Muitos dos procedimentos realizados na primeira semana de vida do leitão são invasivos 
e, portanto, têm de ser realizados com muito cuidado, pois podem ser portas de entrada para 
inúmeras infecções, como nas articulações, no umbigo e até generalizadas. 
A ocorrência desses problemas pode resultar na diminuição do ganho de peso e refugagem, 
com consequente morte ou eliminação. Além disso, os prejuízos secundários são a elevação dos 
custos com medicamentos e maior tempo da mão-de-obra para cuidar de leitões doentes.
7.4.1. Treinamento para uso do escamoteador
O escamoteador deve ter um ambiente seco, com aquecimento adequado e luminosidade, 
onde o leitão se sinta confortável para passar a maior parte do tempo em que não estiver ma-
mando (figura 35). Essa estrutura é fundamental na redução do estresse, redução da perda de 
energia e na melhoria da saúde geral dos leitões. O escamoteador deve proporcionar boa veda-
ção, distribuir calor uniformemente e evitar correntes de ar. Os ajustes devem ser feitos de modo 
a permitir a manutenção da temperatura adequada dentro do escamoteador, o que o tornará 
atrativo para os leitões. Caso contrário, eles irão abrigar-se junto da mãe, aumentando o risco de 
morte por esmagamento. Escamoteador frio ou muito quente, escuro e/ou úmido, provavelmente 
se tornará local de micção e defecação para os leitões (figura 36). 
 Nos primeiros dias de vida, o leitão deve ser treinado para permanecer dentro do escamo-
teador nos momentos em que não estiver mamando. Desenvolver esse hábito no leitão é funda-
mental para a redução da mortalidade por esmagamento. 
Em duas situações especiais, é obrigatório que o leitão seja fechado no escamoteador nos pri-
meiros dia de vida: nos momentos de limpeza da sala e de alimentação das matrizes. Nessas ocasi-
ões, a fêmea está em pé e é comum ocorrer esmagamento no momento em que ela volta a se deitar. 
Nos demais momentos, os leitões devem ser conduzidos ao escamoteador assim que aca-
bar a mamada, e o escamoteador deve ser fechado por aproximadamente 40 minutos. Então, a 
porta do escamoteador é aberta para que fiquem livres para mamar. Quando uma nova mamada 
se encerrar, os leitões são conduzidos novamente para o escamoteador e a porta é fechada por 
mais 40 minutos. Essa atividade deve ser repetida várias vezes durante o primeiro e o segundo 
dia, até que a leitegada adquira o hábito de entrar no escamoteador após a mamada.
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manual de boas práticas na produção de suínos
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Nessa tarefa de treinamento é muito importante que os leitões sejam conduzidos até o 
escamoteador com o uso de uma vassoura ou de qualquer objeto que os obrigue a entrar, não 
devendo ser carregados até lá.
Outro ponto importante é que os manejos traumáticos dos primeiros dias (caudectomia, 
desgaste de dentes, aplicação de ferro) não sejam realizados com os leitões dentro do escamote-
ador e sim na parte posterior da baia, deixando o escamoteador livre para que eles se refugiem 
após os procedimentos. 
7.4.2. Corte de cauda (caudectomia)
O corte do último terço da cauda é um 
manejo realizado como prevenção ao caniba-
lismo nas fases de crescimento. O ideal é que 
seja realizada no primeiro dia de vida com um 
aparelho que permita cortar e cauterizar ao 
mesmo tempo (figuras 37 a 39). A cauterização 
previne hemorragias e promove cicatrização 
mais rápida do tecido. 
Não se recomenda que seja feito muito 
próximo da base da cauda, pois aumenta o ris-
co de infecções. Quanto maior o diâmetro da 
Figuras 35: Sequência de realização do corte da cauda. Figuras 36: Sequência de realização do corte da cauda.
Figuras 34: Sequência de realização do corte da cauda.
Figura 32: Situação ideal \u2013 escamoteador quente, 
seco e iluminado.
Figura 33: Situação inadequada \u2013 escamoteador frio e 
úmido, sendo usado pelos leitões para urinar e defecar.
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cauda no local da incisão, maior o risco de infecções e mais demorada a cicatrização. A caudec-
tomia pode ser a porta de entrada para bactérias que poderão produzir abscessos na coluna 
vertebral, artrites e septicemias.
 
7.4.3. Desgaste dos dentes:
O leitão nasce com oito dentes: quatro caninos e quatro incisivos. Em geral, esses dentes 
são pontiagudos o suficiente para promover lesões no aparelho mamário da fêmea e nos demais 
leitões, durante brigas ou na estimulação do aparelho mamário. Em situações transitórias ou não 
de baixa produção leiteira e/ou manejo inadequado de uniformização e transferência de leitões, 
as disputas por tetos tornam-se mais frequentes predispondo a lesões nos leitões. 
Os dentes devem ser tratados com apare-
lho desgastador (figuras 40 a 42). Recomenda-
-se não utilizar alicate para cortar os dentes, 
devido ao maior risco de lesões por utilização 
incorreta ou ferramenta inadequada. 
O manejo dentário nunca deve ser realiza-
do antes da primeira mamada, evitando assim 
que esse procedimento interfira na ingestão do 
colostro. Para a realização dessa tarefa, é fun-
damental que a cabeça do leitão esteja bem fi-
xada e a boca, aberta. Deve-se desgastar o terço 
superior do dente, tomando cuidado para não 
lesar a língua, a gengiva e os lábios. 
7.4.4. Aplicação de ferro
O leite da fêmea suína pode suprir apenas 10 a 20% das necessidades diárias de ferro e 
as reservas corporais desse mineral no organismo do leitão são muito baixas. Portanto, os lei-
tões criados em confinamento total são extremamente susceptíveis ao aparecimento da anemia 
ferropriva. Os leitões com essa anemia apresentam redução da taxa de crescimento, leve dificul-
dade respiratória e maior predisposição ao aparecimento de doenças como diarréia neonatal e 
pneumonias (redução da resistência orgânica). O aumento da taxa de mortalidade é inevitável, 
podendo chegar até a 60% dos leitões afetados.
Figura 38: Desgastador. Figura 39: Dentes desgastados.
Figura 37: Dentes intactos.
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