Dissertacao EDIFICIO DE ESCRITÓRIOS
249 pág.

Dissertacao EDIFICIO DE ESCRITÓRIOS


DisciplinaAtelier de Projeto de Arquitetura VII6 materiais80 seguidores
Pré-visualização50 páginas
é \u201cenvelope da edificação\u201d (building envelope). 
Este termo considera que, além dos limites verticais, o envelope compreende também a 
cobertura da edificação. 
Há diversos critérios para se classificar as fachadas. Segundo Herzog; Krippner e Lang 
(2008), os dois principais são: critérios funcionais e critérios construtivos. 
Critérios funcionais 
Permeabilidade ao ar: estratégias de ventilação natural pedem a permeabilidade do ar 
variável e controlável. A dissipação de calor em excesso, vapor d´água e, em caso de 
Capítulo B \u2013 Especialidades de Projeto 53 
 
incêndio, gases tóxicos, também requerem certa permeabilidade da fachada. Neste critério, 
elas podem ser: 
- Estanques; 
- Abertas; 
- Parcialmente permeáveis. 
Permeabilidade à luz: a natureza e o nível de permeabilidade à luz controlam o nível de luz 
natural, criam relações visuais entre o ambiente interno e externo, e governam a quantidade 
de energia, em forma de calor, que entra e sai do edifício. Neste critério, as fachadas podem 
ser: 
- Opacas; 
- Translúcidas; 
- Semitransparentes; 
- Transparentes; 
- Abertas. 
Ganhos de energia: superfícies permeáveis à radiação solar permitem ganhos diretos de 
energia, que podem ser aproveitados ou não pela edificação (ex: utilização de painéis 
fotovoltáicos na fachada para geração de energia elétrica). Neste critério, os ganhos de 
energia podem ser: 
- Nenhum; 
- Em forma de calor; 
- Em forma de eletricidade. 
Variabilidade: a superfície de uma fachada pode reagir à mudança das condições externas, 
mudando a posição ou propriedade dos seus componentes. Esta mudança pode ser: 
- Nenhuma; 
- Mecânica: por partes móveis da fachada (ex: brises ou sombreamentos ajustáveis); 
- Física: por iniciação de processos reversíveis de mudança de propriedade físicas dos 
materiais, utilizando processos elétricos, termossensíveis ou fotossensíveis; 
- Química: por mudança de propriedades químicas dos materiais, pelos mesmos 
processos citados para as mudanças físicas. 
Controle: a variabilidade requer controle, que pode ser feito de maneira: 
Capítulo B \u2013 Especialidades de Projeto 54 
 
- Manual ou mecânica; 
- Automática (sem necessidade de intervenção humana ou de processadores); 
- Com circuitos de controle (ex: ligados a algum sistema de automação). 
Critérios construtivos 
Função estrutural: as fachadas, como vedações externas, podem auxiliar a transmissão de 
cargas e a rigidez da estrutura. Neste critério, elas podem ser: 
- Com função estrutural; 
- Sem função estrutural. 
Construção em camadas: camadas de diferentes materiais podem compor uma fachada, 
assim, elas podem ser: 
- Com camada única; 
- Com múltiplas camadas. 
Ventilação: a ventilação da própria fachada implica em camadas múltiplas, sendo uma 
delas de ar, que permitem a dissipação do calor e da condensação pelo efeito chaminé. 
Neste critério, as fachadas podem ser: 
- Com camada de ar ventilada; 
- Com camada de ar estanque. 
Pré-fabricação: o nível de pré-fabricação desejado tem efeitos na concepção do projeto, na 
natureza dos elementos, no tamanho real de cada componente e nas condições 
governantes de montagem da fachada. Por isto, neste critério, as fachadas podem ter: 
- Baixo nível de pré-fabricação; 
- Alto nível de pré-fabricação. 
Outra forma possível de classificar as fachadas é considerando o ponto de vista da técnica 
construtiva. As fachadas, como vedações verticais externas (SABBATTINI et. al, 2007), 
podem ser: 
Por conformação: vedações obtidas por moldagem a úmido no local, com emprego de 
materiais com plasticidade obtida com a adição de água. Ex: paredes de alvenaria de blocos 
assentados com argamassa. 
Por acoplamento a seco: vedações obtidas por montagem através de dispositivos de 
fixação (pregos, parafusos, rebites, etc.). Ex: parede de gesso acartonado. 
Capítulo B \u2013 Especialidades de Projeto 55 
 
Ainda sob este ponto de vista, as fachadas podem ser classificadas em função do momento 
em que o acabamento é incorporado a elas (OLIVEIRA, L., 2009): 
Com revestimento incorporado: vedações verticais que são posicionadas acabadas em 
seus lugares definitivos, sem a necessidade de aplicação de revestimentos a posteriori. Ex: 
painéis pré-fabricados arquitetônicos de concreto. 
Com revestimento a posteriori: vedações verticais que são executadas em seus lugares 
definitivos, sem a aplicação prévia de revestimentos. Ex: alvenarias que recebem 
revestimentos aderidos ou não-aderidos. 
Sem revestimento: vedações verticais que não necessitam da aplicação de revestimentos. 
Podem ser aparentes ou receberem unicamente uma pintura. Ex: fachadas envidraçadas. 
Sob a ótica construtiva, uma forma possível de organizar as tipologias de vedações 
verticais, e conseqüentemente de fachadas, é pela combinação das duas classificações 
acima comentadas (Figura 12). 
 
VEDAÇÕES VERTICAIS 
 
CONFORMAÇÃO ACOPLAMENTO A SECO 
 
SEM 
REVEST. 
REVEST. A 
POSTERIORI 
SEM 
REVEST. 
REVEST. A 
POSTERIORI 
REVEST. 
INCORPORADO 
 
 
Concreto 
aparente 
moldado no 
local 
Pele de vidro Placas de 
alumínio 
composto 
sobre parede 
de gesso 
acartonado 
Placas pré-
fabricadas de 
concreto com 
acabamento 
 
 
ADERIDO NÃO-ADERIDO 
 
 
Massa 
raspada 
sobre 
alvenaria 
Placas de granito 
sobre alvenaria, 
fixadas por 
inserts metálicos 
 
 
Figura 12 \u2013 Tipologias de vedações verticais, sob o ponto de vista construtivo, e alguns exemplos (em cinza) 
 
Capítulo B \u2013 Especialidades de Projeto 56 
 
Outra classificação possível é relacionada à densidade superficial da fachada como vedação 
vertical, podendo ser (OLIVEIRA, L., 2009): 
Leve: vedação vertical não estrutural, constituída de elementos de densidade superficial 
baixa, cujo limite aproximado é 100kgf/m²; 
Pesada: vedação vertical que pode ser estrutural ou não, constituída de elementos de 
densidade superficial superior ao limite pré-determinado de aproximadamente 100kgf/m². 
As fachadas leves podem, ainda, ser classificadas de acordo com seu posicionamento em 
relação à estrutura principal do edifício (norma francesa AFNOR NF P 28 001, 1990 apud 
OLIVEIRA, L., 2009): 
Fachada-cortina: fachada leve, constituída de uma ou mais camadas, posicionada totalmente 
externa à estrutura do edifício (à face exterior das lajes de borda) formando uma pele sobre o 
mesmo. Em inglês esta classificação é conhecida pela expressão curtain wall. 
Fachada semi-cortina: fachada leve, constituída de uma ou mais camadas, cuja camada 
exterior é posicionada externa à estrutura do edifício e a camada interior interna e entre 
pavimentos. Esta norma considera que a camada interior não obrigatoriamente deve ser leve, 
existindo casos em que a camada interior da fachada semi-cortina é uma parede em alvenaria 
ou em concreto e a camada exterior um revestimento não-aderido. 
Muitos projetos recentes de edifícios de escritórios têm utilizado as fachadas-cortina, cuja 
definição brasileira está na norma de caixilhos (esquadrias) especiais NBR 10821 (ABNT, 
2000) como: 
Caixilhos interligados e estruturados com função de vedação que formam um sistema contínuo, 
desenvolvendo-se no sentido da altura e/ou da largura na fachada da edificação, sem 
interrupção pelo menos por dois pavimentos. 
Isto decorre da influência da abertura de mercado e o ingresso de projetos de origem norte-
americana, que tratam das fachadas de edifícios de escritórios genericamente como curtain 
walls (KHOURY, 2002), sem sequer considerar as outras formas possíveis de se projetar o 
envelopamento deste tipo de edifício. 
A fachada-cortina pode ser composta por uma envoltória por acoplamento a seco sem 
revestimento,