Seminário de Fitopatologia I
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Seminário de Fitopatologia I


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Seminário de Fitopatologia I
Tema: Antracnoses, Cercosporioses e Verrugoses
ANTRACNOSE ANONÁCEAS
A antracnose ( Collettotrichum gloeosporioides) é considerada a moléstia mais importante de anonáceas, chegando a provocar até 70% de perdas de frutos quando as chuvas são prolongadas durante a floração e a formação do fruto. Ocorre em todos os países que cultivam anonáceas. Incide, preferencialmente nos tecidos jovens de folhas, ramos, flores e frutos.
Sintomas: caracterizados por manchas de coloração pardo-escura ou preta, com o centro mais claro, de contorno irregular, distribuída pelo limbo foliar. As folhas ficam deformadas e, em ataques mais severos, desfolham. As lesões inicialmente são pequenas, mas com o passar do tempo podem atingir mais de um centímetro em diâmetro. Nos ramos, são encontradas lesões alongadas e deprimidas que podem provocar a morte do ponteiros.
Nas flores, aparecem manchas circulares, de coloração castanha escura que impedem o vingamento e provocam quedas expressivas.
Os frutos podem ser atacados em qualquer estádio de desenvolvimento. Nos jovens, surgem escurecimento de toda a superfície, queda e mumificação. Nos desenvolvidos que estão iniciando seu amadurecimento ou nos maduros, causa podridão escura de rápida evolução, inutilizando-o para o consumo ou para comercialização.
Etiologia: a doença é causada pelo fungo Collettotrichum gloeosporioides. Esse fungo sobrevive de um período ambiental favorável para outro em ramos secos, lesões antigas, frutos e partes afetados remanescentes no chão ou na planta, sobre os quais esporula quando a calor e umidade. A disseminação é feita principalmente pelo vento ou respingos de chuva. A umidade é o principal fator determinante da gravidade da doença. Longos períodos de chuva e de dias nublados, bem como o orvalho noturno intenso são condições favoráveis ao desenvolvimento da doença. Alta umidade, aliada a temperaturas noturnas de 20°C a 24°C, adubações inadequadas da planta ou ataque de pragas, favorece a doença que se encontra disseminada em todas as regiões produtoras de anonáceas.
Controle: 
- eliminar galhos secos e frutos mumificados do pomar;
- fazer podas periódicas para tornar as copas mais abertas e mais ventiladas;
- fazer pulverizações preventivas com fungicidas a base de oxicloreto de cobre (2 g/litro) intercalando com mancozeb (2g/litro) ou benomil ( 0,6g/litro) a intervalos semanais durante o período chuvoso e, se necessário, a cada 20 ou 30 dias durante o período da seca. É importante ressaltar que a primeira pulverização deve ser feita a aproximadamente 15 dias do início da florada. Os fungicidas a base de cobre não devem ser aplicados durante a florada uma vez que podem provocar quedas intensas de flores e frutos, sobretudo, se aplicados nas horas mais quentes do dia. Outros fungicidas como tiabendazol, clorothalonil e tiofanato metílico também são eficazes.
ANTRACNOSE BANANEIRA
A doença é um problema importante tanto em pré-colheita como em pos-colheita: em pré-colheita porque parte da infecção ocorre em frutos verdes no campo, permanecendo quiescente até o início da maturação, e em pós-colheita porque a infecção quiescente vai se manifestar durante o período de transporte e maturação dos frutos, além das infecções que irão se estabelecer e se manifestar nessa fase. É chamada infecção não-quiescente. Normalmente nem uma lesão se desenvolve em frutos verdes no campo.
Sintomas: a doença caracteriza-se pela formação de lesões escuras e deprimidas sobre as quais, em condições de alta umidade, aparecem frutificações rosadas do fungo. Com o progresso da doença, as lesões aumentam de tamanho, podendo coalescer. Geralmente a polpa não é afetada, exceto em condições de altas temperaturas ou quando o ponto ótimo de maturação é ultrapassado.
