Dissertacao EDIFICIO DE ESCRITÓRIOS
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Dissertacao EDIFICIO DE ESCRITÓRIOS


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pressão ambiente maior que a pressão atmosférica. Ambos os 
casos modificam as alturas do nível d\u2019água da câmara de entrada e da câmara de saída 
do fecho hídrico. 
- Sifonagem induzida 
Situação em que o escoamento de um aparelho sanitário influi no fecho hídrico de outro 
aparelho inoperante próximo, ligado ao mesmo ramal de esgoto, como é o caso dos 
aparelhos em bateria dos sanitários coletivos. 
Ainda há outros efeitos, tais como capilaridade, tiragem térmica, efeito do vento e 
sobrepressão, que também devem ser considerados no dimensionamento e especificação 
do desconector. 
A importância dos desconectores, apesar da aparente pouca significância no projeto como 
um todo, ganha outra dimensão em casos extremos de falha: Swaffield (2006) sugere uma 
ligação direta entre o início da epidemia da SARS34 de 2003, no condomínio Amoy Gardens, 
em Hong Kong, com o rompimento dos fechos hídricos dos sanitários e a conseqüente 
contaminação do ar. A origem do rompimento seria a combinação entre falta de manutenção 
do sistema, permitindo o efeito da evaporação, combinada ao uso de exaustores para 
ventilação, o que teria criado uma pressão negativa nos sanitários e permitido a 
disseminação inicial do vírus entre andares. 
 
Reuso 
O aproveitamento do esgoto por meio de seu tratamento é um tema em voga, decorrente, 
em parte, do apelo mercadológico, da redução dos custos referentes a consumo de água e 
da conquista de pontos em processos de certificação de edifícios verdes. 
As variáveis para definição do sistema a ser considerado no projeto consistem em: o volume 
necessário, o que vai ser tratado (se todo o esgoto sanitário ou se somente as águas 
 
33 Ver item 1.2.1.2 deste capítulo. 
34 Síndrome da deficiência respiratória severa. 
Capítulo B \u2013 Especialidades de Projeto 110 
 
cinzas35), o destino final que será dado à água tratada (que definirá seu nível de 
potabilidade e complexidade de tratamento), os custos (tanto de implantação quanto de 
operação) e as demandas técnicas e de espaços de cada sistema. Como já anteriormente 
comentado no item do sistema de água pluvial, a operação de tratamento de água (seja 
pluvial ou esgoto) tem um gasto energético que deve ser compensado pela economia de 
água, ou deixa de ser viável no empreendimento. 
A prática mais comum em edifícios de escritórios em São Paulo é fazer o tratamento das 
águas cinzas e utilizá-las para descargas das bacias sanitárias. O modelo é parecido com o 
tratamento de águas pluviais, em que as águas cinzas são coletadas e tratadas em um 
reservatório inferior, e, em seguida, recalcadas para um reservatório superior, para posterior 
distribuição. Algumas empresas já se especializaram em fazer esta operação (fornecem os 
equipamentos para tratamento e fazem a gestão do sistema) e a comercializam por meio do 
valor do metro cúbico de água tratada (que deve ser inferior ao valor da água potável 
fornecida pela rede pública). Assim, a gestão do uso de água de reuso passa a ser mais um 
serviço a ser contratado pela administração predial. 
Algumas questões ainda devem ser definidas junto ao empreendedor e projetista, tais como: 
a integração deste sistema ou não ao de tratamento de águas pluviais; o controle de acesso 
à água de reuso; como o sistema será alimentado pelo sistema de água fria, caso a 
demanda seja maior do que a oferta, e como será evitado o fenômeno da conexão cruzada 
entre sistemas (água potável e água de reuso). O cálculo do volume de água a ser tratado, 
devidamente equacionado com a demanda esperada, evita desperdício de energia para o 
processo de tratamento e condução das águas, e o desperdício de espaços demandados 
pelo sistema de tratamento. 
 
