DIREITO FINANCEIRO E TRIBUTÁRIO – PONTO 16.
10 pág.

DIREITO FINANCEIRO E TRIBUTÁRIO – PONTO 16.


DisciplinaDireito Financeiro e Tributario I1.361 materiais5.251 seguidores
Pré-visualização4 páginas
de que o STF venha a alterar novamente o seu posicionamento.
Fundamentos contra a quebra de sigilo: 
- a vida em sociedade pressupõe segurança e estabilidade, e não a surpresa. E, para garantir isso, é necessário o respeito à inviolabilidade das informações do cidadão. É necessário assegurar a privacidade. A exceção para mitigar esta regra só pode vir por ordem judicial. Faz-se presente, no caso, a necessidade de reserva de jurisdição. Isto em nada compromete a competência para investigar atribuída ao poder público, que sempre que achar necessário, poderá pedir ao Judiciário a quebra do sigilo.
Fundamentos a favor da quebra de sigilo: 
- a lei que regulamentou a transferência dos dados sigilosos das instituições financeiras para a Receita Federal respeita as garantias fundamentais presentes na Constituição Federal. Não existe quebra de privacidade do cidadão, mas apenas a transferência para outro órgão dos dados protegidos.
\u2013 Deveres das autoridades fiscais
	 2.2.1 - dever de documentar o início do procedimento: art. 196. 
		
Três efeitos tem esse dever: 1) precisar o termo inicial do prazo para conclusão; 2) antecipar a contagem do prazo decadencial (173, p.u.); 3) afastar a espontaneidade do sujeito passivo, para efeitos da denúncia espontânea.
2.2.2 - o dever de manter sigilo e suas exceções
		Previsto no caput do art. 198: Sem prejuízo do disposto na legislação criminal, é vedada a divulgação, por parte da Fazenda Pública ou de seus servidores, de informação obtida em razão do ofício sobre a situação econômica ou financeira do sujeito passivo ou de terceiros e sobre a natureza e o estado de seus negócios ou atividades 
		Exceções ao sigilo (art. 198, §§ 1º, 2º e 3)
		1) Excetuam-se do disposto neste artigo, além dos casos previstos no art. 199, os seguintes:  I \u2013 requisição de autoridade judiciária no interesse da justiça; II \u2013 solicitações de autoridade administrativa no interesse da Administração Pública, desde que seja comprovada a instauração regular de processo administrativo, no órgão ou na entidade respectiva, com o objetivo de investigar o sujeito passivo a que se refere a informação, por prática de infração administrativa.
O intercâmbio de informação sigilosa, no âmbito da Administração Pública, será realizado mediante processo regularmente instaurado, e a entrega será feita pessoalmente à autoridade solicitante, mediante recibo, que formalize a transferência e assegure a preservação do sigilo.
 Não é vedada a divulgação de informações relativas a: I \u2013 representações fiscais para fins penais; II \u2013 inscrições na Dívida Ativa da Fazenda Pública; III \u2013 parcelamento ou moratória. 
Obs.: para fins penais, a representação fiscal somente será encaminhada ao MP após proferida decisão final na esfera administrativa, sobre a exigência fiscal do crédito tributário (art. 83, Lei 9.430). Isto porque, antes desta decisão, pode nem haver lançamento, com o quê, não haverá materialidade para crimes (ao menos crime contra a ordem tributária \u2013 Lei 8137 - SV 24).
Obs. 2: CADIN (Cadastro informativo dos créditos não quitados de órgãos e entidades federais)\u2013 a inscrição no CADIN e a obstaculização do exercício de direitos (p. ex., contratação de crédito público): sanção política? 
\u201cO poder público não está impedido de manter um cadastro de devedores. Todavia, o que não se permite é que as empresas inscritas possam ser privadas das operações declinadas no art. 6º da MP 1490/12 (ADIN 1178-2). II \u2013 Em face da decisão do STF, devem as empresas, quando da realização de qualquer das operações enumeradas naquele art., postular não a exclusão do CADIN, mas sim o direito a tal operação, demonstrando o dano que sofrerão caso não possam efetuá-las (TRF1, AMS 1997.01.00.051678-9/MG, Cândido Ribeiro).
Tal entendimento, porém, não se aplica a débitos previdenciários, por aplicação do disposto no art. 195, §3º da CF \u2013 débitos com a seguridade, impedem certas contratações com o Poder Público.
			
