Dissertacao EDIFICIO DE ESCRITÓRIOS
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Dissertacao EDIFICIO DE ESCRITÓRIOS


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onde ele se localiza. Robertson e See (2002) 
comentam soluções para resistência às cargas horizontais, notadamente para estruturas 
metálicas, tais como paredes de travamento, núcleos reforçados e tesouras de 
contraventamento em andares pré-determinados. As soluções brasileiras mais comuns, 
particularmente na região Sudeste, envolvem a utilização de: 
- Pórticos; 
- Núcleos reforçados com paredes de travamento em concreto armado (Figura 20), vistos 
com freqüência em caixas de elevadores e de escadas; 
- Geometria, dimensão e número de pilares, também de concreto armado; 
- E, por fim, da própria laje, pela rigidez que proporciona. 
 
Capítulo B \u2013 Especialidades de Projeto 71 
 
 
 
Figura 20 \u2013 Ilustração de pavimento tipo e respectiva laje estrutural do edifício de escritórios San Paolo (SP) 
Fonte: Dias (2001) 
Pavimento tipo 
Laje estrutural, 
indicando estrutura 
metálica (pilares e 
vigas) e reforço do 
núcleo do pavimento 
com paredes de 
concreto armado 
(linhas escuras) para 
resistência às cargas 
de vento 
 
 
2.2.3 Tipologias 
 
Há uma série de soluções e tipologias estruturais para edificações. Como a estrutura é parte 
inerente do aspecto do edifício, é importante que o arquiteto conheça conceitualmente estas 
tipologias e saiba, em termos gerais, a melhor aplicação para cada uma delas. Descrições 
destas tipologias e de seus diferentes materiais podem ser encontradas em Souto e Silva 
(2000), Cowan (1976) e Torroja (1960), e alguns cálculos e dimensionamentos iniciais 
podem ser consultados em Margarido (2001), principalmente para o concreto armado. Em 
Rebello (2000), pode-se encontrar uma abordagem bastante didática de sistemas estruturais 
que são considerados básicos, cujas associações permitem a criação de todas as demais 
Capítulo B \u2013 Especialidades de Projeto 72 
 
possibilidades estruturais. Estes sistemas básicos são: o cabo, o arco, a viga de alma cheia, 
a treliça, a viga Vierendeel e o pilar. 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 21 \u2013 Diferentes tipologias de lajes 
Fonte: MacGregor (1988) 
Laje plana Laje com vigas 
Laje nervurada 
 
As tipologias estruturais mais comuns encontradas para o pavimento tipo de edifícios de 
escritórios são resultantes da associação contínua de vigas e pilares, resultando nas lajes 
(Figura 21), cujos arranjos típicos são comentados na Tabela 3. 
Estes arranjos ainda podem considerar o uso combinado de peças para atender 
necessidades específicas em uma determinada tipologia, tais como aumento do vão a ser 
vencido, aumento de rigidez da laje, redução de altura ou número de vigas. Algumas 
combinações de soluções bastante comuns que podem ser citadas são: vigas de borda nas 
lajes planas e nervuradas, vigas protendidas nas lajes com vigas, vigas embutidas na laje 
nervurada, lajes protendidas, e diversas outras combinações. Para se ter uma idéia, é 
conveniente que lajes com vãos entre 10 e 12m, muito comuns em edifícios de escritórios 
de planta aberta, tenham algum tipo de protensão, seja na própria laje ou nas vigas que a 
apóiam. 
 
 
Capítulo B \u2013 Especialidades de Projeto 73 
 
 
Tabela 3 \u2013 Características, vantagens e desvantagens de arranjos de pilares, vigas e lajes em concreto armado 
TIPO CARACTERÍSTICAS VANTAGENS DESVANTAGENS 
LAJE COM 
VIGAS 
 
