DIREITO TRIBUTÁRIO E FINANCEIRO - PONTO  08.2
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DIREITO TRIBUTÁRIO E FINANCEIRO - PONTO 08.2


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acontecer mesmo antes que se opere a saída do produto, a critério da Receita Federal, nos termos do art. 1º, § 1º, do Decreto-Lei nº 1.578/77.
	Interessante é o conceito de produto nacionalizado, constante na Constituição. O § 1º do art. 221 do Decreto nº 91.030/85, que preconiza, in verbis: \u201cConsidera-se nacionalizada a mercadoria estrangeira importada a título definitivo\u201d.
	Em face da implantação do SISCOMEX e do conseqüente processamento eletrônico de diversos atos inerentes ao comércio exterior, não há mais guias de importação, sendo seu equivalente o \u201cregistro da exportação\u201d, junto ao SISCOMEX. 
	Art. 213, parágrafo único, do Decreto 4.543/02 (Regulamento do IE): Para efeito de cálculo do imposto, considera-se ocorrido o fato gerador na data do registro de exportação no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex) (Decreto-lei no 1.578, de 1977, art. 1o, § 1o). O STF tem ressaltado que o registro de exportação não pode ser confundido com o registro de venda, este irrelevante para a incidência do imposto (RE 235.858/PE; RE 223.796/PE). Mas o STJ tem precedentes recentes, da 1º e da 2º Turmas, no sentido de que o fato gerador do imposto de exportação ocorre na data do registro de venda (Resp 225.546/PR; Resp 382.494/PR).
	Quanto ao critério espacial, o imposto é cobrado de operações ocorridas no território nacional, assim considerado o território geográfico, excluído o que decorre da extraterritorialidade, como as representações diplomáticas no exterior, as aeronaves e as embarcações brasileiras.
Base de cálculo: é o preço normal que a mercadoria, ou sua similar, alcançaria ao tempo da exportação, em uma venda em condições de livre concorrência no mercado internacional, observadas as normas expedidas pelo Conselho Monetário Nacional (Decreto-lei nº 1.578/77, art. 2º).
	A base de cálculo do imposto de exportação será: 
a) a quantidade de mercadoria: expressa na unidade de medida indicada na Tarifa Aduaneira do Brasil (TAB), quando a alíquota for específica (aquela alíquota que prevê importâncias fixas, aplicáveis em relação aos modos de apresentação do produto exportado). Por exemplo: imposto de tantos reais por tonelada.
b) a expressão monetária do produto exportado, isto é, o preço normal: alíquota ad valorem. A base de cálculo, desse modo, é o preço normal que o produto alcançaria em uma venda em condições de livre concorrência no mercado internacional. Portanto, o fisco não está vinculado ao valor consignado na fatura comercial.
c) preço da arrematação do produto adquirido em licitação não é o preço normal ou de referência da mercadoria.
Obs: as bases de cálculo são as mesmas no Imposto de Importação e no Imposto de Exportação.
Alíquotas: Estão previstas na TAB (Tarifa Aduaneira do Brasil), podendo ser:
específicas: valor em dinheiro que incide sobre uma unidade de medida prevista em lei, que pode referir-se à metragem, ao peso, etc. Exemplo: R$ 2,00 por cada quilo.
Ad valorem: aplicação de alíquota sobre determinado valor da operação. Atualmente é de 30%, uma vez que a Lei 9.716/98 facultou ao Executivo aumentá-la até cinco vezes. Portanto, a alíquota máxima é de 150% (art. 3º do DL nº 1.578/77). 
Classificação (igual ao II):
- Legal:
# de acordo com a categoria econômica - CTN: Imposto sobre comércio exterior
# de acordo com a competência - Constituição Federal : competência da União
- Doutrinária
# Real - é imposto que incide sobre coisas;
# Indireto;
# Proporcional - qualquer que seja a quantidade a alíquota vai permanecer constante;
# Extrafiscal - tem outras finalidades além de arrecadar dinheiro;
Notas gerais: 
Este imposto não atende aos princípios da anterioridade (art. 150, § 1º, CR), da legalidade \u2013 as alíquotas podem ser majoradas pelo Poder Executivo (art. 153, § 1º, CR) e da anterioridade nonagesimal (art. 150, § 1º, parte final, CR).