Etiologia: a doença é causada por Colletotrichum musae. Esta espécie apresenta grande variabilidade quanto a forma e tamanho dos esporos, características culturais, reação a produtos químicos e patogenicidade. Conídios, quando depositados sobre frutos verdes no campo, em presença de um filme de agua, germinam e formam apressórios dentro de 4h. a penetração ocorre 24 a 72h após. Neste caso, a infecção permanecera quiescente até o início da maturação dos frutos, ocasião em que os sintomas começam a se desenvolver. Acredita-se que os taninos presentes na casca verde, e ausentes na madura, possam estar envolvidos na aquiescência do patógeno em frutos verdes.
Controle: os modernos sistemas de embalagem e transporte em condições refrigeradas tem contribuído decisivamente para a redução dos problemas com C. musae. As medidas de controle da doença no entanto, devem ter início no campo, fazendo-se a eliminação de folhas velhas, brácteas e restos florais, que são locais onde o fungo se mantem no campo, funcionando como repositório do patógeno. Outras práticas devem incluir: (1) cobertura do cacho com saco de polietileno perfurado, preferencialmente antes da abertura das pencas; (2) limpeza e desinfestação dos tanques de despencamento e lavagem após o uso; (3) renovação periódica da agua dos tanque, para evitar a lavagem dos frutos em altas concentrações de inoculo; (4) imersão ou pulverização dos frutos com fungicidas a base de tiabendazol.
ANTRACNOSE CAJUEIRO
A antracnose é a doença mais importante da cultura, podendo ocorrer em qualquer fase de desenvolvimento da planta. No nordeste, a doença encontra-se disseminada em todas áreas de cultivo do cajueiro, sendo bastante severa em épocas mais úmidas e temperaturas amenas, ao redor de 25 C.
Sintoma: os sintomas aparecem nos tecidos jovens da planta. Nas folhas, as manchas necróticas apresentam coloração pardo-avermelhada, formato irregular e de tamanho variável de acordo com o local de penetração do patógeno. Quando as manchas necróticas aparecem na margem de um dos lados da folha, esta se apresenta distorcida, com curvatura pronunciada devido ao crescimento desigual do tecido sadio em relação ao tecido afetado. Na inflorescência, os sintomas manifestam-se na forma de queima e queda de flores. É comum a formação de lesões necróticas escuras na haste floral, de formato alongado, que evoluem de modo a atingir toda a inflorescência que seca completamente.
Nos ramos, são formadas lesões necróticas, deprimidas, escuras podendo apresentar fendilhamento do tecido afetado. Nos frutos, a doença pode ocorrer em todas as fases de seu desenvolvimento. Os frutos novos tornam-se escuros, deformados e atrofiados, enquanto os maduros apresentam lesões necróticas, escuras, deprimidas, atingindo boa extensão da sua superfície e, frequentemente, exibindo fendilhamento da área necrosada.
Etiologia: o agente etiológico da antracnose é o fungo Colletotrichum gloeosporioides. Nesta fase anamorfica, produz conídios hialinos, unicelulares, em acérvulos, com ou sem setas que, em condições úmidas, exibem uma massa conidial de coloração alaranjada, creme ou escura, na superfície do tecido afetado. No processo de infecção, os conídios do patógeno, em contato com a superfície do hospedeiro, germinam, produzindo apressorios que possibilitam a fixação e penetração direta em qualquer órgão da planta. A fase perfeita desse fungo é Glomerella cingulata, pertence a classe dos Ascomicetos, ordem Xylariares, família Polystigmataceae, que pode apresentar formas homotalicas (autoferteis) e heterotalicas, dando origem a peritécios contendo ascos com oito ascósporos unicelulares e hialinos.
O fungo sobrevive como sacrofita no tecido morto, podendo ser disseminado porrespingos de chuva, insetos e mudas infectadas. As condições favoráveis a sua multiplicação são alta umidade e temperatura amena, em torno d e25 C, que ocorrem nos períodos chuvosos, épocas favoráveis a doença região nordeste do Brasil.
Controle: pode ser controlada através do emprego de produtos químicos, como oxicloreto de cobre, hidróxido de cobre e mancozeb, aplicados em pulverizações iniciadas quando da emissão das folhas novas, logo após as primeiras chuvas, e também durante a floração, em