\u2013 Permuta de informações sigilosas entre entes tributantes
		Art. 199. A Fazenda Pública da União e as dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios prestar-se-ão mutuamente assistência para a fiscalização dos tributos respectivos e permuta de informações, na forma estabelecida, em caráter geral ou específico, por lei ou convênio
 Parágrafo único. A Fazenda Pública da União, na forma estabelecida em tratados, acordos ou convênios, poderá permutar informações com Estados estrangeiros no interesse da arrecadação e da fiscalização de tributos.
\u201cEmenta: .... II. Não há qualquer óbice à utilização pelo Fisco Federal de autos de infração lavrados pelo Fisco Estadual. Ao contrário, tal procedimento é expressamente previsto no art. 199, do Código Tributário Nacional e é de extrema utilidade para a apu\u200bração de ilícito fiscal cometido pelo contribuinte, já que, comprovada a insuficiência do recolhimento do ICMS, presume-se a omissão do imposto de renda (IRPJ). ....\u201d (TRF-1ª Região. AC 1998.01.00.026264-5/BA. Rel. Juiz Wilson Alves de Souza (convocado). 3ª Turma Suplementar. Decisão: 16/06/05. DJ de 04/08/05, p. 107.)
	
	O art. 200 do CTN:
	Art. 200. As autoridades administrativas federais poderão requisitar o auxílio da força pública federal, estadual ou municipal, e reciprocamente, quando vítimas de embaraço ou desacato no exercício de suas funções, ou quando necessário à efetivação dê medida prevista na legislação tributária, ainda que não se configure fato definido em lei como crime ou contravenção.
	STF: os agentes do fisco só podem ingressar em escritórios de empresas quando autorizados por quem de direito (sócio, gerente, etc). Em caso de recusa, não podem os agentes simplesmente requerer auxílio da força pública. \u201cSem que ocorra qualquer das situações excepcionais taxativamente previstas no testo constitucional (art. 5º, XI), nenhum agente público, ainda que vinculado à administração tributária do Estado, poderá, contra a vontade de quem de direito, ingressar, durante o dia, sem mandado judicial, em espaço privado não aberto ao público, onde alguém exerce sua atividade profissional. (\u2026)\u201d
	Também não é obrigado o administrado exibir documentos que o auto-incrimine.
3 \u2013 Dívida ativa
\u2013 Conceito
Constitui dívida ativa tributária a proveniente de crédito dessa natureza, regularmente inscrita na repartição administrativa competente, depois de esgotado o prazo fixado, para pagamento, pela lei ou por decisão final proferida em processo regular. 
	Na esfera federal, a \u201crepartição administrativa competente\u201d para inscrição da dívida é a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional.
	O único objeto da inscrição do crédito tributário como dívida ativa é possibilitar futura execução fiscal.
	Não se exige a notificação da inscrição. Isto porque, a notificação do lançamento supre eventual contraditório a ser instaurado.
	
	Declaração de débito pelo sujeito passivo como suporte para a inscrição em dívida ativa: as declarações prestadas pelo contribuinte ao sujeito ativo da obrigação tributária, seja no cumprimento de obrigações acessórias, seja pela confissão de dívida para parcelamento, são consideradas pelos tribunais como supletivas da necessidade de lançamento por parte da autoridade fiscal que pode simplesmente encaminhá-las para inscrição em dívida ativa.
	Também a declaração de compensação constitui confissão de dívida que, quando não homologada ou providos recursos do contribuinte, enseja a inscrição do débito em dívida ativa.
	Inscrição do valor declarado e inscrição posterior de lançamento suplementar: 
	Art. 2º, § 2º, LEF: a dívida ativa abrange atualização, juros, multas e demais encargos
	Encargo de 20% do DL 1025/69: quando a dívida ativa da União, suas autarquias e fundações, é inscrita, passa a ser devido o encargo legal de que trata o DL 1025, de 10% antes de ajuizada a execução fiscal e de 20% após o ajuizamento. 
STJ: