A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
143 pág.
Graca Abundante ao Principal dos Pecadores   John Bunyan

Pré-visualização | Página 3 de 35

viver pacificamente e seguir sua profissão, 
para o sustento de sua família. Além disso, meu senhor, tenho 
quatro crianças pequenas que não podem sustentar a si mesmas. 
Uma delas é cega, e nao lemos com que viver, a nao ser a caridade 
de pessoas bondosas
Juiz Hale: Você tem quatro tilhos? Ainda é muito jovem para tei qua- 
tro filhos
Elizabeth: Sou madrasta deles, casada com John Bunyan a menos de 
dois anos. De fato, eu esperava uma criança quando meu marido 
loi preso pela primeira vez. Conludo, sendo jovem e desacostumada 
a tais coisas, em desalento devido á noticia, entrei em trabalho de 
parto, o qual perdurou por oito dias, quando finalmente dei à luz. 
Mas a criança morreu.
Jtiiz Hale: Ali! pobre mulher!
Juiz Tuisdtn: Você ta: da pobreza um pretexto. Penso que seu marido 
tem melhor ganho pregando por todo 0 pais do que seguindo a sua 
profissão.
Jiiij Hale: Qual é a piotissão dele7 
Ur» espectador: Funileiro, meu senhor.
Elizabeth: Sim. E, poi sei ele um homem pobie e tunileiro, é despre­
zado e não pode gozar de justiça
Jui: Hale; Digcvlhe, senhora, percebendo que tomaram o que seu ma­
rido disse como base para uma condenação, que você deve ou apelar 
ao rei, por si mesma, ou solicitar o perdão dele, ou conseguir a decla- 
raçao do caso como sendo injusto.
JuiZ Chester: Meu senhor, ele pregará c tarã o que quiser.
M C iR A t.lA A lU JN O A N I I A O I’ R IN t l l 'A I IH »S P M A IH JH I S
Elizabeth: Ele não prega outra coisa, senão a Palavra de Deus.
Juiz Tu isden: Aquele homem prega a Palavra de Deus! Ele vive cau­
sando problemas.
Elizabeth: Nao meu senhor, nao! Nao c assim. Deus o tem usado e
realizado muitas coisas boas por meio dele
Jmu Tímdew (praguejando): A doutrina dele é do diabo!
Elizabeth: Meu senhor, quandoo justo Juiz aparecer, ficará conhecido
que a doutrina de Dunyan não é do diabo
Bunyan passou doze anos na prisáo. Sua liberdade lolal ocorreu so­
mente em 1672.
Como o seu aprisionamento continuava, ano após ano, Bunyan 
buscou um significado mais profundo para o sofrimento que enfrentava. 
Eventualmente, ele chegou á convicção de que “a igreja sob o logo da per­
seguição é como Ester na câmara dos perfumes”, preparando^e para “a 
presença do rei”. Contudo, este tempo de sofrimento gerou também outro 
tipo de fruto, pois, quando os lábios de Bunyan foram silenciados para a 
pregação, ele começou a escrever. Graça /{bnndarile ao Principal dos Pecadores 
está entre os livros que escreveu durante os doze anos de aprisionamento
Ú l t i m o s a n o s
Bunyan toi solto na primavera de 1672 e recebeu um convite para 
pastorear a igreja de Bedford. Logo se tornou conhecido na região como 
poderoso pregador. Por exemplo, quando ele pregava em Londres, aproxi­
madamente mil e duzentas pessoas afluíam para ouvi-lo, com regularidade, 
em manhãs de dias de semana; e não menos do que trés mil o ouviriam nos 
domingos, se ele estivesse lá!5
Foi numa dessas viagens, de Reading para Londres, em agosto de 
1688, que Bunyan toi apanhado por uma tempestade intensa. Encharcado 
pela chuva, a principio, ele parecia estar bem, mas logo surgiu uma febre e,
I S I K O I HM, Ã O J o h n U l N t A N ( 1 6 2 8 l í . 8 8 ) 1 ')
talve:, pneumonia. Ele morreu em 31 de agosto de 1688, na casa de John 
Strudwick, um amigo e comerciante de Londres. Bunyan toi entenado no 
tarnoso cemitério nãcxontot mista de Londres, Bunhill Hields Ele poderia 
ter afirmado, como o tez o Sr. Firmeza, um de seus heróis em O Peregrino, 
Parte Dois; “Agora verei aquela cabeça que toi coroada com espinhos e aque­
la face que toi cuspida em meu tavor”.
