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Graca Abundante ao Principal dos Pecadores   John Bunyan

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me atacarem com reprovações e acusações caluniosas. 
Posso dizei que os planos do diabo e seus instrumentos forjados contra 
mim circulavam de um lado a outro do pais, com o objetivo de, como eu 
já disse, me fazer abandonar o ministério. Entre as pessoas começaram a 
espalhar-se rumores de que eu era bruxo, um jesuíta, um salteador ou coisa 
assim. A tudo isso devo apenas dizer que Deus sabe que sou inocente. Mas 
quanto aos meus acusadores, que se preparem para me encontrar diante do 
tribunal do Filho de Deus, para responder por todas essas coisas e por suas 
demais iniquidades, a não scr que Deus lhes conceda arrependimento; e 
oro com todo meu coraçao para que ele faça isso.
Mas, o que propagaram com a mais audaz segurança foi que eu tinha 
amantes, prostitutas, filhos ilegítimos, duas mulheres ao mesmo rempo 
e coisas desse tipo. Eu íuc glorio nessas acusações difamatórias, como 
também nas outras, pois elas nao passam de calúnias, mentiras absurdas 
e abomináveis e falsidades lançadas sobre mim pelo diabo e sua prole. 
Se, no mundo, eu não passasse por esse perverso caminho, me faltaria 
uma das características dos santos c dos filhos de Deus. “Bem-aventurados 
sois”, diz o Senhor Jesus, “quando, por minha causa, vos injuriarem, e vos 
perseguirem, e, mentindo, disserem todo mal contra vós Regozijai-vos e 
exultai, porque é grande o vosso galardão nos céus, pois assim perseguiram 
aos profetas que viveram antes de vós” (Ml 5.11-12).
Por conseguinte, quanto a mim, essas coisas nao sao causa de 
aflição — não, ainda que fossem vinte vezes piores do que são. Tenho uma 
consciência tranquila, e, enquanto falam de mim como um malfeitor, quem 
acusa falsamente minha boa conduta em Cristo c que deve se envergonhar. 
Então, o que devo dizer àqueles que me têm desonrado dessa maneira? 
Devo ameaçá-los? Devo censurá-los? Devo lisonjeá-los? Devo pedir-lhes que 
retenham sua lingua? Náo, não devo. Se essas coisas não tornassem seus 
autores c cúmplices prontos para a maldição, eu lhes diria: “Podem dizer 
isso, porque assim vocês aumentarão a minha glória” Portanto, tomo essas 
mentiras e acusações caluniosas como ornamento para minha pessoa; ser 
difamado, caluniado, censurado e ultrajado faz parte da minha profissão 
cristã; c, desde que tudo isso é nada, como Deus c ininha consciência
1(1 A M K V l r t » 1)1 C K I V I O l M t‘ K I U A I H > K l ) A P A I A V K A ) {* £ 1 1 í
testificam, regozijo-me em ser censurado por amor a Cristo.
Ademais, togo aos loucos e ímpios que têm teito de sua ocupaçao 
o afirmar a meu respeito as coisas já mencionadas — isto é, que tenho 
vivido uma vida impura ou coisa semelhante — que, ao cheçarem ao seu 
limite ou tiverem téito o mais completo questionamento possível, vejam se 
podem provar, contra mim, que há qualquer mulher no céu, ou na terra, 
ou no interno, que diga que eu tenha em qualquer tempo ou lugar, de 
dia ou de noite, ao menos tentado qualquer indiscrição ou familiaridade. 
Estou lalando assim para implorar que meus inimigos pensem bem de 
mim? Nao, nao estou. Nesse assunto, nao implorarei o tavor de ninguém 
Pata mim, tanto ta2 se acreditam ou não Meus adversários erraram o alvo 
quando atiraram em mim. Eu não sou a pessoa a quem buscam. Posso 
apenas desejar que sejam inocentes. Se todos os fornicadores e adúlteros 
da Inglaterra tossem pendurados pelo pescoço, até que morressem, John 
Bunyan, o objeto de sua inveja, ainda estaria vivo e bem. Com exceção 
de minha esposa, náo conheço outra mulher viva debaixo do céu, a náo 
ser pelas roupas que ela veste, por seus lilhos ou pela maneira normal de 
conhecermos as pessoas.
