Dissertacao EDIFICIO DE ESCRITÓRIOS
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Dissertacao EDIFICIO DE ESCRITÓRIOS


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As modulações propostas por Duffy; Cave e Worthington (1980) para este item referem-se a 
projetos onde não há previsão de piso elevado para fazer a distribuição das instalações 
elétricas, de telefonia e lógica. Em escritórios com salas fechadas, esta distribuição dá-se 
pelas paredes e pelo rodapé do piso. Em escritórios abertos, deve-se prever uma malha 
modular para esta distribuição, que pode variar entre 1,20 e 2,50m, sendo que os pontos 
das instalações são ligados por meio de canaletas embutidas na laje ou por tubos verticais 
ligados ao forro. Neste tipo de configuração, uma solução do piso elevado simplificaria a 
questão da distribuição das instalações, além de permitir flexibilidade para disposição 
interna de mobiliário e pessoas, e para adaptações futuras de sistemas prediais. 
Modulações de arquitetura de interiores 
Esta modulação, em escritórios de salas fechadas, determina a distribuição das divisórias e 
o tamanho das salas. Em escritórios de planta aberta, esta modulação cumpre a função de 
determinar o tamanho do posto de trabalho padrão e ordenar o conjunto de postos 
individuais e de equipes. Ela está diretamente relacionada com as dimensões do mobiliário, 
influencia e é fortemente influenciada pelas outras modulações discorridas anteriormente. 
Por exemplo, quando se discute a profundidade ideal do andar, está implícita a questão de 
seu melhor aproveitamento, em termos de ocupação de pessoas. As profundidades 
medianas permitem arranjos flexíveis em termos distribuição de postos de trabalho e um 
aproveitamento eficiente do espaço, razão pelo qual são preferidas entre empreendedores e 
incorporadores que ainda não sabem o perfil do usuário final dos empreendimentos que 
promovem. 
 
1.2.2.3 Alturas de piso a piso 
 
A altura de piso a piso de um edifício de escritórios que merece uma primeira consideração 
é a do pavimento tipo, pois a solução que for dada a este pavimento se repetirá por grande 
parte do corpo do edifício, tendo relevância significativa em sua altura final e na composição 
da fachada. 
Esta altura normalmente é determinada pelas seguintes condicionantes: pé direito interno, 
espaço para passagem de instalações prediais (seja por forro ou piso) e altura da estrutura 
(espessura da laje somada à altura da viga, quando houver). Estas condicionantes têm 
como fatores limitadores principais: a legislação local (quando há, por exemplo, limitação de 
altura para o edifício) e os custos de construção correlatos (quanto maior a altura de piso a 
Capítulo B \u2013 Especialidades de Projeto 50 
 
