Dissertacao EDIFICIO DE ESCRITÓRIOS
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Dissertacao EDIFICIO DE ESCRITÓRIOS


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18 Ver seção 1.2.1.2 deste capítulo. 
Capítulo B \u2013 Especialidades de Projeto 79 
 
Tabela 4 \u2013 Exemplos de sistemas prediais e subsistemas 
Sistemas Prediais Subsistemas 
Sistemas de Suprimento 
e Coleta da Água 
- Sistema de água fria 
- Sistema de água quente 
- Sistema de esgotos sanitários 
- Sistema de águas pluviais 
Sistemas de Conforto 
Térmico e Ventilação 
- Sistema de ar condicionado 
- Sistema de iluminação 
- Sistema de ventilação e exaustão 
- Sistema de calefação 
Sistemas de Suprimento 
e Distribuição de Energia 
- Sistema de gás combustível 
- Sistema de energia elétrica 
- Sistema de geração de energia eólica 
- Sistema de geração de energia solar 
Sistemas de 
Telecomunicação 
- Sistema de telefonia 
- Sistema de TV 
- Sistema de interfonia 
- Sistema de lógica ou informática 
Sistemas de Transporte - Sistema de elevadores 
- Sistema de esteiras e escadas rolantes 
Sistemas de Segurança 
contra Incêndio 
- Sistema de hidrantes 
- Sistema de chuveiros automáticos 
- Sistema de detecção de fumaça e alarme 
- Sistema de pressurização de escadas 
Sistemas de Segurança 
Patrimonial 
- Sistema de segurança perimetral 
- Sistema de controle de acesso 
Sistemas de Automação 
Predial 
- Sistema de integração de sistemas de segurança 
- Sistema de controle de sistemas de iluminação, som e imagem 
- Sistema de controle e monitoramento de elevadores 
- Sistema de monitoramento dos sistemas hidráulicos e de ar 
condicionado 
Fonte: FARINA (2002) 
 
A quantidade, o escopo de cada disciplina e a especialização dos consultores em alguns 
subsistemas torna a contratação dos projetos de Sistemas Prediais a mais passível de 
sofrer erros de abrangência de escopo (lacunas de contratação ou contratação tardia). 
Utilizando a Tabela 4 como exemplo, observamos que em apenas um sistema, o de 
segurança contra incêndio, há o envolvimento de pelo menos três categorias de projetos: os 
sistemas de hidrantes e chuveiros automáticos estão nos projetos de instalações 
hidráulicas; o sistema de detecção e alarme, no projeto de instalações elétricas; e o sistema 
de pressurização de escadas, no projeto de ar condicionado. No edifício de escritórios, o 
cuidado com esta abrangência deve ser ainda maior, com a crescente evolução dos 
sistemas relacionados à tecnologia da informação e seus respectivos requisitos em infra-
estrutura dos sistemas prediais. 
Capítulo B \u2013 Especialidades de Projeto 80 
 
Os sistemas prediais também afetam as ocupações de espaços e têm interfaces entre si e 
com a parte estática do edifício. Farina (2002) enumera algumas destas interfaces no início 
do projeto, em uma etapa inicial denominada de Estudo Preliminar, de modo a ilustrar o 
conceito sistêmico que deve ser dado aos projetos destes sistemas (Tabela 5). 
Nas subseções que seguem, são discorridos os conceitos de cada disciplina dos sistemas 
prediais, considerando seus principais requisitos de projeto e as influências de suas 
soluções sobre o projeto arquitetônico e estrutural. 
 
