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Graca Abundante ao Principal dos Pecadores   John Bunyan

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o Deus do céu e da terra, porque Ele 
me trouxe ao mundo, a lim de participar da graça e da vida que estao em 
Cristo, mediante o evangelho. Contudo, apesar de meus pais pertencerem 
a uma classe social baixa, aprouve a Deus t‘a:ê-los enviar-me à escola, para 
aprender a ler e a escrever, habilidades que adquiri do mesmo modo que o 
lazem as outras crianças. Para minha vergonha, porém, conlesso que logo 
esqueci quase rodo o pouco que aprendi, antes de o Senhor realizar gracio­
samente uma obra em minha alma e me conceder a bênção da verdadeira 
conversão.
O s T t R R O R t S DO PhCADO
Quanto à minha vida de incrédulo, sem Deus no mundo, eu vivia re­
almente “segundo o curso deste mundo" e sujeito as influências do “espiri­
to que agora ama nos filhos da desobediência" (Kf 2.2). Sendo totalmente
!0 C k a (,:a A n u N i i A N l i a o P k i n í .i p a i iio n P i i a d o k i s
injusto, estava feliz por ser cativo do diabo, para cumprir a sua vontade (2 
Tm 2.26). Essa sujeição dominava de tal modo o meu coiaçao e exercia tal 
controle sobre minha vida, que, embora tosse tão jovem, poucos se iguala­
vam a mim em amaldiçoar, praguejar, talar palavrões, mentir e blasfemar 
o santo nome dc Deus. Dc lato, crcsci Ião acostumado a essas coisas, que 
elas se tornaram naturais para mim. Para minha vergonha, percebi que isso 
ofendia tanto a Deus, que mesmo em minha infância ele me assustava e 
apavorava com sonhos terríveis e me aterrorizava com visòes horrendas. 
Muitas vezes, enquanto dormia, depois dc passar o dia cm pccado, como 
passava tantos outros, eu ficava intensamente perturbado com pensamen­
tos sobre demónios e espíritos maus, que trabalhavam a tim de ganhar-me 
para eles, conforme eu pensava - uma idéia da qual não podia me libertar.
Durante esses anos, liquei muito transtornado com pensamentos de 
terríveis tormentos do interno, temendo que, no final, eu também esta­
ria entre aqueles demónios e espíritos maus que ali ticavam presos com 
correntes e grilhões de trevas, até ao Dia do Juizo. Quando eu tinha nove 
ou dez anos, estas coisas me afligiam tanto, que muitas vezes, enquanto 
desfrutava das brincadeiras e dos deleites da intãncia, com minhas compa­
nhias mundanas, eu ficava profundamente abatido no espírito e afligido 
na mente. Mas não podia livrawne de meus pecados. Também era tão 
dominado pelo desespero da vida e do ccu, que desejava não houvesse 
interno ou que eu tosse um demónio — pensando que os demónios eram 
apenas atormentadores — a fim de que, se tivesse de ir pra lá, preteriria ser 
alguém que atormentasse os outros e náo alguém atormentado.
R tB IL IÃ O CONTRA DtUS
Depois de um tempo, esses terríveis sonhos me deixaram e logo os 
esqueci. Os prazeres do mundo livraram rapidamente desses sonhos a mi­
nha memória, como se nunca tivessem sido parte de minha vida Assim, 
com grande avidez, plenamente de acordo com as inclinações de minha 
natureza caida, entreguei-me a desejos pecaminosos e deleitava-me em to­
das as formas de transgressão contra a lei de Deus. Assim, até á época de
I O . W H I M I I KON ANOIS X 21
meu casamento, eu era o líder entre meus companheiros no que se refere 
a comportamento pecaminoso e impio. De tato, os desejos e obias más da 
caine dominavam tão fortemente a minha pobre alma, que, se um milagre 
da maravilhosa graça não o tivesse impedido, eu não somente teria peren­
do pelo golpe da eterna justiça de Deus, como lambem teria sido conside­
rado digno de punição por aquelas leis civis que trazem algumas pessoas à 
desgraça e ã vergonha diante do mundo
Naqueles dias, qualquer pensamento sobre religião me perturbava e 
mc irritava muito. Eu náo os tolerava, nem admitia que alguém mais os 
tolerasse. E, quando via alguém lendo obras sobte santidade e conduta 
cristã, sentia-me aprisionado Então, eu disse a Deus: “Retira-te de mim! 