A d e n d o s o b r i a f i l i a ç ã o d e B u n y a n à i g r e j a
Embora nao haja registro do batismo de Bunyan, Charles Doe, seu 
primeiro editor, que o conheceu bem, estabeleceu 1651 como o ano de 
batismo de Bunvan, ainda que admitindo a possibilidade de o batismo 
ter ocorrido um ano ou dois mais tarde. Por outro lado, Ocoigc Cokay- 
ne (1620-1691), o mais antigo biógiato de Bunyan e amigo de confiança, 
considerou 1655 como o ano em que Dunyan toi batizado por seu pastor, 
John Giftòrd. Independentemente do ano exato, nào há boas razões para 
rejeitarmos a lortc tradição dc que Bunyan loi balizado e se uniu á igreja de 
Bedtord nos primeiros anos da década de 1650; essa igreja seria sua casa es­
piritual até à morte, 30 anos depois. F, importante ressaltar que, durante a 
controvérsia de Bunyan com W illiam Kitfin (1616-1701), o lider da restrita 
comunhão balisla calvinisla, esle descreveu explicilamenle Bunyan como 
um irmão “batista”. Além disso, no pretáciodo livro Some Smoiis Reflectiam 
(Algumas Retlexóes Sérias — 1673), escrito por Thomas Paul, Kiftin descre­
veu Bunyan como contrário ao batismo de crianças e favorável ao “batismo 
de crenlcs depois de sua profissão dc lé cm Crislo”.
Quanto a esta controvérsia a respeito de Bunyan ser ou não um batis­
ta, veja especialmente A llistory o f rhe Baptúts (Unia Hitória dos Batistas), 
escrito por Thomas Armitage (New York. Bryan, Taylor, & Co., 1887), pá­
ginas 529 a 539; Jolm Dunyan (1628 1688): His Life, Times, and Woiks (John 
Bunyan: Sua Vida, Época e Obra), escrito por John Brown, revisado por 
Franlc Mott Harrison (I-ondon/Glasgow/Birmingham: The Hulbert Pu- 
blishing Co., 1928), páginas 221 a 225, 236 a 238, “Wos John Bunyan a 
Daptist! A Gise Studv in Histoiiogiaphy” (John Bunyan era um Batista? Um
M C iK M , A A l t ! NDANI I I A t ) P H I N i l I 'A I I>ON P i I A D O M I S
Estudo na Historiografia), escrito por Joseph D. Ban, publicado em The 
Baptist Quarterly ( 0 Batista Trimestral), n° 30 (1983-1984), páginas 367 a 
37Ó Este autor concorda (ou Eu concordo ; ) com a estimativa de Richard 
L Greaves, ao afirmar que “Runyan é corretamente considerado um ha- 
lisla dc comunhão abcrla” (“Conscicncc, Liberty, and the Spirit: Bunyan 
and Nonconformity” [Consciência, Liberdade e o Espiiito: Bunyan e a Dis­
sensão], em Joint Human; Cmvntkle and Parnassus Tercentenary Essays (John 
Bunyan: Reunifies Secretas e Parnaso. Ensaios Tricentenários 1, editado [tor 
N. H. Kccble [Oxlord: Clarendon Press, 1988], p. 350.) Quanlo a esla opi­
nião, veja também John Bunyan: Puritan Pastoi (John Bunyan: Pastor Puiita- 
no), escrito por Kenneth Dix (The Fauconbetg Press tot the Strict Baptist 
Historical Society, 1978), página 8.
M ichael l la yk in
Noras
1 The Wotki of tfie R«>. John Newton (George King LolkIou. 1833). 1, buucv
2 the Doctrine of Law and Grace Unfolded, cd Richard L Grcave9 (Clarendon Pr«9 
Oxford) pp 146-7
3 W R Owens, cd , John Buman- Gmee Abounding to the Chicf of Sinners (Harmondnvortli 
Middlesex, 1987) pp 127, u 137
4 Baseado em Eiuabedi Bunyaa pleads with Judge Mathew H ale. The Bible League 
Quarterly H2 (Jidy'SrpmnlnT I98S), jip 14S-6
5 T L Underwood, John Bunyan A Tercentenary’ Amencaii Baptist Q muted?, 7 (1988), 
P 43«)
“Cotuidtnïul/is todas esUis 
rircumtrinrios, engrandeço 
o Dais do c á I e da terra, 
porque\ por meio delas, Ele 
me troiixe ao mundo, a 
f im de participar da graça 
e da i id a que estão em 
Grúfo, mediante 
o ewnge lho . ”
c ] / ’ c V
^ * i y n i t
OS PRIMEIROS ANOS
este relato do misericordioso proceder de Deus para comi­
go, náo estaria errado se começasse mencionando alguns de- 
laLlies de minha vida e criaçao, para que a amabilidade e a
bondade de Deus para comigo se tornem ainda mais evidentes pata o leitoi 
Quanto ao meu contexto social, nasci, como muitos hão de saber, 
numa tamilia dc origem humilde. Os pais de meu pai eram de posição 
social deslavorecida e estavam enlre os mais desprezados da sociedade. Por 
essa razão, não posso orgulhar-me, como outtos, de ter sangue nobre ou 
qualquer parentesco distinto, herdado por nascimento. Consideradas to­
das estas circunstâncias, engrandeço