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Graca Abundante ao Principal dos Pecadores   John Bunyan

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o que o homem 
pode tà:er-lhes, caso se encontrarem em circunstâncias como estas.
A G R A Ç A SU ST F .N T A D O R A DE Ü E U S
Em toda a minha vida, nunca tive tão grande discernimento 
sobre a Palavra de Deus como agora. Aqueles versículos nos quais eu 
não enxergava nada antes, começaram a reluzir para mim, no cárcere 
e na condição de encarcerado Jesus Cristo também nunca foi tão teal 
e evidente como agora Aqui, eu o tenho visto e sentido de um modo 
autêntico! Ah! aquelas palavras: “Não vos demos a conhecer o poder e 
a vinda dc nosso Senhor Jesus Cristo seguindo lábulas engenhosamente 
inventadas” (2 Pe 1 16) e; “Poi meio dele, tendes té em Deus, o qual o 
ressuscitou dentre os mortos e lhe deu glória, de sorte que a vossa te 
e esperança estejam em Deus" (1 Pe 1.21) torani palavras abençoadas 
para mim, nesta condição de aprisionamento. As seguintes passagens; 
João 14 14, 16 33; Colossenses 3 3 4 e Ilebreus 12.22-24 têm sido muito 
reconfortantes nesta época, de tal modo que, ãs vezes, o deleitar me com 
a riqueza destas passagens, posse me alegrar ante a morte e não temer 
nem o cavalo nem o cavaleiro.
Neste lugar, tenho tido visões reconfortantes do perdão de meus 
pecados e da companhia de Jesus no outro mundo A h1 neste lugar 
me são agradáveis as visões do monte Siáo, da Jerusalém celestial, da 
inumerável companhia de anjos de Deus, o Juiz de todos, das almas dos 
justos aperfeiçoadas e de Jesus! Estou persuadido de que neste lugar 
tenho visto coisas que nunca serei capaz de expressar, enquanto viver 
neste mundo. Tenho visto uma verdade sublime neste versieulo: MA 
quem, nao havendo visto, amais; no qual, nao vendo agora, mas crendo, 
exultais com alegria indizivel e cheia de glória" (1 Pe 1.8). Nunca soube 
o que significava ter Deus ao meu lado em tempo o rodo, como o tenho 
visto fazer desde que vim para cá, mesmo quando Satanás ameaça 
afligir-me. Á medida que os temores se apresentam, tenho apoio c 
encorajamento De fato, quando me assusto, ainda que com nada além 
de minha sombra, Deus, sendo muito terno para comigo, não permite 
que eu seja maltratado, mas me fortalece, com um ou outro versieulo, 
contra tudo, em tal extensão, que tenho sempre dito que poderia orar,
I 4 H G k a ( , a A h u n d a n i i a o P k i n c i i *a i i » o s P i ( m i o h i s
se íosse licito, pedindo-Lhe uma atlição maior, para receber maior 
consolação (Ec 7-14; 2 Co 1.5).
Antes de sei preso, percebi o que estava paia acontecer e tive 
especialmente duas considerações em meu coração. A primeira diria respeiro 
a como enfrentaria a morte, se esta tosse minha sorte aqui. Colossenses 1.11 
me toi um grande auxilio paia orar a Deus e sei fortalecido “com todo o 
podei, segundoa torça da sua glória, em toda a perseverança e longanimidade; 
com alegria”. Durante todo um ano, antes de ser preso, mal podia orar sem 
csle vcrsiculo ou esla súplica graciosa, incutindo« na menlc e convencendo- 
me de que, se nunca passara por um longo periodo de sofrimento^ devia ser 
paciente, especialmente se quisesse suportá-lo com alegria
Quanto à segunda consideração, este outro versículo toi um grande 
auxilio para mini: “Conludo, já cm nós mesmos, live mos a scnlença de 
morte, paia que náo confiemos em nós, e sim no Deus que ressuscita os 
mottos" (2 Co 19) Poi meio desse versículo, percebi que, se algum dia, eu 
sofresse da maneira certa, devia antes sentenciar ã morte tudo que tosse 
rcpulado, apropriadamente, dc valor ncsla vida, considerando a mim 
mesmo, minha esposa, meus filhos, minha saúde, minha alegiia e tudo 
mais, como mortos para mim, e a mim mesmo, como morto para elas. 
