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Graca Abundante ao Principal dos Pecadores   John Bunyan

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ignorante e desprovido de instrução, que eu não sabia como 
tazê-lo, assim como ignorava como começar e concluir uma obra de arte 
rara c exlraodinária que eu jamais havia visto ou considerado.
Deste modo, enquanto eu refletia sobre estas coisas e me sentia 
perturbado por elas — você deve saber que eu não revelara meus 
pensamentos a respeito disso a ninguém, tinha apenas ouvido e refletido 
sobre o que outros diziam — o tentador veio a mim com a ilusão de que não
havia maneira de eu saber se tinha té, exceto pelas tentativas de fazer alguns 
milagres, e ele incutiu-me textos que pareciam confirmar a idéia, pata 
fortalecer e executar sua tentação Bem, um dia, eu estava entre Elstow e 
Bedfórd e me sobreveio, de maneira forte, a tentação de verificar, por meio 
de algum milagre, se tinha té. O milagre especifico que eu tentaria reali:ar 
consistia em dizer às poças de água que se haviam formado na estrada, 
dentro das marcas feitas pelas patas dos cavalos: “Secai", e aos lugares secos- 
“Formem-se poças". F realmente, eu ia dizê-lo uma ve:, mas no momento 
cm que cu eslava para lalar, o seguinle pcnsamenlo veio á minha mcnlc: 
“Primeiro vá até àquela cerca e ore para que Deus o capacite”. Quando 
terminei de orar, tive uma forte sensação de que, se após orar, tentasse 
novamente tozê-lo e nada ocorresse, apesar de ter orado a respeito daquilo, 
cu teria certeza dc que não tinha fc, c sim que eslava perdido e rejeilado. 
“De fato", pensei, “se este é o caso, nao tentarei ainda, mas esperarei um 
pouco mais” Assim, continuei em grande prejuizo, pensando que, se 
apenas aqueles capazes de operar coisas tào maravilhosas tinham té, eu 
não a tinha nem era provável que um dia viesse a lê-la. Conscqucnlciucnlc, 
eu oscilava entre o diabo e minha própria ignorância, e, às vezes, ficava tao 
perplexo, que não sabia o que fazer
i \«i l ' K I M I IKAN I N t J D I I I A(, :Õt s D A Al M A W
"f> /«to, 
o Senhor permitiu que eu 
continuasse nesse estado 
poi muitos meses, sem 
r« >elar me se eu já era 
dele ou se seiia cliamado 
no futuro. ”
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J c - f t i t J j u n r
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p e c a d o e p o r Sa t a n á s
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At o r m e n t a d o p e l o 
p e c a d o e p o r Sa t a n á s
C / f / JZse tempo, o estado espiritual e .1 grande alegria do povo de 
/’~"s J \ B ^ íò rd mc íoram apresentados cm um tipo dc visão. Era 
'—<S como se eles estivessem setilados 110 lado ensolarado de uma 
montanha alta, revigorando-se ao calor dos raios solares, enquanto eu tre­
mia e me encolhia no trio, sofrendo debaixo das nuvens negras, na neve 
c na geada. Entre mim c aquelas pessoas pensei ter visto um muro que 
cercava a montanha. Minha alma desejou intensamente atravessar aquele 
muro; e conclui que, se pudesse, iria até ao meio deles, me aqueceria e me 
confortaria com calor do seu sol. Eu andava e andava, ao longo do muro, 
olhando de perto a fim de encontrar um caminho ou uma passagem pela 
qual pudesse atravessar. Contudo, por algum tempo, nao pude encontrar 
tal caminho Então, finalmente vi uma abertura estreita, semelhante a uma 
pequena entrada, pela qual tentei atravessar. Como a passagem era estrei­
ta e apertada, fiz muitas tentativas dc passar, ate ficar exausto, tamanha 
era minha lula. Mas todos os meus estornos foram inúteis. Por fim, com 
grande empenho, atravessei a cabeça; depois, forçando um dos lados, os 
ombro* e, por fim, o corpo rodo. Então, dominado pela alegria, sentei-me 
em meio àquelas pessoas e senti-me confortado pela luz e o calor de seu sol.
