Dissertacao EDIFICIO DE ESCRITÓRIOS
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Dissertacao EDIFICIO DE ESCRITÓRIOS


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Figura 26 \u2013 Desenho esquemático de distribuição do ar condicionado pelo forro 
 
 
Distribuição pelo piso 
O sistema de distribuição pelo piso é relativamente novo e exige a consideração de piso 
elevado nos pavimentos condicionados. O espaço interno do piso elevado funciona como 
um grande plenum de ar refrigerado, com leve pressão positiva, e de onde o ar passa ao 
ambiente por meio de distribuidores de piso ou distribuidores de mesa. Estes distribuidores, 
por estarem incorporados à placa do piso elevado, podem ser remanejados com certa 
facilidade, de acordo com as necessidades do lay-out do ambiente. O ar frio tende 
naturalmente a permanecer mais próximo ao piso e, conforme ele se aquece com o decorrer 
do uso do ambiente, sobe pelo efeito da convecção e é captado por aberturas no forro 
(Figura 27). 
Capítulo B \u2013 Especialidades de Projeto 91 
 
 
Figura 27 \u2013 Desenho esquemático de distribuição do ar condicionado pelo piso 
 
A distribuição pelo piso é defendida por alguns como conceitualmente mais lógica, por 
considerar o fenômeno da extratificação do ar e diminuir comparativamente a carga térmica 
a ser vencida, já que o volume condicionado é menor (ar frio somente na zona ocupada, nos 
primeiros dois metros de altura, e não em todo o volume do ambiente) e o perfil de 
temperatura permite que o ar insuflado tenha uma temperatura superior ao do sistema de 
distribuição pelo forro, indicando economia de energia do sistema. Para este, Leite (2003) 
recomenda parâmetros de projeto baseados nas características de uso e operação, para 
atendimento a condições de conforto térmico, e enumera alguns principais aspectos, tanto 
positivos quanto negativos, tais como: 
- A temperatura do ar insuflado no ambiente é mais alta do que a do ar fornecido pelo 
sistema de distribuição pelo forro; 
- O sistema tende a consumir menos energia do que um convencional, por insuflar ar 
menos refrigerado e por condicionar um volume menor de ar; 
- O sistema permite a redução da altura de piso a piso dos edifícios, pelo ganho de 
espaço no entreforro com a ausência de dutos e dá flexibilidade a soluções estruturais 
mais econômicas; 
- O sistema não é recomendado em áreas suscetíveis à água, e exige um maior controle 
na desumidificação do ar. 
Capítulo B \u2013 Especialidades de Projeto 92 
 
A não observância de cuidados na implantação e operação deste sistema pode acarretar na 
insatisfação dos usuários, sob forma de desconforto com correntes de ar e \u201cfrio nos pés\u201d, e 
consequentemente na rejeição do mesmo como um todo. 
A determinação do tipo de distribuição do ar condicionado, portanto, relaciona-se com a 
solução arquitetônica e estrutural do edifício de escritórios, à medida que os espaços 
ocupados pelos dutos, na distribuição pelo forro, influenciam diretamente no resultado da 
altura de piso a piso dos pavimentos24. 
 
 
3.2.8 Impacto no consumo de energia elétrica 
 
O ar condicionado é o grande consumidor de energia elétrica em edifícios de escritórios, 
sendo responsável por uma fatia da ordem de 40% a 60%, dependendo das condições 
climáticas e do tipo de sistema utilizado. Além disso, a tarifação de energia para edifícios 
comerciais, devido às cargas e potências instaladas, geralmente é horo-sazonal, isto é, tem 
valores diferenciados para horários de ponta (três horas entre as 17h00 e 22h00 nos dias 
úteis, definidas pela concessionária de energia local) e horários fora de ponta, o que não 
ocorre, por exemplo, em edifícios residenciais, cuja tarifação é convencional. 
Diante destes dados, existem algumas estratégias de operação dos sistemas de ar 
condicionado que consideram esta diferenciação da tarifa, mas que trazem interferências 
em outras áreas. Por exemplo, o uso de sistemas de termoacumulação para fornecimento 
de água gelada nos horários em que a tarifa elétrica é mais cara e quando os equipamentos 
de resfriamento são desligados. Como contrapartida, estes sistemas implicam em operação 
e manutenção mais cuidadosas, além de demandarem espaços significativos para os 
reservatórios. Há, ainda, a opção de geração autônoma de energia durante o horário de 
pico, utilizando motores a diesel ou gás, e os requisitos de segurança e de funcionamento 
dos ambientes que comportam estes equipamentos devem ser observados, tais como 
armazenagem do combustível, tomada de ar externo, proteção contra incêndios e redutores 
sonoros. Qualquer que seja a escolha, ela deve levar em conta todos estes fatores, mais as 
implicações de espaços e de custos globais que cada sistema impõe. 
 
