Seminário de Fitopatologia I
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Seminário de Fitopatologia I


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FEIJÃO COMUM
A antracnose é uma das doenças de maior importância da cultura do feijoeiro, podendo causar perdas de até 100%. É uma doença cosmopolita, ocorrendo em locais de temperatura baixa a moderada e alta umidade. Por este motivo, é mais problemática em regiões de clima temperado e subtropical.
Sintomas: são observados em toda a parte aérea da planta. Quando a doença afeta plântulas, observam-se lesões pequenas de coloração marrom ou preta nos cotilédones. O hipocótilo pode apresentar lesões alongadas, superficiais ou deprimidas, podendo ocorrer o estrangulamento do hipocótilo e morte da plântula. No entanto, os sintomas típicos desta doença são lesões necróticas de coloração marrom-escura nas nervuras na fase inferior da folha. As vezes estas lesões podem ser vistas na face superior das folhas, quando então uma região clorótica desenvolve-se ao lado das manchas necróticas e as folhas tendem a curvar-se para baixo. Em ataques severos, as lesões estendem-se ao limbo foliar ao redor das áreas afetadas nas nervuras, resultando em necrose de parte do tecido foliar.
Lesões produzidas no caule e nos pecíolos são alongadas, escuras e as vezes deprimidas. Nas vagens são geralmente circulares e deprimidas, de coloração marrom, com os bordos escuros e salientes, circundados por um anel pardo-avermelhado. As lesões nas vagens podem ainda apresentar o centro de coloração mais clara ou rosada, devido a esporulação do fungo. As lesões podem coalescer e cobrir parcialmente as vagens. Sementes infectadas são geralmente descoloridas e podem apresentar lesões levemente deprimidas e de coloração marrom.
Etiologia: é causada pelo fungo Colletotrichum lindemuthianum, pertencente a subdivisão Deuteromycotina. A fase perfeita corresponde ao ascomiceto Glomerella cingulata f. sp. Phaseoli. Este fungo é patogênico também a outras espécies de leguminosas como P lunatus, P. acutifolius, P coccineus, Vigna unguiculata e Vicia faba.
O fungo produz micélio septado e ramificado, de coloração hialina a quase negra, a medida que envelhece. Os conídios são hialinos, unicelulares, podendo ser oblongos, cilíndricos, com pontas arredondadas ou uma delas pontiaguda. Os conídios medem de 2,5-5,5 x 11-20 µm e podem apresentar uma área clara semelhante a um vacúolo central. A massa de esporos formada nos acérvulos possui coloração rósea ou salmão. Os conidióforos são hialinos, eretos, sem ramificações, com comprimento de 40 a 60 µm. os acérvulos são providos de setas que desenvolvem-se sobre uma massa estromática. As setas podem, as vezes, ser encontradas no hospedeiro e quase sempre em meio de cultura. Apresentam dimensões de 4-9 x 30-100 µm, são marrons e septadas.
C. lindemuthianum apresenta grande variabilidade patogênica, com mais de 30 raças já identificadas na américa latina. O fungo sobrevive em restos de cultura, mas sementes contaminadas constituem sua via de sobrevivência e disseminação mais importante. Sementes na fase de enchimento são mais suscetíveis que aquelas em maturação. Respingos de chuva, o homem e insetos também disseminam o patógeno.
A doença é favorecida por temperaturas entre 13 e 27°C, com ótimo a 21°C e umidade relativa acima de 91%. Os conídios germinam em 6 a 9 horas sob condições favoráveis, formam tubo germinativo, apressório e penetram mecanicamente pela cutícula e epiderme do hospedeiro. O aparecimento dos sintomas ocorre a partir de 6 dias após o início da infecção.
Controle: o uso de sementes sadias é fundamental no controle da doença. O tratamento de sementes com produtos como benomyl + thiram, captam e tiofanato metílico tem apresentado bons resultados. A produção de sementes em regiões semiáridas é uma medida que tem reduzido a incidência e evitado a disseminação da doença em outros países. A rotação de cultura, por no mínimo 1 ano, deve ser feita para evitar a ocorrência da doença no plantio seguinte e a perpetuação do fungo na área. Restos de cultura infestados devem ser eliminados do campo. O uso de cultivares resistentes é outra medida importante que tem contribuído para reduzir os danos causados pelo patógeno. No entanto, a grande variabilidade patogênica apresenta por C. lindemuthianum dificulta a obtenção de cultivares de resistência durável. Cultivares como IAPAR 31, IAC-UMA, Aporé, IAC-Maravilha, IAPAR-22 e IAPAR-14 apresentam bom nível de resistência de algumas raças de fungos.