piso de uma edificação com múltiplos pavimentos, maiores os custos diretos de construção 
proporcionais ao número de pavimentos e à respectiva área vertical). A grande dificuldade, 
na definição desta altura está na conciliação de todos os espaços necessários para o 
conforto dos ocupantes, com o bom funcionamento dos sistemas prediais e seu fácil acesso 
à manutenção, dentro de uma somatória mínima possível. 
O pé direito interno mínimo é determinado por norma ou legislação local. No município de 
São Paulo, por exemplo, o Código de Obras prevê um pé direito mínimo de 2,50m para 
ambientes de permanência de longa duração (considerando nesta classificação as áreas de 
escritório propriamente ditas) e 2,30m para ambientes de permanência de curta duração 
(banheiros, copas, áreas técnicas, estacionamento de veículos). Contudo, há 
empreendedores que consideram uma altura de pé direito maior como agregação de valor 
percebido ao seu cliente final, considerando alturas da ordem de 2,70m para as áreas de 
escritório, na intenção de incrementar a classificação mercadológica de seu edifício e obter 
valores melhores de venda ou aluguel. 
A altura mínima entre o forro e a estrutura do pavimento é determinada pela ocupação das 
instalações prediais. As principais são: dutos do ar condicionado e de exaustão, sistemas de 
chuveiros automáticos (sprinklers), luminárias, reatores e alimentações elétricas. O próprio 
forro e seu sistema de fixação não devem ser esquecidos (as chapas têm cerca de 2,5cm de 
espessura), bem como um espaço mínimo para acesso e manutenção das instalações 
prediais. Quanto maior a profundidade do andar, maiores as dimensões das instalações, 
pois normalmente as salas técnicas com os equipamentos estão localizadas no seu núcleo. 
Os equipamentos e dutos do sistema de ar condicionado são os principais responsáveis 
pela ocupação de altura de forro, e valores entre 0,80m e 1,00m são bastante comuns para 
abrigar todos os sistemas mencionados. 
Quando há previsão para colocação de piso elevado no andar, deve-se ainda considerar 
cerca de 15cm de altura. Esta altura é suficiente para a passagem e distribuição de 
cabeamento elétrico, telefônico e de lógica (dados e voz). Para os casos \u2013 com uso ainda 
incipiente no Brasil \u2013 de sistemas de distribuição de ar condicionado pelo piso, as 
necessidades de altura passam a ser maiores, podendo os edifícios de centrais de dados 
(data centers) serem citados como exemplo (alturas em torno de 1m ou mais). 
A altura da estrutura, por sua vez, refere-se à espessura de laje somada à altura das vigas 
(quando houver na área útil), e estas dimensões têm relação direta com a profundidade do 
pavimento e a solução estrutural adotada9. Esta solução, segundo os calculistas estruturais, 
deve estar estreitamente ligada à concepção do sistema de ar condicionado e à 
 
9 Ver seção 2 deste capítulo. 
Capítulo B \u2013 Especialidades de Projeto 51 
 
profundidade do andar, devido ao alto grau de interferência que estes itens exercem sobre a 
estrutura. Outro aspecto que não deve ser esquecido refere-se à altura de piso a piso nos 
andares onde ocorrer transição de pilares; ela deve ser maior para comportar a vigas de 
transição. 
 
 
Figura 11 \u2013 Corte esquemático de uma periferia de andar tipo 
indicando medidas das condicionantes típicas para definição de altura de piso a piso entre pavimentos 
Fonte do corte: Orbi (2008) 
 
 
Capítulo B \u2013 Especialidades de Projeto 52 
 
1.3 FACHADAS 
 
 
A definição para o termo fachada como \u201cqualquer das faces de um edifício, de modo geral, a 
da frente\u201d (FERREIRA, 2009) esconde, com sua simplicidade, um entendimento de que há a 
percepção do edifício pela sua \u201cface\u201d, ou seja, uma construção que \u201colha\u201d ao seu redor e 
que é percebida pelo seu entorno (HERZOG; KRIPPNER e LANG, 2008). A fachada 
também pode ser entendida como algo mais do que uma manifestação bidimensional do 
limite vertical dos edifícios, abrangendo toda sua espessura e todos os elementos usados 
para defini-lo em cada caso (MAHFUZ, 2009). O desenvolvimento de tecnologias para o 
cumprimento das funções primordiais da fachada \u2013 proteção, conforto e expressão 
arquitetônica \u2013 acaba por trazer à tona uma especialidade de projeto relativamente nova: o 
projeto e a consultoria de fachadas. Em projetos de edifícios de escritório, este aspecto é 
acentuado, de certa forma influenciado, pelos edifícios ícones de cidades como Nova Iorque 
e Chicago, de modo que os materiais mais empregados são aqueles dão a idéia de 
modernidade e poder econômico, tais como o vidro, as pedras naturais e os metais. 
 
 
1.3.1 Caracterização 
 
As fachadas, do ponto de vista construtivo, podem ser consideradas como a vedação 
envoltória do edifício, sendo que uma das faces está sempre em contato com o meio 
ambiente externo ao edifício (SABBATTINI et. al, 2007). Por fazerem parte de um 
subsistema construtivo da edificação - a vedação vertical -, as fachadas compreendem as 
paredes, as esquadrias e os revestimentos. Não à toa, o termo utilizado para projeto e 
consultoria de fachada, traduzido do inglês,