 
3.3.5 Sistema de proteção contra incêndio 
 
O sistema de proteção contra incêndio compõe-se de diversos outros subsistemas36 e os 
mencionados neste item são diretamente relacionados com sistemas prediais hidráulicos. As 
recomendações para o projeto deste sistema estão em diversas normas da ABNT que 
integram o decreto estadual nº 46076/01 do Corpo de Bombeiros do Estado de São Paulo e 
suas respectivas Instruções Técnicas (IT). Muitos empreendedores também consideram os 
 
35 Águas servidas de lavatórios e chuveiros. 
36 Ver seção 3.5 deste capítulo. 
Capítulo B \u2013 Especialidades de Projeto 111 
 
requisitos da norte-americana NFPA (National Fire Protection Association), motivados por 
questões de seguro e, em outros casos, pela origem internacional dos investimentos. 
Os aspectos da proteção contra incêndio, relacionados aos sistemas prediais hidráulicos, 
estão inseridos nas medidas de proteção ativa dos sistemas de segurança, que são as 
medidas de combate ao fogo. Entre elas, podemos destacar: 
 
Reserva de incêndio 
A reserva de incêndio é calculada de acordo com a área construída, o uso do edifício 
(tipifica também o grau de risco) e o tipo de hidrante ou mangotinho. Para exemplificar, um 
edifício de escritórios de 10.000m² de área construída terá uma reserva de incêndio de 12 a 
18m³. Como já descrito anteriormente, a integração da reserva de incêndio com a de água 
fria é uma prática comum, e normalmente ela é disposta no reservatório superior da 
edificação, o que influencia diretamente nas sobrecargas da estrutura. 
 
Sistema de hidrantes 
Os pontos de água deste sistema devem servir a todos os andares, o que requer previsão 
de espaço na arquitetura para tal. Além disso, estes pontos também são determinados em 
função do comprimento e alcance da mangueira, podendo ocasionar a presença de mais de 
um ponto por andar. 
 
Sistema de chuveiros automáticos (sprinklers) 
Integrantes de um sistema de combate ao fogo bastante eficaz, os chuveiros automáticos 
são ligados a algum tipo de sistema de detecção, obrigatórios em grande parte das 
configurações de edifícios de escritório e integrantes dos diversos sistemas que ocupam o 
espaço situado entre a laje e o forro do andar. O critério de dimensionamento deste sistema 
é regido pela Instrução Técnica nº 23 do decreto 46.076/01 e pela NBR 10897 (ABNT, 
2007). O impacto deste sistema na arquitetura configura-se no espaço para o sistema de 
reservação de água e a compatibilização da distribuição de seus chuveiros com os outros 
diversos sistemas que ocorrem no forro, tais como luminárias, grelhas do ar condicionado e 
sistemas de detecção. 
 
Capítulo B \u2013 Especialidades de Projeto 112 
 
3.4 SISTEMAS PREDIAIS ELÉTRICOS 
 
 
Os sistemas prediais elétricos, que sempre tiveram grande importância por serem 
associados ao funcionamento dos sistemas ativos dos edifícios e por serem também 
considerados fontes possíveis de ignição de incêndios, ganham ainda mais destaque por 
sua contribuição direta para a sustentabilidade do edifício, preocupação decorrente do 
aumento progressivo dos custos da energia e consequentes custos de operação. 
A rápida evolução da tecnologia dos diversos sistemas e o aumento da dependência de 
energia para seu bom funcionamento faz que os edifícios de escritórios modernos exijam 
instalações de infra-estrutura elétrica mais complexas. De Martini (2008) comenta que os 
edifícios comerciais corporativos \u201cpossuem hoje requerimentos rigorosos em energia, 
capacidade, disponibilidade e confiabilidade, telecomunicações sempre em constante 
evolução, segurança e proteção, qualidade ambiental e de forma muito atual, compromissos 
com políticas ambientais e de sustentabilidade\u201d. 
As principais diretrizes para um bom projeto de instalações elétricas seguem os mesmos 
preceitos dos sistemas prediais como um todo37, incluindo os seguintes objetivos abaixo, 
segundo De Martini