Admiro a sabedoria de Deus nisso, em ele me tet feito prudente a 
esse respeito, desde a minha conversão até aqui. Aqueles dos quais tenho 
sido mais intimamente conhecido sabem e podem testemunhar que é raro 
me verem comportar-me de modo tamiliai pata com mulheres. A torma 
comum de cumprimentos me é detestável — é repulsivo para mim em 
quem quer que eu veja. Náo posso aprovar ser encontrado sozinho em 
companhia de mulheres, pois penso que eslas coisas sáo inapropriadas. 
Quando vejo bons homens cumprimentando as mulheres que eles visitam 
011 que os visitaram, tenho por veze* levantado objeção a isso. E, quando 
eles respondem que tal atitude é apenas um ato comum de cortesia, digo- 
lhes que isso náo c uma opiuiáo apropriada. Alguns, de lato, estimulavam 
o “beijo santo”; então, eu questionava por que eles fazem exceção nessa 
prática — por que cumprimentam as mais bonitas dessa maneira e ignoram 
as que não são atraentes. Bem, ainda que tais coisas sejam elogiáveis aos 
olhos dos outros, sáo inconvenientes aos meus olhos.
E agora, para concluir este assunto, não apelo somente aos homens, 
mas também aos anjos que piovem se sou culpado de quebrai os votos 
matrimoniais Não tenho medo de fa:er isso pela segunda vez, sabendo que 
neste assunto não ofendo o Senhor por rogar-lhe que apresente um relato 
sobre minha alma, porque sei que nestas coisas sou inocente. Não tenho 
sido guardado porque há em mim qualquer bem, mais do que existe em 
outros; mas Deus tem sido misericordioso comigo e me tem preservado 
Oro para que ele continue a preservar-me, não apenas disso, mas de todo 
mau caminho c procedimento, bem como para que ele me guarde ale à 
vinda de seu teino celestial. Amém
Ora, enquanto Satanás trabalhava por meio de censuras e acusações 
caluniosas para me tá:er parecer desprezível enrre os meus compatriotas e 
para que minha pregação, se possivel, não tivesse eleilo, também me loi 
acrescentado um aprisionamento longo e cansativo, que tinha a finalidade 
de me afugentar do serviço de Cristo e aterrorizar o mundo sobre a idéia 
de me ouvir pregar. A respeito disso eu lhe darei em seguida um breve 
relato.
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"hti I trado d? im a à 
prisão, otide tenlio estado 
por doze an os completos. 
Durante todo esse tempo , 
esperei v er o que Deus 
permitiria que esses 
liomens fanam com igo. ”
UM PRISIO
AO EVANGELHO
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A SERVIÇO DE CRISTO 
UM PR ISIO N E IR O PO R A M O R 
AO EVANGELHO
C A epois de haver feito uma profissão do glorioso evangelho de 
/—s J Cristo por longo tempo c pregado durante quase cinco anos, 
v iui preso numa reunião de bons cristãos, entre os quais, se
as autoridades me tivessem deixado, teria pregado naquele dia Mas tui 
tirado deles e levado perante um magistrado. Apesar de eu ter oferecido 
segurança por comparecer às audiências seguintes, ele me encerrou (na 
prisão), pois as pessoas que deveriam garantir-me fiança não consentiriam 
em asseguiai que eu não mais piegaria às pessoas
Nas audiências subsequentes, tiii acusado de manter assembléias e reu- 
niões ilegais e de não contormar-mc ao culto nacional da Igreja da Inglaterra. 
E)epois de alguma discussão com os oficiais da lei, eles consideraram minha con­
duta honesta para com eles como uma confissão, de acordo com o que chama­
vam, da acusação pronunciada contra mim e sentenciaram-me à prisão perpétua 
porque recusei conformar-me. Sendo deixado nas mãos do carcereiro, fui levado 
de casa à prisão, onde lenho estado por do:e anos completos. Durante todo esse 
tempo es[Vrei ver o que Deus permitiria que esses homens fariam comigo. Pela 
graça, tenho continuado nestas circunstâncias com muito contentamento, em­
bora tenha enfrentando muita peleja e prcvaçáovmdas do Senhor, de Satanás c 
de minha própria cormpção. Poi meio de tudo isso - glória seja a Jesus Cristo - 
tenho recebido, entre outras coisas, muita convicção, instnição e entendimento 
daquilo que não devo talar detalhadamente aqui. Dar-lhe uma dica ou duas será 
o bastante - uma palavra que estimule os piedosos a bendircr a Deus e a orar 
por mim, como também a sentitenvse encorajados a não temer