DIREITO FINANCEIRO E TRIBUTÁRIO  – PONTO 14.
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DIREITO FINANCEIRO E TRIBUTÁRIO – PONTO 14.


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ou seja, cada parte cede parcela de seu direito com o objetivo de atingirem ponto de interesse para ambas, terminando o litígio e extinguindo o crédito tributário.
Obs1: 2. Na desistência dos embargos à execução fiscal (movida pela FN) por adesão ao Parcelamento junto à Fazenda Nacional, o encargo de 20% de que cuida o art. 1º do DL n. 1.025/69, de compulsória inclusão, faz às vezes dos honorários advocatícios, quer se entenda a adesão como transação, quer como faculdade do contribuinte (SÚMULA n. 168 do ex-TFR c/c EREsp n. 445.582/RS). AC 2006.01.99.000903-0/MG em jun/08
9.5 Prescrição e decadência
Decadência
Conceito: fulmina o direito potestativo de lançar o crédito tributário (por isso seria melhor classificá-la como forma de exclusão do crédito e não de extinção). O lançamento é o divisor de águas entre a prescrição e a decadência. Assim, dito de forma simples e direta, a decadência é o prazo para o Fisco lançar, apurar ou determinar o crédito tributário.
Segundo o prof. Ricardo Alexandre, a doutrina majoritária tem entendido que o transcurso in albis do prazo para a homologação não apenas configura homologação tácita, mas também decadência do direito de constituir o crédito tributário relativo a qualquer diferença entre o valor antecipado pelo sujeito passivo e aquele que a ADM entende devido.
Início do prazo decadencial de 5 anos:
 
	a) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado \u2013 aplica-se o art. 173, I, do CTN (o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário, extingue-se após 5 anos, contados do primeiro dia do exercício financeiro seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado);
 	b) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado \u2013 aplica-se o parágrafo único do art. 173 do CTN (o prazo decadencial conta-se da data da notificação do sujeito passivo acerca da medida preparatória do lançamento);
 	c) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida \u2013 aplica-se a primeira parte do § 4º do art. 150 do CTN (o prazo decadencial conta-se da ocorrência do fato gerador);
 	d) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória \u2013 aplica-se o parágrafo único do art. 173 do CTN (o prazo decadencial conta-se da data da notificação do sujeito passivo acerca do ilícito tributário, medida indispensável para justificar a realização do ulterior lançamento);
	e) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior \u2013 aplica-se o art. 173, II, do CTN (o prazo decadencial conta-se da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado).
Nesta sistemática, poder-se-ia incluir a hipótese em que o débito tributário é declarado, mas não pago. Em tal situação, já afirmou o STJ, inclusive em recurso especial submetido ao regime dos recursos repetitivos, que a declaração formal do sujeito passivo do débito tributário, a exemplo da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais \u2013 DCTF e da Guia de Informação e Apuração de ICMS \u2013 GIA, é, por si só, modo de constituição do crédito tributário, não havendo que se falar, assim, em decadência.
Obs1: Se o contribuinte declara o débito total, mas não paga, não há falar em prazo decadencial, pois a declaração constitui o crédito. Nesse caso, passa a correr, de pronto, o prazo prescricional da pretensão executória.
Obs2: "no caso de tributos sujeitos a lançamento por homologação, o contribuinte, ao realizar o depósito judicial com vistas à suspensão da exigibilidade do crédito tributário, promove a constituição deste nos moldes do que dispõe o art. 150 e parágrafos do CTN." (EREsp 686.479/RJ, Rel. Ministra Denise Arruda, Primeira Seção, DJ 22.9.2008).
Prazo decadencial de contribuições para a Seguridade Social:
Súmula vinculante 08: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto-Lei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.
Suspensão do prazo decadencial: é possível visualizar no caso de uma medida judicial determinando expressamente que a autoridade tributária fica impedida de constituir o crédito tributário. Ricardo Alexandre elenca a hipótese do art. 173, II, que traz, além de hipótese de interrupção, caso de suspensão do prazo decadencial enquanto pender o processo em que se discute a nulidade do lançamento por vício formal. 
Interrupção do prazo decadencial: é possível visualizar no caso de vícios formais no lançamento anterior. Para Ricardo Alexandre, há de se perceber que a regra somente é aplicável quando o vício que constar do lançamento for de natureza formal (adjetivo), não aproveitando aos casos de vício material (substantivo). É importante também observar que parte da doutrina entende que o art. 173, II, do CTN estabeleceu hipótese de interrupção da decadência. Outra corrente defende não se tratar de prazo de interrupção, mas sim de concessão de novo prazo.
Prescrição
Conceito: ocorre quando a Fazenda Pública, tendo o crédito devidamente apurado e não pago, não realiza a cobrança judicial no prazo fixado em lei. Em outras palavras, prescrição é o prazo para o Fisco realizar a cobrança judicial do crédito tributário. 
Termo inicial: constituição definitiva do crédito tributário. Com a notificação inicial, abre-se um prazo pra o contribuinte pagar ou impugnar. Só após o transcurso desse prazo sem pagamento ou impugnação ou ao final desta é que a constituição do crédito será definitiva. Entre a notificação preliminar e a constituição definitiva não corre prescrição nem decadência. A declaração do contribuinte também dá início ao prazo, conforme acima explicado.
Prazo: cinco anos (CTN)
Prescrição intercorrente: Súmula 314 \u2013 STJ \u2013 \u201cEm execução fiscal, não localizados bens penhoráveis, suspende-se o processo por um ano, findo o qual inicia-se o prazo da prescrição qüinqüenal intercorrente\u201d. A prescrição intercorrente pode ser decretada de ofício, conforme alteração na Lei 6.830/80 efetuada pela Lei 11.051/2004: Art. 40 - § 4º Se da decisão que ordenar o arquivamento tiver decorrido o prazo prescricional, o juiz, depois de ouvida a Fazenda Pública, poderá, de ofício, reconhecer a prescrição intercorrente e decretá-la de imediato.
Obs1: TRF1 entende que o § 4º tem natureza processual, aplicando-se de imediato aos processos em curso. Há posição diversa, sustentando que como esse parágrafo foi acrescentado pela Lei 11.051/04, o reconhecimento da prescrição só se faria possível a partir de 2009, pois não se pode aplicar a lei retroativamente. 
Obs2: STJ: "Ainda que a execução fiscal tenha sido arquivada em razão do pequeno valor do débito executado, sem baixa na distribuição, nos termos do art. 20 da Lei 10.522/2002, deve ser reconhecida a prescrição intercorrente se o processo ficar paralisado por mais de cinco anos a contar da decisão que determina o arquivamento, pois essa norma não constitui causa de suspensão do prazo prescricional" (DJe de 8.6.2009).
Obs3: § 5º A manifestação prévia da Fazenda Pública prevista no § 4o deste artigo será dispensada no caso de cobranças judiciais cujo valor seja inferior ao mínimo fixado por ato do Ministro de Estado da Fazenda. (Incluído pela Lei nº 11.960, de 2009)
Suspensão da prescrição: suspendem a prescrição as causas de suspensão da exigibilidade do crédito tributário. 
A Lei 6.830/80 (art. 2º,