Manual_brasileiro Suínos
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DisciplinaProdução de Aves e Suínos42 materiais358 seguidores
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a ser o sistema pre-
dominante, o qual também foi adotado em outros estados que possuem unidades agroindustriais 
importantes, como Mato Grosso, Minas Gerais e Goiás.
O restante da produção brasileira \u2013 35% \u2013originou-se de iniciativas de comercialização no 
chamado mercado spot, onde não há um contrato de exclusividade com determinada agroindústria. 
Nesse sistema, o produtor é responsável por organizar todos os elos da produção, desde o abasteci-
mento de matérias primas até a venda dos animais. Esse é o sistema predominante na suinocultura 
de Minas Gerais, São Paulo e no Nordeste, mas também se verifica no sul e centro oeste.
As maiores escalas de produção, assim como na economia como um todo, também estão 
afetando o setor de processamento. Atualmente, constam como as quatro maiores agroindústrias 
de carne suína a BRF Brasil Foods, Aurora, Marfrig-Seara e Alibem, que são responsáveis por 
mais de 60% dos abates do Brasil. Somadas às líderes, outras empresas de escalas menores, 
bem como as cooperativas, respondem pela produção industrial de carne suína. 
Além do sistema de produção e das agroindústrias de processamento, o Brasil conta ainda 
com uma enorme estrutura de fornecimento de insumos e serviços para granjas de suínos. São 
indústrias de rações, medicamentos, suplementos minerais e vitamínicos, vacinas, equipamen-
tos, empresas de genética, assistência veterinária, entre outros. 
Atualmente, todo o complexo do sistema agroindustrial da produção brasileira de suínos, 
representado pelo esquema abaixo, emprega mais de 1 milhão de pessoas com Valor Bruto da 
Produção da ordem de R$ 10 bilhões. 
 Fonte: Adaptado de Zylbersztajn, 2009.
 1.3. Exportação brasileira de carne suína
A ocorrência de um surto de peste suína africana, em 1978, aliado aos sucessivos casos 
de febre aftosa na década de 80, deixou o Brasil fora do mercado internacional por um longo 
período. Foi somente a partir de 1990 que o país reagiu significativamente, iniciando, de forma 
progressiva, as exportações de carne suína, embora as barreiras sanitárias impostas por países 
como EUA, Japão, Coréia do Sul e União Europeia impeçam que o Brasil tenha acesso a 60% do 
mercado consumidor.
Ambiente Organizacional
Ambiente Institucional
Produção 
Agropecuária
IndústriasInsumos Varejo ConsumidorDistribuição
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O acesso ao mercado russo, a partir de 2001, conferiu um novo impulso às vendas exter-
nas de carne suína, alcançando o recorde de 625 mil toneladas exportadas em 2005. Naquele 
ano, a Rússia absorveu 64% da exportação brasileira, sendo que a não abertura de novos mer-
cados, desde então, contribuiu para limitar o crescimento no cenário internacional. Em 2010, 
apesar de a Rússia ainda ter sido o principal comprador da carne suína brasileira, com 46% de 
participação, outros países aumentaram sua importância como destino para as exportações, 
com destaque para Hong 
Kong e Ucrânia, como se 
verifica no gráfico abaixo.
Nos últimos anos, o 
Brasil exportou uma mé-
dia de 550 mil toneladas 
de carne suína, o que cor-
responde a aproximada-
mente 16% da produção 
nacional. O maior entrave 
ao aumento das expor-
tações continua sendo a 
questão sanitária, princi-
palmente pelo fato de o 
Brasil não ser livre de fe-
bre aftosa sem vacinação. 
Ultimamente, os 
avanços sanitários permi-
tiram, porém, a conquista 
do status sanitário de livre de febre aftosa sem vacinação pelo estado de Santa Catarina, 
maior produtor do Brasil. Essa condição possibilitará o acesso brasileiro aos mercados mais 
exigentes, como Japão, Coréia do Sul, União Europeia e Estados Unidos. A China é outro grande 
mercadoque poderá influenciar de forma significativa a produção de carne suína.