A decisão sobre a aplicação de fungicidas na cultura do feijoeiro deve levar em consideração o nível tecnológico adotado e a finalidade do campo, o potencial da produção da lavoura, o retorno econômico, as condições da lavoura no momento da aplicação bem como a ocorrência de condições climáticas favoráveis a doença. No que diz respeito a antracnose, o tratamento da parte aérea com fungicidas pode ser feito, quando necessário, com produtos como tiofanato metílico + chlorothalonil, trifenil hidróxido de estanho, trifenil acetato de estanho, chlorothalonil e benomyl.
CERCOSPORIOSES DA BANANEIRA
Material xerocado 
CERCOSPORIOSES FEIJÃO-CAUPI
A cercosporiose, mancha de Cercospora ou mancha vermelha é muito comum em todas as regiões produtoras de caupi. Embora a infecção ocorra mais frequentemente por ocasião da floração. Esta doença causa perdas consideráveis, reduzindo o número de vagens por planta, o número de grãos por vagem e o peso médio dos grãos, como reflexo da diminuição da área fotossintética.
Sintomas: os principais sintomas são manchas nos folíolos, cujo aspecto depende da espécie fungica envolvida, morfologia foliar do cultivar e condições climáticas. Cultivares altamente suscetíveis podem exibir sintomas em toda a parte aérea. P. cruenta causa lesões irregulares, geralmente angulosas, no inicio cloróticas, tornendo-se posteriormente marrons ou avermelhadas. As lesões induzias por C. canescens por sua vez, são alaranjadas ou marron-clara, geralmente arredondadas.
Os sinais característicos da doença dependem do agente envolvido, P. cruenta exibe frutificações cinza-escuras, mais abundantes na face abaxial da lesão, com muitos conidióforos por esporodoquio, conidióforo marrom escuro, de comprimento entre 50 e 100 µm e conídio filiforme, medindo 100 µm. C. canescens apresenta frutificações marrons, 2 a 5 conidioforos por estroma, igualmente em maior escala na superfície abaxial dos folíolos, conidióforos entre 75 e 200 µm e conídios com 200 µm de comprimento.
Etiologia: os fungos Pseudocercospora cruenta e Cercospora canescens, pertencentes a classe Deuteromycetes, ordem Moniliales, família Dematiaceae, são os principais agentes das cercosporioses do caupi no Brasil, notadamente o primeiro. Mycosphaerella cruenta, referida como teleomorfo de P. cruente, pertence a classe Ascomycetes, ordem Dothideales, família Dothideaceae.
A disseminação dos patógenos da-se, principalmente através de sementes, respingo de chuva e pelo vento. Os fungos sobrevivem em restos culturais, hospedeiros silvestres e sementes infectadas. A ocorrência de epidemias é favorecida pela presença de restos culturais contendo propágulos dos fungos, proximidade a plantios infectados, que atuam como fonte primaria de inoculo, e idade da planta entre três a cinco semanas após a germinação.
Controle: o controle pode ser executado pela utilização de cultivares resistentes. Outras medidas incluem uso de sementes sadias, eliminação de restos de culturas, rotação de culturas, aplicação de fungicidas e escolha do local, evitando o plantio em áreas vizinhas de campo de caupi altamente infectado
CERCOSPORIOSES FEIJÃO- COMUM
Também conhecida como Mancha angular do feijoeiro, é uma doença que tem atraído maior atenção nos últimos anos devido a surtos mais precoces e intensos, que resultam em danos a produção. É particularmente importante em regiões onde temperaturas moderadas são acompanhadas por períodos de alta umidade e presença de inoculo durante o ciclo da cultura. E, portanto, uma doença típica de regiões tropicais e subtropicais, como America Latina e Africa. Ocorrem também nos Estados Unidos, Australia, Europa e Asia.