Dissertacao EDIFICIO DE ESCRITÓRIOS
249 pág.

Dissertacao EDIFICIO DE ESCRITÓRIOS


DisciplinaAtelier de Projeto de Arquitetura VII6 materiais80 seguidores
Pré-visualização50 páginas
tais como lanchonetes, 
lojas e salas de conferências, demandam relações diferentes entre número de pessoas e 
área. Isto deve ser observado no cálculo da população total do edifício. 
Número de andares do edifício 
Esta informação determina o número de paradas dos elevadores. 
Alturas de piso a piso dos andares 
Estas alturas, conjugadas com a informação do número de andares do edifício, determinam 
o percurso total dos elevadores. Para fins de cálculo, este percurso é considerado desde o 
piso acabado da primeira parada até o piso acabado da última parada. 
 
 
45 Ver seção 1.4 deste capítulo. 
Capítulo B \u2013 Especialidades de Projeto 130 
 
Tipos de portas dos elevadores 
As portas podem ser de abertura central (AC) ou abertura lateral (AL). A definição do tipo de 
porta, apesar de parecer muito técnica e específica, influi de maneira direta na análise de 
tráfego vertical do edifício, devido aos diferentes tempos de abertura e de fechamento das 
portas. 
A largura destas portas também influi nesta análise (Figura 41). A NBR NW 207 (ABNT, 
1999) pede uma largura mínima de 0,80m, que permite a passagem de uma pessoa por vez. 
Para a passagem de duas pessoas simultaneamente, a largura mínima necessária é 1,10m. 
Larguras intermediárias entre 0,80 e 1,10m permitem, portanto, a passagem de somente 
uma pessoa por vez, sendo que elas só se justificam no caso de acesso de equipamentos 
especiais ou deficientes físicos. 
 
Figura 41 \u2013 Largura de portas de elevadores 
Fonte: Elevadores Otis (1996) 
 
Capacidade dos elevadores 
A capacidade do elevador refere-se ao número máximo de passageiros que o mesmo 
transporta, descontando-se um, caso haja previsão de ascensorista. O número de 
passageiros define a área necessária para a cabine do elevador, cuja proporção de melhor 
funcionamento é a relação frente/ lado em torno de 3/2 (Figura 42). 
Capítulo B \u2013 Especialidades de Projeto 131 
 
 
Figura 42 \u2013 Proporção da cabine do elevador 
Fonte: Elevadores Otis (1996) 
 
Velocidade dos elevadores 
A velocidade ótima para os elevadores é definida após a análise completa do tráfego, pois, o 
incremento de velocidade do elevador melhora o seu desempenho, porém com um maior 
custo de aquisição. Para os cálculos iniciais, a velocidade é estabelecida em função da 
altura do edifício (Figura 43). 
 
 
Figura 43 \u2013 Velocidade de elevadores recomendada para edifícios não residenciais 
Fonte: NBR 5665 (ABNT, 1983) 
 
Quantidade de elevadores 
Os elevadores são agrupados conforme os andares que atendem, para fins de cômputo no 
cálculo de tráfego. 
 
Capítulo B \u2013 Especialidades de Projeto 132 
 
Conceituação do cálculo 
A NBR 5665 (ABNT, 1983) define a capacidade de transporte dos elevadores, que é a 
quantidade de pessoas transportadas no intervalo de cinco minutos. Para o edifício de 
escritórios, a quantidade mínima prevista varia de 12% (múltiplas entidades) a 15% 
(entidade única) da população total do edifício. Esta diferenciação decorre do fato de que, 
nas entidades únicas, há intensa circulação de pessoas entre os andares, enquanto que nas 
entidades múltiplas, ocorre majoritariamente a circulação entre o andar da empresa 
ocupante e o térreo, e vice-versa. Este dado é importante na formulação do produto pelo 
empreendedor e na conceituação do projeto do arquiteto, pois a diferença de capacidades 
pode resultar em elevadores adicionais, problema que, se resolvido somente em etapas 
posteriores, pode inviabilizar o empreendimento. 
Os dados de população transportada em cinco minutos e de intervalo de tráfego permitem a 
análise da eficiência do sistema. O intervalo de tráfego é o tempo de espera do passageiro, 
e seu cálculo considera também o tempo total de viagem de um elevador. Nesta viagem, 
são também consideradas as paradas prováveis (de acordo com a população da cabine e o 
número de paradas totais), os tempos de abertura de fechamento de portas, entrada e saída 
de passageiros, aceleração, desaceleração e corrida do carro do elevador. A NBR 5665 
(ABNT, 1983) prevê intervalos de tráfego máximos para edifícios de escritórios de acordo 
com o número de elevadores (Figura 44). 
 