a) DUMPING: É um instituto ou prática desleal nas relações de comércio externo entre os países, em que um dos países procura colocar seus produtos no outro a preço vil, abaixo dos seus custos no país de origem, com a finalidade de conquistar mercado e eliminar a concorrência.
b) EXPORTAÇÃO TEMPORÁRIA: Consiste na permissão dada para saída de produto nacional ou nacionalizado para o exterior por período determinado desde que retorne ao Brasil. Ex.: carros que vão participar de feiras ou exposição; ou produtos importados que voltam para reparação. Não se sujeita à incidência do IE.
c) CONTINGENCIAMENTO: São unidades ou cotas permitidas para exportação. O Brasil diz que só pode exportar \u201cx\u201d unidades porque o que ultrapassar vai prejudicar a economia interna, ou abastecimento do mercado interno.
Obs.: Portos secos \u2013 criados pelo governo em 1995 p/ diminuir o congestionamento de mercadorias nos portos e aeroportos, foram instalados em cidades do interior e funcionam como postos da Receita Federal, nos quais se faz desembaraço aduaneiro. Na verdade, são armazéns usados para estocar bens enquanto a Receita libera seu comércio no país ou seu embarque para o exterior. São geridos por concessionários da Receita e cobram 33% menos que os portos e 90% menos que os aeroportos. 
IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS
Competência e sujeito ativo: União.
	IPI é imposto real.
Seletividade obrigatória.
Não cumulativo.
	Kiyoshi Harada ressalta que a \u201ctendência do IPI é restringir-se à tributação de produtos considerados suntuários ou de luxo, com o que o imposto passará, efetivamente, a ter caráter seletivo, contribuindo para a consecução da justiça social, já que indiscutível sua natureza de imposto de consumo\u201d.
Sujeito passivo: De acordo com o art. 51 do CTN, será contribuinte do IPI:
o importador ou quem a lei a ele equiparar;
o industrial ou quem a lei a ele equiparar;
o comerciante de produtos sujeitos ao imposto, que os forneça a industriais ou a estes equiparados;
o arrematante de produtos apreendidos ou abandonados, levados a leilão.
Fato gerador: O fato gerador ocorrerá:
com a importação (início do desembaraço aduaneiro)
com a saída do estabelecimento industrial ou equiparados dos produtos industrializados;
aquisição em leilão de produto abandonado ou apreendido;
outras hipóteses específicas da lei, como no caso de saída de produtos de estabelecimentos equiparados a industrial ou a primeira saída por revenda de produtos importados, etc.
	Considerar-se-á ocorrido o fato gerador nas situações de retorno da mercadoria. No entanto, não prevalecerá nos seguintes casos, inexistindo recolhimento, quando houver:
retorno de mercadoria enviada em consignação e não vendida no prazo autorizado;
retorno de mercadoria (=devolução), por motivo de defeito técnico, para reparo ou substituição;
retorno de mercadoria, em face de modificações na sistemática de importação do país importador;
retorno da mercadoria, por motivo de guerra ou calamidade pública;
retorno de mercadoria, por outros fatores, alheios à vontade do exportador.
Conceito de produto industrializado: Considera-se industrializado, para fins de incidência de IPI, o produto que tenha sido submetido a qualquer operação que lhe modifique a natureza ou a finalidade, ou o aperfeiçoe para consumo, tais como a transformação, o beneficiamento, a montagem, etc.
	Deve-se ressaltar que a legislação do IPI amplia o conceito de produto industrializado, nele incluindo operações como o simples acondicionamento ou embalagem, que na verdade não lhe modificam a natureza, nem a finalidade, nem o aperfeiçoam para o consumo. Tal ampliação viola o art. 46, parágrafo único, do CTN. Configura, outrossim, flagrante inconstitucionalidade, na medida em que o conceito de produto industrializado, utilizado pela Constituição para definir a competência tributária da União, não pode ser validamente ampliado pelo legislador ordinário\u201d (art. 110 CTN) \u2013 entendimento de Sabbag.
Base de Cálculo: A base de cálculo variará conforme a hipótese