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Graca Abundante ao Principal dos Pecadores   John Bunyan

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de que faltavam em mim as marcas distintivas de um 
homem verdadeiramente piedoso e lambem me convenceram da feliz 
e abençoada condição de uma pessoa piedosa. Portanto, buscava 
frequentemente a companhia daquelas pessoas, pois não conseguia 
me afastar mais delas, e, quanto mais ficava em meio a elas, mais 
examinava minha condição espiritual. Amda lembro como encontrei 
duas coisas dentro de mim das quais por vezes me maravilhava, 
especialmente considerando como eu fora, um pouco antes disso, um 
cego, ignorante, sórdido e impio miserável. Uma coisa era a grande 
suavidade e a ternura de coração que me trouxeram á convicção do 
que essas pessoas afirmavam por meio da Escritura, e a outra coisa era 
a minha forte inclinação para uma continua meditação nestas e nas 
demais boas coisas que, a qualquer hora, eu ouvisse ou lesse.
Essas coisas afetaram tanto minha mente, que senlia-me como um 
sanguessuga alimentando-se de uma veia e clamando continuamente: “Dá, 
Dá” (Pv 30.15). Minha mente estava tão fixa na eternidade e nas do reino 
celestial - isto é, tanto quanto eu conhecia pois, Deus o sabe, eu conhecia 
bem pouco — que nem prazeres, nem lucros, nem persuasão, nem ameaças 
poderiam fazerme perder a concentração E, embora me envergonhe de 
dizer isto, trazer meus pensamentos de volta á terra era tão difícil naquele 
tempo quanto o era pensar nas coisas celestiais antes de iniciar-se esta 
inquietação da alma.
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O PO D ER DO E N G A N O
Uma coisa não devo om itir havia um jovem em nossa cidade ao 
qual meu coração estava mais estreitamente ligado em ami:ade Ho que a 
qualquer outro, contudo, ele era uma pessoa tão impia, em se tratando 
de blasfemar, insultar e cometei imoralidades, que eu me afastei dele e 
não busquei mais sua companhia Aproximadamente três meses após ter 
terminado a amizade, encontreio em certo lugar e perguntei-lhe como 
estava. Praguejando, como era seu hábito, respondeu-me que estava 
bem “Mas Ilatry”, eu disse, “por que você pragueja e amaldiçoa dessa 
maneira? O que lhe acontecerá caso morra nesta condição7” Irritado, ele 
me respondeu: “O que o Hiabo faria para encontrar um companheiro, se 
não houvesse alguém como eu?”
Nesta época, deparei-me com alguns livros dos ranters (os ranters 
eram uma seita daqueles dias) que circulavam por meio de alguns homens 
dc nosso pais - livros que eram também altamente respeitados por várias 
pessoas conhecidas que, havia muito tempo, prolessavam ser religiosas. Li 
alguns desses livros, mas não era capaz de fazer nenhum julgamento sobre 
eles Assim, conforme lia e pensava a respeito deles, tornei-me ciente de 
minha incapacidade para avaliá-los e me submeteria a uma oraçáo sincera 
tal como: Senhor, sou tolo e incapaz de distinguir a verdade do erro. Senhor, 
não me deixes entregue à minha própria cegueira, nem para aprovar nem 
para condenar esta doutrina. Se ela provém de Ti, não permitas que eu a 
despreze; se vem do diabo, não me deixes abraçá-la. Senhor, no tocante a 
este assunto entrego minha alma somente aos teus pês; nao me deixes ser 
enganado — eu Te suplico humildemente!
Tive um companheiro religioso nesta época, e este era o homem do 
qual talei anteriormente. Nesse periodo, ele se tomou um ranter fanático 
e entregou-se a todas as íòrmas de comportamento vil, especialmente 
impureza. Lie também negava que existia um Deus ou que existissem 
anjos ou espíritos e ria He toHa exortação à sobriedade. Quando eu fazia 
todo estorço para censurar sua impiedade, ele ria ainda mais e alegava que 
passara por todas as religiões sem descobrir a certa até àquele momento.
Também me disse que, em breve, eu veria todos aqueles que fizeram uma 
protissao religiosa seguirem os caminhos dos ranters. Entao, detestando 
aqueles princípios abomináveis, deixei sua companhia imediatamente e 
tornei-me tão estranho para ele quanto antes lhe havia sido amigo.