Tipologia mais usual 
em edificações, por ser 
econômica. Solução 
comum para edifícios 
de escritórios com 
múltiplas salas. 
Margarido (2001) 
sugere espaçamentos 
de 4 a 7m entre pilares 
como ideais. 
- Custos mais baixos. 
- Sistema amplamente 
difundido no mercado 
tanto de projetos quanto 
de construção. 
- A altura da viga é 
proporcional ao vão entre 
pilares, o que pode ser um 
limitante para grandes vãos 
(superiores a 7m) 
- Grande quantidade de 
pilares em pavimento tipo 
de planta livre pode 
prejudicar flexibilidade de 
uso. 
LAJE PLANA 
Lajes com reforço na 
armação para 
compensar a ausência 
de vigas. Normalmente 
apresenta protensão e 
viga de borda para 
conferir rigidez à 
estrutura e capitéis 
para minimizar o efeito 
de punção do pilar na 
laje. 
- Permite alturas de piso a 
piso menores. 
- Permite a passagem 
horizontal de sistemas 
prediais de maior calibre 
por ter espessura única e 
possibilitar maior altura no 
entreforro. 
- Aberturas nas lajes, 
próximas aos pilares, muito 
restritas, podendo dificultar 
passagem de prumadas de 
sistemas prediais. 
- Limite de vão livre é similar 
à da laje com vigas. 
 
LAJE 
NERVURADA 
Laje com entremeado 
de vigas nas duas 
direções, formando 
uma grelha. Utiliza em 
seu método construtivo 
moldes de diversos 
materiais, podendo ser 
plástico, polipropileno, 
isopor ou metal. 
- Melhor distribuição das 
cargas sobre os apoios. 
- Apresenta vantagens 
econômicas devido à 
relação altura/vão para 
solicitações maiores de 
carga. 
- Apresenta menor peso 
próprio em relação às 
demais tipologias para 
vãos próximos de 10m. 
- Não indicado para locais 
com limitação de altura de 
piso a piso. 
- Solução pouco econômica 
para vãos e cargas 
pequenas. 
- Aspecto estético da laje 
pode demandar a utilização 
de forro. 
 
O material mais utilizado para estas tipologias é o concreto armado, cuja norma regente é a 
NBR 6118 (ABNT, 2007), e os arranjos estruturais podem ser combinados com peças em 
concreto armado protendido ou peças metálicas, de acordo com a necessidade do aumento 
de vão a ser vencido ou com a necessidade de se reduzir a altura das vigas. Comparações 
mais detalhadas do ponto de vista econômico e construtivo dos diversos tipos de arranjos da 
estrutura reticulada em concreto armado para edificações podem ser encontradas em 
Albuquerque (1999). 
A opção, no Brasil, pelo uso em larga escala da solução estrutural em concreto armado 
moldado no local tem explicação, em parte, pelo seu custo comparativo menor em relação à 
estrutura de aço, que é outro material de excelente desempenho para sistemas estruturais, 
e muito utilizado em empreendimentos norte-americanos. A solução em aço, bem como a 
Capítulo B \u2013 Especialidades de Projeto 74 
 
em concreto pré-fabricado, conta com a vantagem da rapidez da execução da obra e com a 
maior precisão dimensional das peças, e apresenta características executivas e de logística 
particulares (espaço no terreno para equipamentos de montagem, transporte das peças). 
Porém, uma rapidez de execução maior implica também em um desembolso financeiro para 
construção concentrado em um prazo menor, o que muitas vezes não é desejável para 
planejamentos de fluxo de caixa de empreendimentos. Além disso, o tratamento de proteção 
passiva contra incêndio das estruturas metálicas contribui para seu encarecimento, 
justificando o uso ainda relativamente restrito destas soluções estruturais nos edifícios de 
escritório brasileiros. 
 
 
2.2.4 Índices 
 
Alguns índices são interessantes para situar e eventualmente comparar estruturas de 
edifícios de tipologias diferentes, mas com usos e carregamentos semelhantes. Muitas 
construtoras, que estudam meios de baratear a execução de um projeto sem comprometer 
os requisitos iniciais do mesmo, utilizam os índices como balizadores para verificar o 
consumo relativo de materiais de execução. Os índices mais utilizados são: a espessura 
média da estrutura, a taxa de aço e a taxa de forma. 
A espessura média da estrutura é a relação entre o consumo total de concreto e a área 
estrutural (somatória das áreas de plantas de forma) do edifício. A taxa de aço é a relação 
entre o consumo total de aço e a área estrutural do edifício. A taxa de forma é a relação 
entre o consumo total de forma e a área estrutural do edifício. Teoricamente,