Gráfico 3: Principais destinos da carne suína brasileira exportada (ABIPECS).
44,% 
18,% 
08,% 
06,% 
06,% 
05,% 
02,% 11,% 
Rússia 
Hong Kong 
Ucrânia 
Argentina 
Angola 
Cingapura 
Uruguai 
Outros 
Gráfico 2: Fonte: CNA, 2011.
700
600
500
400
300
200
100
0
1.600
1.400
1.200
1.000
800
600
400
200
0
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44,% 
18,% 
08,% 
06,% 
06,% 
05,% 
02,% 11,% 
Rússia 
Hong Kong 
Ucrânia 
Argentina 
Angola 
Cingapura 
Uruguai 
Outros 
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Cadeia produtiva de suínos no Brasil
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1.4. Consumo de carne suína no Brasil
O comportamento de consumo do Brasil se apresenta de modo diferenciado do mer-
cado europeu, onde a carne suína é a mais adquirida. No mercado brasileiro, a proteína 
mais consumida é a de aves, seguida pela bovina, e a carne suína ocupa apenas o terceiro 
lugar (gráfico 3). 
Apesar de toda qualidade da carne suína brasileira obtida por meio do avanço tecnológico 
do setor, ainda há sérias restrições por parte da população em relação ao consumo dessa pro-
teína. A desinformação dos consumidores brasileiros aliada à imagem do antigo \u201cporco-banha\u201d, 
criado com restos de comida, constituem os principais fatores do baixo consumo per capita de 
carne suína no Brasil em comparação a outros países.
Gráfico 4: Comportamento de consumo de carnes no mundo e no Brasil (USDA, 2010).
0  
5  
10  
15  
20  
25  
30  
35  
40  
45  
Suíno Bovino Frango 
42  
27  
30,8  
15,5  
45  
39,5  
Mundo 
Brasil 
Gráfico 5: Evolução do Consumo Per Capita Brasileiro de Carne Suína (kg/hab./ano) 
0 10 20 30 40 50 60 70 
Espanha 
Alemanha 
Itália 
EUA 
Vietnã 
Japão 
Brasil 
66  
54  
45  
30  
22  
18  
14,5  
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A partir de 2005, preocupada com as dificuldades de avanço no mercado internacional, a 
Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS) iniciou um programa intensivo de estímulo 
ao consumo no mercado doméstico. 
Naquele momento, um dos principais fatores que dificultavam o aumento das vendas pelo 
varejo brasileiro estava associado à forma de comercialização da carne suína. As poucas opções 
de cortes, os grandes formatos \u2013 como o tradicional pernil suíno \u2013 e a sempre associação com 
gordura, seja nos cortes de bacon ou nos preparados para afeijoada, representavam caracterís-
ticas limitadoras do aumento nas vendas. A ABCS lançou, então, a campanha \u201cUm Novo Olhar 
Sobre a Carne Suína\u201d com o propósito de preparar a carne para uma melhor exposição no varejo.
 Os resultados promissores da campanha em diversos supermercados pelo Brasil, conju-
gados aos exemplos internacionais de países que trabalharam com estratégias para o aumento 
do consumo de carne suína, como, por exemplo, a campanha vitoriosa The Other White Meat (\u201cA 
Outra Carne Branca\u201d), realizada durante vários anos nos Estados Unidos, influenciaram na forma-
tação de uma iniciativa brasileira voltada ao estímulo a esse setor.
 Desse modo, em 2009, a ABCS lançou um programa de estímulo ao consumo de carne 
suína no mercado doméstico: o Projeto Nacional de Desenvolvimento da Suinocultura (PNDS), em 
parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e a Confede-
ração de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Presente em nove estados brasileiros, com orça-
mento total de 11 milhões de reais, o programa desenvolve ações na área de produção, indústria 
e comercialização ao longo de toda cadeia produtiva e prepara, ainda, a carne suína para disputar 
um espaço maior na preferência dos consumidores.
 Os primeiros resultados desse