 
 
24 Ver também as seções 1.3.3 e 2.7 deste capítulo. 
Capítulo B \u2013 Especialidades de Projeto 93 
 
3.2.9 Sustentabilidade e arquitetura bioclimática 
 
Como já mencionado anteriormente, um bom projeto de ar condicionado nasce no projeto de 
arquitetura. Sua parcela no consumo energético dos edifícios, somada à agressividade do 
gás refrigerante ao meio ambiente e o ruído produzido pela instalação, torna este sistema 
um dos principais focos de atenção quando se fala de sustentabilidade nos edifícios de 
escritórios. Todas as simulações computacionais em que o desempenho energético do 
edifício é avaliado são unânimes ao concluir sobre a importância determinante do tipo de 
envoltória do edifício na variação de sua carga térmica. 
Além disso, empreendimentos que desejam obter a certificação ambiental em programas 
específicos, tais como o LEED2, têm como maior desafio conquistar os pontos relacionados 
à eficiência energética. Para exemplificar a relevância, numa categoria C&S (Core & Shell), 
o assunto que trata deste tema (energia e atmosfera) conta com 14 pontos em 61 possíveis. 
Destes 14 pontos, 8 são correspondentes ao desempenho otimizado da energia, que, entre 
outras coisas, determina a economia de 14% de energia em relação a um modelo padrão 
preestabelecido (baseline da ASHRAE 90.1). O modelo padrão tem critérios já bastante 
restritos se comparados às edificações convencionais brasileiras, pois foi concebido para as 
condições climáticas norte-americanas, resultando em uma dificuldade real para se alcançar 
tal nível de economia apenas na otimização do sistema de ar condicionado. 
Daí a importância da arquitetura bioclimática, que define elementos construtivos adequados 
ao clima local e que procura tirar proveito destas condições climáticas no desempenho 
passivo do edifício, utilizando ao mínimo os equipamentos de condicionamento artificial. Um 
bom exemplo deste tipo de arquitetura pode ser visto nos trabalhos de Ken Yeang, que 
concilia o uso intensivo de áreas nos edifícios em zonas urbanas com estratégias passivas 
de economia de energia. O edifício Menara Mesiniaga, construído em 1992 e localizado em 
Kuala Lumpur, região de clima tropical e úmido, apresenta as seguintes estratégias para um 
bom desempenho passivo: orientação solar adequada, átrio central espiralado utilizado 
como um jardim vertical, de modo a permitir a ventilação natural e melhoria da qualidade do 
ar interno, e venezianas (brises) externas que diminuem o ganho de calor do edifício pela 
envoltória (Figuras 28 e 29). 
 
 
2 Sigla para Leadership in Energy and Environment Design, programa para certificação descrito na seção 3 do 
capítulo C. 
Capítulo B \u2013 Especialidades de Projeto 94 
 
 Formato da 
construção 
Paisagismo Orientação solar Mecanismos de 
sombreamento
Figura 28 \u2013 Ilustração esquemática das estratégias de desempenho passivo do edifício Menara Mesiniaga 
Fonte: http://jetsongreen.typepad.com/jetson_green/images/iaa0291_1.jpg 
 
 
Figura 29 \u2013 Edifício Menara Mesianaga 
Fonte: http://images.businessweek.com/ss/06/07/wow_green/image/2menara-mesiniaga.jpg