Figura 44 \u2013 Intervalos de tráfego admissíveis para edifícios de escritórios 
Fonte: NBR 5665 (ABNT, 1983) 
 
A qualidade do serviço de transporte, que se estabelece em função do intervalo de tráfego 
(quanto menor o intervalo, melhor é a qualidade), tem seus requisitos mínimos determinados 
por norma, mas, dependendo do produto imobiliário que o empreendedor pretende oferecer, 
pode ser incrementada. Um bom estudo de tráfego equaciona, de modo econômico, a 
qualidade de serviço e a capacidade de tráfego. 
Capítulo B \u2013 Especialidades de Projeto 133 
 
O cálculo de tráfego para determinação do tipo e número de elevadores pode ser feito pelo 
próprio arquiteto, seguindo a NBR 5665 (ABNT, 1983) e manuais de fabricantes, ou por 
consultor especializado. Há também softwares de cálculo disponibilizados pelos fabricantes 
de elevadores nacionais, que podem ser utilizados para um pré-dimensionamento nos 
estudos de viabilidade do projeto. Na consolidação do mesmo, porém, é importante a 
validação por parte de uma consultoria especializada, pois o sistema de elevadores é um 
item de aquisição relativamente cara e cuja compra deve ser feita com grande antecedência 
em relação ao cronograma de obra. 
 
 
3.7.5 Disposição nos pavimentos 
 
Não há uma regra específica para a disposição dos grupos de elevadores. Alguns 
fabricantes nacionais (Atlas Schindler e Otis) sugerem arranjos em linha com largura 
máxima de três elevadores, e arranjos em alcova, isto é, dispostos frente a frente em hall 
comum, de quatro a oito elevadores (Figura 45). Van Deusen (2002) também sugere que um 
grupo de elevadores tenha a largura máxima de quatro unidades, de modo a facilitar o 
acesso do passageiro, que está no hall de espera, a qualquer um deles. 
 
 
3.7.6 Elevadores de uso especial 
 
Existem tipologias específicas de elevadores, relacionadas a seu uso. Em edifícios de 
escritórios, as mais comuns são: 
- Elevadores para passageiros e carga: têm dimensões maiores de cabine, acabamentos 
para resistir a impactos ocasionais de transporte de mobiliário e equipamentos e grande 
capacidade de carga. Não devem ser confundidos com monta-cargas, que são 
elevadores exclusivos de carga e não permitem o acesso de passageiros; 
- Monta-cargas: elevadores de dimensões especiais para transporte exclusivo de cargas; 
- Elevador de emergência: obrigatório, em São Paulo, quando o edifício tem mais de 60m 
de altura (IT-11, Decreto Estadual 46076/01), é dotado de antecâmara própria, deve 
atender a todos os andares do edifício e tem especificidades em relação à alimentação 
elétrica e detalhes de poço; 
Capítulo B \u2013 Especialidades de Projeto 134 
 
Dois elevadores - arranjo em linha 
 
Três elevadores - arranjo em linha 
 
Quatro a oito elevadores \u2013 arranjos em alcova 
Figura 45 \u2013 Sugestão de arranjos de elevadores em hall 
Fonte: Elevadores Otis (1996) 
 
- Elevadores para deficientes: a plena acessibilidade ao edifício, prevista na norma NBR 
9050 (ABNT, 2004), tem disposições específicas para elevadores, regidas pela NBR NM 
313 (ABNT, 2007), que trata de cuidados, como a largura mínima de portas, dimensões 
de cabine, comandos com leitura em braile e avisos sonoros de chegada ao andar; 
- Elevadores com dois pavimentos: elevadores cuja cabine e paradas atendem 
simultaneamente a dois pavimentos. Normalmente o térreo conta com um mezanino, 
ligado por escadas rolantes, para direcionar o fluxo de entrada de passageiros. Os que