Tabela 5 \u2013 Interfaces do Estudo Preliminar dos sistemas prediais e demais componentes do edifício 
SIST. PREDIAL ESTUDO PRELIMINAR VARIÁVEIS DO EDIFÍCIO 
Água fria 
Incêndio 
Ar condicionado 
- Volume de reservatórios 
- Altura do reservatório superior 
- Altura do edifício 
- Carregamento na estrutura 
- Consumo de energia 
Água fria 
Água quente 
Esgoto 
Água pluvial 
Energia elétrica 
Gás 
Telefonia 
Ar condicionado 
- Posicionamento de prumadas e 
dutos 
- Definição do número de 
prumadas e dutos 
- Estimativa dos diâmetros das 
prumadas e dimensões dos dutos 
- Área útil dos pavimentos 
- Área útil de subsolos 
- Resistência dos elementos estruturais 
- Espessuras de paredes 
- Tamanho dos vazios (shafts) 
- Altura de forros 
Água fria 
Água quente 
Gás 
- Tipo de distribuição (coletiva ou 
individualizada) 
- Área e configuração de núcleo dos 
pavimentos 
- Áreas de administração 
- Consumo de energia 
Incêndio - Posição de hidrantes 
- Reserva de incêndio 
- Chuveiros automáticos 
- Área e configuração de núcleo dos 
pavimentos 
- Área de reservatórios 
- Áreas de administração 
Esgoto 
Água pluvial 
- Cotas de descargas dos efluentes - Consumo de energia 
- Pé direito útil de subsolos 
- Flexibilidade de configuração de áreas 
molhadas nos pavimentos 
Energia elétrica - Centro de medição 
- Entrada de energia 
- Prumada de energia 
- Área útil do embasamento 
- Área e configuração de núcleo dos 
pavimentos 
Fonte: adaptado de FARINA (2002) 
Capítulo B \u2013 Especialidades de Projeto 81 
 
3.2 SISTEMAS DE AR CONDICIONADO E VENTILAÇÃO MECÂNICA 
 
 
O ar condicionado em edifícios de escritórios está diretamente ligado ao conforto térmico, 
que é uma sensação subjetiva, dependente de fatores tais como: radiação solar, 
temperatura, umidade relativa e velocidade do ar, temperatura radiante, atividade e 
vestimenta dos usuários, hábitos e culturas locais, entre outros. O conforto térmico pode ser 
definido como \u201co estado mental que expressa satisfação com o ambiente térmico\u201d 
(ASHRAE, 2005). 
O condicionamento do ar, para fins de conforto, é uma forma ativa de se controlar as 
condições térmicas e de umidade do ambiente interno da edificação, de maneira que estas 
condições internas fiquem independentes das condições climáticas externas e 
proporcionando conforto térmico para seus ocupantes. Segundo Hernandez Neto e Vittorino 
(2003), os objetivos deste sistema, em relação ao ar ambiente, podem ser: 
- Resfriar ou aquecer; 
- Umidificar ou desumidificar; 
- Distribuir; 
- Filtrar; 
- Renovar. 
As condições higro-térmicas desejadas para o ambiente interno, que determinam o seu grau 
de conforto e que são premissas de projeto, variam significativamente de acordo com o uso 
do ambiente e com a cultura local. Lobbies, salas de escritórios e de reuniões requerem um 
condicionamento maior que sanitários, garagens e áreas técnicas. Uma área de escritório 
pode ter requisitos diferentes de temperatura e umidade se locado em um país asiático, 
europeu, nos EUA ou no Brasil. Em países como China e Japão, é culturalmente aceitável e 
desejável que, no verão, as pessoas trabalhem, nos ambientes de escritórios, sem gravata e 
com camisas de manga curta, de maneira a aceitar temperaturas internas mais elevadas. O 
padrão europeu, especificamente o alemão, admite também edifícios naturalmente 
ventilados, com uso mínimo do condicionamento tanto para aquecimento quanto 
resfriamento. Já nos EUA, prevalece a cultura do condicionamento total, na qual o usuário 
não tem sequer a liberdade de operar a abertura de janelas, às vezes até de persianas, 
ficando isto a cargo do administrador do edifício. Mesmo no Brasil, as diferenças de 
requisitos regionais são bastante relevantes. Portanto, as definições das premissas de 
Capítulo B \u2013 Especialidades de Projeto 82 
 
projeto, baseadas nas necessidades locais, são muito importantes para definir o melhor 
sistema em termos de desempenho, consumo de energia e custos. 
Um bom projeto de ar condicionado é aquele que é o mais adequado para o clima e o uso 
da edificação, proporcionando condições favoráveis para processos produtivos e de conforto 
térmico aos usuários, e equacionando estes requisitos com uma boa relação custo-benefício 
de implantação e operação. Portanto, o bom projeto de ar condicionado já nasce na própria 
arquitetura, quando são definidos elementos cruciais, tais como a orientação solar do 
edifício, os recuos, a ventilação natural, os materiais da envoltória (fachadas e coberturas), 
os elementos de proteção (tais como brises) e as aberturas. Um bom desempenho térmico 
passivo do edifício requer uma instalação