DIREITO FINANCEIRO E TRIBUTÁRIO – PONTO 13.
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DIREITO FINANCEIRO E TRIBUTÁRIO – PONTO 13.


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Ação judicial. Se a opção é a via judicial, o contribuinte poderá suspender a exigibilidade do crédito tributário mediante o depósito do montante integral do valor exigido pelo Fisco. Trata-se de direito do contribuinte, que não pode ter seu exercício obstado pela Fazenda Pública (STJ, REsp 196.235/RJ).
Impugnação administrativa. Se a opção é a via administrativa, a própria instauração do processo administrativo fiscal tem por efeito a suspensão da exigibilidade do crédito, mas pode o contribuinte decidir realizar o depósito do montante integral como meio de se livrar da fluência dos juros de mora. Assim, só faz sentido falar em depósito do montante integral caso haja algum litígio judicial ou administrativo instaurado ou na iminência de instauração.
Decisão final favorável ao Fisco
Na hipótese de, ao término do litígio, decidir-se que o crédito é efetivamente devido, ocorrerá a automática conversão do depósito em renda (hipótese de extinção do CT). Nesse caso, tendo sido feito o depósito do montante integral, não será cobrado mais nenhum outro valor do sujeito passivo a título de juros ou multa de mora.
Decisão final favorável ao contribuinte
Na hipótese de o sujeito passivo obter decisão favorável, ele tem direito de levantar o valor depositado, corrigido conforme previsto em lei (na esfera federal a taxa é a SELIC).
Obs: nos casos em que transita em julgado uma decisão judicial extinguindo o processo sem julgamento do mérito, o STJ entende que o depósito deve ser convertido em renda, pois a única hipótese que ensejaria o levantamento do depósito seria a decisão favorável ao contribuinte, passada em julgado (EREsp 215.589/RJ)
Valor do depósito. Súmula 112/STJ: O depósito somente suspende a exigibilidade do crédito tributário se for integral e em dinheiro. 
O depósito é uma faculdade do contribuinte para suspender a exigibilidade do crédito. No entanto, caso queira questionar administrativa ou judicialmente o crédito, poderá fazê-lo sem que seja indispensável o depósito. Nesse sentido:
Súmula vinculante n.° 21: É inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso administrativo.
Súmula vinculante n.° 28: É inconstitucional a exigência de depósito prévio como requisito de admissibilidade de ação judicial na qual se pretenda discutir a exigibilidade do crédito tributário.
4.3 RECLAMAÇÕES E RECURSOS ADMINISTRATIVOS
Reclamações
Com a impugnação instaura-se um litígio a ser dirimido por um órgão julgador de primeira instância (ou instância única).
Recurso
Decidido o processo em primeira instância e havendo previsão na lei do processo administrativo fiscal, poderá haver recurso contra a decisão, direcionado ao órgão de segunda instância.
Efeito suspensivo das reclamações e recursos
Tanto no caso das reclamações, quanto no dos recursos propriamente ditos, haverá a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, não sendo possível ao Fisco promover qualquer ato de cobrança enquanto não encerrado o processo administrativo.
Pedido administrativo de compensação se enquadra nesse inciso e também suspende a exigibilidade do tributo (STJ, REsp 774.179-SC). STJ: O pedido administrativo de compensação tem o condão de suspender a exigibilidade do crédito tributário. (AgRg no REsp 1301890 / RS)
4.4 CONCESSÃO DE LIMINAR EM MANDADO DE SEGURANÇA
Não pode o juiz expedir ordem impedindo que a autoridade fiscal promova o lançamento, sob pena de se inverter o perigo da demora (possibilidade de ocorrência da decadência). A concessão da liminar apenas proíbe a promoção de atos executórios, impedindo a exigibilidade do crédito.
4.5. PARCELAMENTO
O parcelamento será concedido na forma e condição estabelecidas em lei específica. Essa lei específica é lei do membro da Federação com competência para a instituição do tributo. Assim, haverá em cada ente federado a edição de duas leis específicas sobre parcelamento. Salvo disposição de lei em contrário, o parcelamento do CT não exclui a incidência de juros e multas. 
\ufffd Aqui o CTN não foi feliz ao utilizar a palavra \u201crevogado\u201d. Isso porque o reconhecimento de moratória concedida por lei é ato administrativo vinculado e, como tal, irrevogável. As hipóteses são de anulação ou de cassação.