Esse homem não toi o único a tentar-me. Estando o meu trabalho 
no campo, eu me deparava com muitas pessoas anteriormente rigorosas 
em sua religião, mas que igualmente haviam sido afastadas por esses 
ranters. Essas pessoas também falavam comigo de seus caminhos e me 
julgavam legalista e confuso, alegando que somente eles tinham alcançado 
a peiteiçao e podiam ta:er o que quisessem e nao pecar. Essas tentações 
apelavam para minha natureza pecaminosa, sendo eu jovem e estando no 
vigor dos anos! Mas Deus, que tinha, como eu esperava, designado-me 
para coisas melhores, guardou-me 110 temor de seu nome c não permitiu 
que eu aceitasse tao abomináveis princípios. Bendito seja Deus que dispôs 
meu coração a clamar por ele, a fim de ser guardado e direcionado por 
ele, e a continuar desconfiando de minha própria sabedoria! Desde então 
tenho vislo os eleitos daquela oração em ter o Senhor me preservado, náo 
somente dos erros dos ranters, mas daqueles que surgiram desde entao. A 
Diblia era preciosa pra mim naqueles dias
Ig n o r â n c i a e c o n f u s ã o
Acredito que, em seguida, comecei a olhar a Bíblia com novo 
entendimento, lendo-a como nunca o fizera antes. As epistolas do 
apóstolo Paulo eram especialmente encantadoras c agradáveis para m im 
Eu realmente nunca estava sem a Biblia, encontrava-me sempre lendoa ou 
meditando nela, enquanto continuava a clamar a Deus para que pudesse 
saber a verdade e o caminho para o céu e para a glória. Contorme dava 
prosseguimento à minha leitura, deparei-me com esta passagem: “Porque a 
um é dada, mediante o Espirito, a palavra de sabedoria; e a outro, segundo 
o mesmo Espirito, a palavra do conhecimento; a outro, 110 mesmo Espírito, 
a fé...” (1 Co 12.8-9). E apesar de entender que nestes escritos 0 Espirito 
Santo se reteria a coisas especiais e extraordinárias, a convicção em meu
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J í i M C1k a c , :a A m j n u a n i i a o P k i n <. i i *a i o o n P r t m h i k i s
espírito prendia-se à minha suposta carência dessas coisas básicas, os dons 
de sabedoria e entendimento, que sao a potçao de todos os outios ciistaos. 
Refleti muito nesta passagem, mas não podia dizer o que fazer; a palavra 
“té” perturbava-me sobremaneira, pois, às vezes, eu não conseguia deixar 
de questionar se tinha té ou não. Eu estava relutante em concluir que não 
tinha té, pois pensava que, tosse esse o caso, deveria considerar-me um 
verdadeiro rejeitado
Não, eu disse a mim mesmo, embora esteja convencido de que 
seja um lolo ignorante c de que tnc lallam aqueles dons abençoados do 
conhecimento e do entendimento, os quais outras pessoas têm, ainda 
concluirei que não sou totalmente incrédulo, mesmo que não saiba o que 
é té. Foi revelado a mim — e isso também por meio de Satanás, como antes 
eu via as coisas — que aqueles que concluem que estão num estado de 
descrença nao têm sossego nem quietude em sua alma, e eu relutava em 
cair em completo desespero
Entáo, por meio dessa sugestão, tiquei por um tempo temeroso de ver 
minha talla de té. Mas Deus não me permitiria destruir minha alma dessa 
maneira; Ele tazia surgir, continuamente, dentro de mim, pensamentos e 
idéias que se opunham à minha triste e cega conclusão, de tal maneira 
que não consegui descansar até que estivesse certo de que possuia té ou 
não. Estes pensamentos continuavam fluindo cm minha mente: “Mas, se 
realmente lhe taltar a té? Como você pode saber se tem té?” Além disso, 
tinha por certo que, se não tivesse te, certamente pereceria para sempre. 
Embora eu me empenhasse, a principio, para negligenciar o papel da té, 
logo depois considerei o assunto de maneira mais sensata c me submeti à 
prova, para ver se tinha té ou nao. Mas, ai de mim! - pobre miserável que 
era — era tão