Dissertacao EDIFICIO DE ESCRITÓRIOS
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Dissertacao EDIFICIO DE ESCRITÓRIOS


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tubulações e casa de bombas, pois a água pluvial tratada deve estar em um 
sistema completamente independente da água fria, para evitar o fenômeno da conexão 
cruzada (NBR 5626, ABNT, 1998). 
 
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ESTAÇÃO DE 
TRATAMENTO
TANQUE DE CAPTAÇÃO/ 
RETENÇÃO ÁGUAS 
PLUVIAIS
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ÃO
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ALIMENTAÇÃO 
DA RUA
RESERVATÓRIO 
INFERIOR ÁGUA FRIA
RESERVATÓRIO 
SUPERIOR ÁGUA
FRIA
TÉRREO
RESERVATÓRIO 
SUPERIOR ÁGUA PLUVIAL
TRATADA
RESERVATÓRIO INFERIOR 
ÁGUA PLUVIAL TRATADA
 
A definição de se tratar 
e utilizar as águas 
pluviais reflete 
diretamente na 
ocupação de espaços e 
redes independentes, 
em relação à água fria, 
para tanques de coleta, 
tratamento e 
distribuição. 
Figura 32 \u2013 Desenho esquemático de reservação de água fria e de aproveitamento das águas pluviais 
 
Em países onde o custo da energia elétrica é maior do que no Brasil, como os do norte da 
Europa e os dos Estados Unidos, o conceito para o uso das águas pluviais e de reuso das 
águas servidas31 é um pouco mais complexo. Primeiramente, há um equacionamento da 
energia que é gasta para o funcionamento do sistema com o nível de potabilidade de água 
que se deseja alcançar, além da qualidade final do ar que resulta deste gasto de energia. O 
Pacific Institute (Califórnia, EUA), por exemplo, disponibiliza um simulador que analisa, entre 
outras coisas, a energia consumida para fazer que a água, seja ela de rede pública, seja de 
fonte alternativa, chegue ao seu destino final, o que possibilita a tomada de decisões a 
respeito de sua gestão. Este simulador pode ser alimentado de forma que diversos cenários 
possam ser comparados. Com estas informações, em conjunto com a arquitetura, os 
sistemas de abastecimento e aproveitamento das águas são definidos. Esta necessidade da 
estreita interação entre arquitetura e sistemas prediais, nas etapas iniciais de um projeto, 
pode ser bem exemplificada no projeto do Water Town (Chicago, EUA), em que a água 
pluvial é captada, tratada e reservada de forma escalonada (Figuras 33 e 34) com uso 
mínimo de energia. A captação da fachada deve estar integrada a este escalonamento, e os 
reservatórios intermediários, previstos desde a concepção do projeto. 
 
31 Esgotos sanitários. 
Capítulo B \u2013 Especialidades de Projeto 106 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 33 \u2013 Projeto do edifício Water Town, Chicago (EUA) 
Fonte: www.ctbuh.org/Portals/0/Education/IIT/AntonyWood/Tall&Green/WaterTower 
 
 
 
 
Figura 34 \u2013 Detalhe do projeto do edifício Water Town, Chicago (EUA) 
Fonte: www.ctbuh.org/Portals/0/Education/IIT/AntonyWood/Tall&Green/WaterTower. 
 
Corte esquemático, indicando as 
captações da águas pluviais ao longo 
da fachada 
Perspectiva 
Estrutura 
fachada 
Distribuição
Coleta 
 
Reservação 
 
Reservação 
Reservação Condução 
TratamentoPré-filtro Pré-filtro
Desenho esquematizado do sistema de captação, tratamento e reservação de águas pluviais 
Capítulo B \u2013 Especialidades de Projeto 107 
 
3.3.4 Sistema de esgoto sanitário 
 
As recomendações para o projeto de sistemas de esgotos sanitários são regidas pela norma 
NBR 8160 (ABNT, 1999). O objetivo desta norma é estabelecer as exigências e 
recomendações para atendimento dos requisitos mínimos de higiene, segurança e conforto 
dos usuários. 
 
Sistemas 
Assim como ocorre com o sistema de água pluvial, o impacto do sistema de esgoto sanitário 
no projeto arquitetônico é aparentemente pequeno, desde que mantidos os devidos 
cuidados para espaços para as tubulações de caminhamento horizontal (ramais e coletores) 
e de caminhamento vertical (tubos de queda e colunas de ventilação). A maioria dos 
projetos brasileiros considera o escoamento do esgoto por conduto livre (gravidade), 
portanto é importante garantir, nos percursos horizontais, espaços que permitam a 
declividade mínima exigida nas tubulações deste sistema. 
Existem também sistemas de coleta e transporte de esgoto a vácuo que ganham espaço 
devido ao seu forte apelo por economia de água. A opção por este sistema permite 
utilização de diâmetros menores de tubulação e percursos horizontais praticamente sem 
declividade, devido ao seu regime de subpressão. As desvantagens deste sistema 
envolvem, além do aspecto cultural, previsão de espaços para colocação de bombas de 
vácuo e tanques, além de gastos com energia para sua operação e manutenção mais 
complexa. 
Ainda sob o ponto de vista da economia de água, há também aparelhos que dispensam o 
uso desta tanto para seu acionamento quanto para seu desconector32, tais como os 
mictórios sem água (Figura 35). Neste caso, não há acionamento de água para descarga da 
urina, e um selo líquido, cuja densidade é menor do que a da urina, faz a função do fecho 
hídrico. A manutenção deste tipo de aparelho pede apenas a troca deste líquido em um 
número de usos que pode variar de acordo com o fabricante do selo. Como exemplo, a 
fabricante Waterless sugere esta troca a cada 1.500 usos sanitários. Este tipo de aparelho 
representa uma relevante solução para a economia de água em edifícios de escritórios, 
pois, segundo Schmidt (2003), \u201co mictório é um exemplo de equipamento que 
historicamente representa um desperdício significativo de água\u201d, mas alguns aspectos 
dificultam sua efetiva introdução nos ambientes brasileiros: a falta de fabricantes nacionais, 
 
32 Ver definição na seção Desconectores, abaixo. 
Capítulo B \u2013 Especialidades de Projeto 108 
 
a questão cultural e a segurança do sistema. A questão cultural tem a ver com o correto uso 
(não há acionamentos) e manutenção (o aparelho não deve ser limpo com água, somente 
com pano úmido); a questão da segurança envolve eventual toxicidade, em longo prazo, da 
evaporação do líquido no ambiente e do seu descarte após o ciclo de usos. Schmidt (2003), 
em seu estudo sobre mictórios sem água, conclui que a eliminação da água do processo de 
coleta de urina não afeta negativamente o desempenho do ambiente sanitário. 
 
 
Acesso para aberturas 
Recipiente de troca 
Selo líquido 
Urina 
Segue para ramal 
Figura 35 \u2013 Exemplo de desconector do mictório seco 
Fonte: waterless.com/index.php?option=com_content&task=view&id=3&Itemid=55 
 
Desconectores 
Outro aspecto importante a ser considerado no sistema de esgoto refere-se ao desconector, 
que, segundo definição da NBR 8160 (ABNT, 1999), é um \u201cdispositivo provido de fecho 
hídrico, destinado a vedar a passagem de gases no sentido oposto ao deslocamento do 
esgoto\u201d. Na prática, os desconectores são basicamente os sifões dos diversos aparelhos 
sanitários e de alguns tipos de ralos. Graça (1985) estudou alguns efeitos que podem 
comprometer o bloqueio hídrico destes sifões, e que podem ocorrer em edifícios de 
escritório: 
- Evaporação 
Decorrente de condições climáticas (temperatura e umidade relativa do ar), condições 
geométricas (tipo de sifão e distância do mesmo até o tubo de queda) e tempo de 
Capítulo B \u2013 Especialidades de Projeto 109 
 
exposição sem escoamento de esgoto. Pode ocorrer em sanitários que ficam muito 
tempo sem utilização, por exemplo, em escritórios não ocupados, aguardando locador. 
- Variação de pressão do ambiente 
Sanitários de edifícios de escritórios normalmente ficam localizados em seu núcleo e 
contam com exaustão mecânica, o que gera uma pressão ambiente menor que a 
pressão atmosférica. No caso de sanitários integrados à área útil33, o ar condicionado 
cria o efeito contrário: