2. RSU - Aterro Sanitário
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2. RSU - Aterro Sanitário


DisciplinaGestão de Resíduos49 materiais302 seguidores
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\u2022 Esta reação libera energia, parte da qual será utilizada para a síntese de novas células quando da 
multiplicação de microrganismos presentes. 
\u2022 Considerando unicamente a oxidação do carbono, a reação global pode então ser descrita como 
segue: 
Matéria orgânica + Células Novas células + CO2 + Energia 
\u2022 Essa equação esquematiza uma sucessão de reações que conduzem, a partir de substratos 
inicialmente presentes, à liberação no meio de uma série de metabólitos intermediários. Segundo a 
natureza dos substratos degradados, os metabólitos formados podem ser de diferentes espécies. 
Principais produtos intermediários do processo de 
degradação aeróbia e seus efeitos
Os principais efeitos dos metabólitos intermediários são: 
\u2022 poluição dos lixiviados, por meio das matérias orgânicas, 
globalmente medidas por intermédio da DQO, DBO5 e COT; 
\u2022 ação complexante de certos produtos (ácidos aminados e 
compostos aminocarboxílicos) sobre os metais; e estimulação da 
atividade biológica (contaminação bacteriana)
Produtos finais do processo de degradação aeróbia 
dos resíduos sólidos urbanos
Os principais efeitos dos metabólitos finais são: 
\u2022 influência do CO2, dos carbonatos e dos bicarbonatos sobre o pH 
do meio aquoso e sua capacidade tampão ácido-base em função 
do pH;
\u2022 solubilização dos íons metálicos;
\u2022 liberação de elementos eutrofizantes para as águas (nitratos e 
fosfatos). 
Efeitos da Degradação Aeróbia
\u2022 A decomposição aeróbia é relativamente curta. Em média, dura 
aproximadamente um mês, consumindo rapidamente a quantidade 
limitada de oxigênio presente;
\u2022 Em aterros pouco profundos (inferiores a 3 m) ou quando se 
garante suprimento extra de oxigênio, essa fase pode se estender
por um tempo maior;
\u2022 Os lixiviados produzidos nessa fase apresentarão elevadas 
concentrações de sais de alta solubilidade dissolvidos no líquido 
resultante;
\u2022 No decorrer da fase, ocorre grande liberação de calor. A 
temperatura do aterro sobe acima daquela encontrada no ambiente,
podendo ocasionar a solubilização de sais contendo metais; 
\u2022 Nessa fase dá-se, também, grande formação de gás carbônico 
(CO2) e hidrogênio.
Biodegradação Anaeróbia
\u2022 Com a diminuição da quantidade de oxigênio, começam a predominar os 
microrganismos anaeróbios facultativos, ou seja, aqueles que 
preferencialmente não usam oxigênio na decomposição da matéria 
orgânica, podendo, porém, utilizá-lo. 
\u2022 Essas bactérias, primeiramente, convertem o material orgânico particulado, 
como a celulose e outros materiais putrescíveis, em compostos dissolvidos, 
num processo denominado hidrólise (primeira fase). 
\u2022 O tamanho dos polímeros orgânicos (glicídios, lipídeos, protídeos, etc.) é 
muito importante para a penetração no interior das células bacterianas. 
Eles podem somente ser degradados sob a ação de enzimas hidrolíticas
extracelulares (celulases, hemicelulases, etc.). 
\u2022 Os oligômeros e os monômeros assim formados, de tamanho 
suficientemente pequeno para penetrar no interior das células, são então 
metabolizados. 
\u2022 A passagem pela membrana citoplasmática se faz por duas vias: difusão 
passiva segundo o gradiente de concentração ou por transporte ativo das 
proteínas membranáceas. No interior das células, esses substratos são 
metabolizados e transformados em ácidos orgânicos, cetonas, álcoois, 
NH3, H2 e CO2. É a fase de acidificação. 
Biodegradação Anaeróbia
\u2022 Essa fase acidogêncica se caracteriza, portanto, por ser um processo 
bioquímico pelo qual as bactérias obtêm energia pela transformação da 
matéria orgânica hidrolisada, contudo, sem ocorrer nenhuma estabilização 
da matéria orgânica. 
\u2022 Durante essa fase, que pode durar alguns anos, são produzidas 
quantidades consideráveis de compostos orgânicos simples e de alta 
solubilidade, principalmente ácidos graxos voláteis. Os metabólitos finais 
das bactérias hidrolíticas acidogênicas são excretadas das células e entram 
em solução no meio. Eles passam, então, a ser substratos das bactérias 
acetogênicas. 
\u2022 Na fase acetogênica, dentre os principais ácidos graxos produzidos, 
encontra-se o ácido acético e também grandes quantidades de nitrogênio 
amoniacal. Esses ácidos se misturam com o líquido que percola pela 
massa de resíduo sólido, fazendo com que seu pH caia para valores entre 
4 e 6. O caráter ácido dessa mistura ajuda na solubilização de materiais 
inorgânicos, podendo apresentar altas concentrações de ferro, manganês, 
zinco, cálcio e magnésio. 
\u2022 Os valores baixos de pH favorecem, também, o aparecimento de maus 
odores, com a liberação de gás sulfídrico (H2S) e amônia (NH3). 
Biodegradação Anaeróbia
\u2022 Os lixiviados produzidos nessa fase apresentam grande quantidade de 
matéria orgânica, tendo, portanto, elevada DBO com valores 
superiores a 10 g L-1. 
\u2022 Outro indicador da quantidade de compostos orgânicos nos lixiviados é 
a DQO. Dividindo-se o valor da DBO dos lixiviados pelo valor da DQO 
dos mesmos, obtêm-se valores relativamente altos, usualmente 
superiores a 0,7. Esses valores denotam que os lixiviados são 
relativamente biodegradáveis. 
\u2022 Na quarta e última fase, os compostos orgânicos simples formados na 
fase acetogênica são consumidos por bactérias estritamente 
anaeróbias, denominadas arqueas metanogênicas, que dão origem ao 
metano (CH4) e ao gás carbônico (CO2). 
\u2022 Essas arqueas metanogênicas desenvolvem-se preferencialmente em 
valores de pH próximos do neutro, entre 6,6 e 7,3. Com o consumo dos 
ácidos voláteis simples produzidos na fase anterior, o valor do pH, que 
era ácido, começa a subir, favorecendo o aparecimento desse tipo de 
bactéria; porém, esta é bastante sensível. 
Fluxograma do processo de decomposição anaeróbia 
dos resíduos sólidos urbanos.
Biodegradação Anaeróbia
\u2022 Enquanto o consumo dos ácidos voláteis simples faz o pH subir, a
DBO dos lixiviados, por sua vez, começa a baixar.
\u2022 Nessa condição, a divisão do valor da DBO pelo valor da DQO resulta 
em valores mais baixos, o que significa menor capacidade de 
biodegradação dos lixiviados. 
\u2022 Isso se explica pelo fato de que, nessas condições, há nos lixiviados
acúmulo de substâncias que são de difícil degradação biológica, 
como os ácidos fúlvicos e húmicos, originários da decomposição de 
material vegetal. Esses compostos também contribuem sobremaneira
para a coloração escura dos lixiviados. 
\u2022 Os produtos intermediários da degradação anaeróbia são os ácidos
graxos voláteis (AGVs) e seus principais efeitos são o impacto sobre 
o pH quando existe acúmulo dos AGVs, geração de poluição global 
da fase aquosa pelas matérias orgânicas e ação complexante de 
certos metabólitos. 
Produtos Finais do Processo de Degradação 
Anaeróbia e seus Efeitos
Os principais efeitos são: 
\u2022 a influência do CO2, dos bicarbonatos e carbonatos sobre o pH do 
meio aquoso e sua capacidade ácido-básica;
\u2022 a possível insolubilização dos metais sob a forma de sulfetos muito 
pouco solúveis;
\u2022 a complexação do cobre pelos íons NH4+;
\u2022 a emissão de maus odores.
anaeranaeróóbiabia
Biodegradação Anaeróbia
\u2022 Embora essa divisão do processo de digestão anaeróbia 
em fases facilite bastante o entendimento dos 
fenômenos de estabilização biológica dos resíduos 
sólidos urbanos e seus impactos sobre a composição 
dos lixiviados e das emissões gasosas, na prática, 
durante a vida de um aterro, essas fases não são tão 
bem definidas. 
\u2022 Isto ocorre na medida em que sempre há o aterramento 
de resíduos sólidos novos, causando grande 
variabilidade na idade do material disposto, não sendo 
difícil encontrar as quatro fases ocorrendo 
simultaneamente em um único aterro. 
Produção de Biogás
A geração de gás em aterro sanitário é afetada por diversas 
variáveis, entre as quais se podem citar: 
\u2022 natureza dos resíduos;