Para mim, a montanha significava a igreja do Deus vivo; o sol que 
resplandecia sobre ela representava o brilho confortador da misericordiosa 
face de Deus sobre os que estavam no lado de dentro. O muro, eu pensei, 
era a parede que separava os cristãos do mundo; e a abertura na parede 
era Jesus Cristo, que é o caminho para Deus, o Pai (lo 146; Mt 714) 
Conmdo, visto que a passagem era notavelmente estreita - tão estreita
11 C k .u a Am N I H M I AO Phin« 11’ A I m o s P u \ i > o k i S
que não consegui passar por ela, senão com muita dificuldade - entendi 
que ninguém poderia entrai na vida, exceto aqueles que o tizessem com 
sinceridade e deixassem paia tiás o inundo iniquo, pois na passagem 
havia lugar apenas para o corpo e a alma, e não para o corpo, a alma e 
o pecado. Esta impressão permaneceu comigo por muitos dias, durante 
os quais encontrei-me numa condição triste e lastimável. Mas também 
fui estimulado a sentii tome e desejo intensos de sei um daqueles que 
se assentavam à lu2 do sol. Ru orava onde quer que estivesse, em casa ou 
longe dela, sob um teto ou num campo; e, elevando meu coração a Deus, 
com tieqüéncia cantava estas palavras do Salmo 51: “Compadece-te de 
mim, ó Deus”, ainda que eu não soubesse de onde vinha a minha angustia
EU SOU UM DOS ELEITOS DE D E U S?
Até então, eu não estava totalmente petsuadido de que tinha te em 
Cristo. E, em ve: de encontrar neste tato qualquer tipo de pa:, comecei a 
ter a alma alligida por nov as dúvidas quanto ã minha lelicidade vindoura 
e, especialmente, quanto a sei ou nao um eleito. Mas, o que aconteceria 
se o dia da graça já houvesse passado e acabado para sempre? Sentia-me 
grandemente angustiado e inquieto por essas duas tentações — às ve:es, por 
uma delas; ãs vezes, pela outra.
Em primeiro lugar, no tocante às minhas dúvidas a respeito de ser 
011 não um eleito, descobri, nesse tempo, que, embora tivesse um intenso 
desejo de achar o caminho para o céu e para a glória, e nada tosse capaz de 
ataslar-me deste desejo, o assunto da eleição me ofendia e desencorajava 
tanto, que sentia, especialmente em certos momentos, como se a força e o 
poder de tal desejo extraíssem o vigor de meu corpo. Este versículo: “Assim, 
pois, náo depende de quem quer ou de quem corre, mas de usar Deus 
a sua misericórdia” (Rm 9.16), lambem parecia esmagar Iodos os meus 
desejos Não sabia o que tazer com este versieulo, pois, evidentemente, 
compreendia que, se o Deus todo-poderoso, em sua infinita graça e 
bondade, não me tivesse escolhido para ser um vaso de misericórdia, 
nenhum bem piocedetia de mim, mesmo que desejasse, ansiasse e labutasse
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por toda a vida, até que meu coração definhasse. Portanto, estas perguntas 
permaneciam comigo: como vocé pode sabei que é um eleito? E, se você 
não tor, o que acontecerá' O Senhor, eu pensava, e se não o sou um eleito' 
“Talve: você não seja um eleito”, diria o Tentador. De tato, raive: eu não 
seja, eu pensava. “Então”, dizia Satanás, Você pode também abandonar 
essas dúvidas e pacar de lutar; porque, se vocé nao é realmente um eleito 
de Deus, não há esperança de que seja salvo, pois- ‘Não depende de quem 
quer ou de quem corre, mas de usar Deus a sua misericórdia’”. Estas coisas 
me deixaram desnorteado, náo sabendo eu o que dizer ou como responder 
a essas tentações. De tato, nunca me ocorreu que era Satanás quem me 
atacava dessa maneira. Pensava que a minha própria prudência levantava 
tais questionamentos. Eu detendia, de rodo o coração, que somente os 
eleitos oblmham a vida ctcnia. Mas, a pergunta era se eu era um deles.
Assim, por muitos dias, tui severamente atligido e desnorteado por 
estas coisas Com frequência, quando caminhava para qualquer lugar, 
chegava ao ponto de quase cair devido ao desânimo mental. Um dia, após 
ler sido oprimido c perturbado por várias semanas — estava perdendo todas 
as esperanças de obter a vida — estas palavras penetraram com vigor em 
meu espirito: “Considerai as gerações passadas e vede- quem, confiando 
no Senhor, foi... abandonado?” Fui sobremaneira iluminado por essas 
palavras e encorajado na alma. Naquele mesmo instante, licou claro para 
mim: “Comece no inicio de Gênesis e leia até ao tinal de Apocalipse. Veja 
se consegue