Depois, devia viver dependente de Deus, que ê invisível. Como Paulo disse 
em oulra passagem, o meio de náo dcslalecer é náo alenlar nas coisas que 
se vêem, mas nas que se nao vêem; porque as que se vêem sao tempoiais, 
e as que se não vêem são eternas!" Foi assim que ponderei comigo: “se 
eu me preparar somente para a prisão, o chicote virá inesperadamente, 
e lambem, o Ironco. Se eu mc preparar somente para esles, náo estarei 
para set banido. Além disso, se eu concluir que o exílio é o piot, eu me 
surpreenderei se a morte vier”. Assim, vejo que o melhor meio de passar 
por sofrimentos é confiar em Deus por meio de Cristo no que d i: respeito 
ao mundo vindouro. E, em relação a csle mundo, a melhor maneira dc 
passar por sofrimentos é considerar a sepultura como a minha casa; é fazer 
minha cama na escuridão — ê dizer à cormpção “tu ês meu pai”, e aos 
vermes “vós sois minha máe e minha irmã”, é tomar essas coisas familiares 
a mim.
II A SI K V H . O III C . K I M O I ' m T K I M O N I I K O I’O K A M O K AO I VANCil I l l < ) 1 1 9
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A DOR DA SEPARAÇÃO
Apesar dessas ajudas, achava-me um homem cercado de debilidade*; 
a separação de minha esposa e de meus filhos sempre me tem sido como 
arrancar a carne dos meus ossos, enquanto estou neste lugar. Isso não so- 
mente porque amo demais essas grandes misericórdias, mas porque sempre 
sou lembrado das muitas privações, misérias e da grande falta que minha 
pobre familia provavelmente terá, se en tór tirado deles, especialmente mi­
nha pobre lilha cega, que está mais perlo de meu coraçao do que qualquer 
outra coisa Ah' pensar nas privações que minha filha cega pode passar 
quebranta o meu coração! Pobre criança, pensei, que sofrimento você pro­
vavelmente terá como sua porção neste mundo! Você pode ser esbofeteada, 
mendigar, passar fome, lrio, nao ter o que vestir e milhares de outras cala­
midades, embora eu não possa fazer muito mais que impedir o vento de 
soprar sobre você Mas, controlando-me, pensei- devo confiar todos vocês a 
Deus, mesmo que deixá-los fira-me até ao ámago. Ah, vi que nesta situação, 
eu era como um homem que derrubava sua casa na cabeça de sua esposa 
e de seus filhos! Apesar disso, pensei, preciso fazer isso, preciso fazer isso 
F.ntão, pensei naquelas duas vacas que carregaram a Arca de Deus para 
outra terra, deixando seus bezerros para trás (1 Sm 6.10-12).
Várias considerações me auxiliaram nesta tcnlaçao, das quais nomea­
rei três em particular A primeira foi a consideração destes dois versículos: 
“Deixa os tens órfãos, e eu os guardarei em vida, e as ruas viúvas confiem 
cm mim” (Ir 49.11); c: “Disse o Shniiür: Na verdade, cu tc tortalcccrci para 
o bem e larei que o inimigo te dirija súplicas no tempo da calamidade e no 
tempo da aflição” (Ir 15 11)
Também considerei que, se confiasse mdo a Deus, eu o envolveria no 
cuidar dc minhas preocupações. Mas, sc eu rejeitasse seus caminhos, por 
temer qualquer dificuldade que sobreviesse a mim ou á minha lamiliaf 
não só corromperia a minha profissão de té, mas também julgaria que 
minhas preocupações, deixadas aos pés de Deus, enquanto eu permanecia 
fiel ao seu nome, não estariam tão seguras como se estivessem sob os meus 
cuidados, embora eu estivesse negando o caminho de Deus Essa era uma
consideração dolorosa, como esporas em minha carne. A passagem da Es- 
ciitu ia em que Ciisto ora contta Judas, pedindo que Deus o desapontasse 
nos pensamentos e desejos egoístas que o levaram a vender seu Mestre, 
ajudou-me a gravar esta convicção. (Leia atenramente Salmos 109.6, etc.)
Tive outra consideração que se reteria ao medo dos tormentos do inter­
no, dos quais eu estava certo de que participariam aqueles que, por medo da 
cruz, recuam de sua profissão de té em Cristo e de suas palavras e leis diante 
das pessoas deste mundo. Também pensei na glória que ele havia preparado 
para aqueles que, em lê, amor e paciência, permaneceram liéis 110 caminho 
de Cristo diante do mundo. Estas coisas me ajudaram quando caiam doloro­
samente sobre mim os pensamentos da miséria ã qual tanto eu como minha 
tá mi lia poderíamos ser expostos, por causa de minha