Náo desejo conhecer os teus caminhos!” (ló 21.14.) Todos os interesses 
espirituais estavam longe dc mim. Céu e inferno estavam ambos lora de 
vista e da mente; e ser salvo ou condenado era o que menos importava aos 
meus pensamentos. “Ò Senhor, tu conheces minha vida, e meus caminhos 
náo estáo escondidos de ti.”
Embora eu mesmo pecasse com o maior deleite c lacilidadc c tivesse 
prazer nas más ações de meus companheiros, lembro-me de que, apesar dis­
so, se visse, em qualquer momento, coisas más naqueles que professavam 
ser crentes, meu espirito tremia. Em determinada ocasião, mais do que em 
qualquer outra, no periodo mais frivolo de minha vida, ouvi uma pessoa 
conhecida como piedosa praguejando; isso teve tal efeito em meu espirito, 
que te: meu coração doer.
N A O ABANDONADO POR D EUS
Deus não me abandonou totalmente, continuou a seguir-me — não 
com convicções, mas com julgamentos, e estes, mesclados com miseri­
córdia. Certa ve:, cai num estuário do qual só escapei mergulhando. Em 
outra ocasião, cai de um barco no rio Bedtord; contudo, a misericórdia 
preservou, uma ve: mais, a minha vida. Noutra ocasião, quando eu estava 
no campo com um de meus amigos, uma cobra atravessou o caminho. 
Golpeei-a com uma vara que tinha em minha mão e após deixá-la sem
•••’ M C1k a c , :a A m j n u a n 11 a o P k i n ( : i i *a i m » P i t \ i k i k i s
sentidos, abri forçosamente a sua boca com a vara e arranquei seus dentes 
com meus dedos. Se Deus não tivesse sido misericordioso pata comigo, eu 
poderia ter acabado com a minha vida, devido ao meu pròpiio descuido 
Também observei, com gratidão, que, enquanro servia como solda­
do, fui escalado com alguns outros para sitiar um lugar especifico. Esta­
va quase partindo, quando outro soldado pediu para tomar o meu lugar. 
Consenti com isso; e, indo ele ao cerco, enquanto permanecia na guarda, 
foi atingido na cabeça por uma bala de mosquete e morreu. Como disse, 
havia juizos e misericórdias, mas nenhum deles despertou a minha alma 
para qualquer senso de justiça. Assim, continuei a pecar e tornei-me cada 
vez mais rebelde contra Deus e negligente a respeito de minha própria 
salvação.
"him Indo esse tempo, 
estava inconsciente do 
perigo e da malignidade 
do pecado. Fui impedido 
de considerar que, não 
importando a reli&do 
que seguisse, o pecado me 
amaldiçoaria , .st* eu n/io 
esriresse em Cnsfo. ”
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D e s p e r t a d o o i n t e r
PELA RELIGIÃO
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D e s p e r t a d o o i n t e r e s s e 
PE1.A REI IGIÃO
/ ^«4.0 depois disso me casei. Deus tói misericordioso dando-me uma 
/ esposa cujo pai era conhccido por scr um homem piedoso. Embora
^v^^A enham os começado nosso casamento lao pobres quanto alguém 
pode ser, não possuindo bens ã maneira do mundo, como um prato ou 
uma colher, ela tinha, de sua parte, uma cópia de lh e Plnin Mnn's Ihthway 
to Heaxm (O Caminho do Homem para o Céu) c de The Practice o f Piety 
(A Prática da Piedade), os quais seu pai lhe havia deixado ao morrer. As 
vezes, liamos juntos esses livros Encontrei neles algumas coisas agradáveis 
para mim, mas nesse tempo eu não tinha convicção do pecado. Ela me 
contava frequentemente quáo piedoso era seu pai, como ele reprovava e 
corrigia comportamentos pecaminosos, lanlo em sua casa como entre seus 
vizinhos; como ele vivera de maneira santa e rigorosa neste mundo e como 
isso era evidente em suas palavras e em seus atos.
I n c l i n a ç õ e s R e l i g i o s a s
Ainda que a leinira desses dois livros não me tenha alcançado nem 
despertado para o meu estado inteliz c pccaminoso, produziram em mim 
um desejo de corrigir a vida pecaminosa e seguir fervorosamente a religião 
da época — ou seja, ir à igreja duas vezes ao dia e, o mais importante, 
com aqueles que eram proeminentes e conhecidos por levarem a religião 
a sério. Lã eu cantava e acompanhava o culto táo devotamente quanto os 
outros o taziam, mas continuava minha vida iniqua Além disso, estava