Imunologia - Fernando Zanette
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Imunologia - Fernando Zanette


DisciplinaInternato Médico II – Saúde do Adulto – Clínico5 materiais30 seguidores
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com neoplasias 
Um exemplo de imunodeficiência associada à neoplasia é a deficiência na 
função das células T comumente observada nos pacientes com uma doença 
denominada Linfoma de Hodgkin. Por outro lado, deficiências de células B têm 
sido notadas no mieloma múltiplo, macroglobulinemia de Waldenstrom, leucemia linfocítica crônica e em 
linfomas bem diferenciados. Juntamente a isso, a maioria dos agentes quimioterapêuticos que são utilizados no 
tratamento de malignidades também são imunossupressores. 
 Síndrome da imunodeficiência adquirida (AIDS) 
A síndrome da imunodeficiência adquirida (AIDS ou SIDA) tem origem nos efeitos patogênicos do vírus 
da imunodeficiência humana (HIV), caracterizando-se por uma elevada susceptibilidade a infecções por 
patógenos oportunistas \u2013 em decorrência, principalmente, da queda pronunciada no número de células TCD4+ nos 
estágios mais avançados da doença. 
Tipos de imunodeficiência congênita Incidência 
Deficiência predominantemente de anticorpos 55.23% 
Imunodeficiência primária associada a outros defeitos maiores 
15.78% 
 
Deficiências de fagócitos 8.33% 
Imunodeficiências combinadas de células T e B 7.83% 
Deficiências de Complemento 4.54% 
Síndromes autoimunes e desregulação autoimune 3.78% 
Síndromes autoinflamatórios 1.89% 
Defeitos na imunidade inata 0.82% 
Mecanismo simplificado do surgimento da AIDS 
por meio da infecção pelo HIV 
 Imunologia do Transplante 
Um transplante se qualifica como o processo de retirada de células, tecidos ou órgãos \u2013 chamados de 
enxerto \u2013 de um indivíduo e a sua inserção em um indivíduo (geralmente) diferente. Aquele que oferece o enxerto 
se denomina doador, ao passo que o indivíduo que recebe se chama receptor ou hospedeiro. 
 Tipos de enxerto 
 Autoenxerto: o tecido do próprio 
indivíduo é transferido de um local para outro do 
organismo; 
 Isoenxerto: tecido transferido en-
tre indivíduos geneticamente idênticos (gêmeos 
univitelinos); 
 Aloenxerto: tecido transferido 
entre membros geneticamente distintos de uma 
mesma espécie; 
 Xenoenxerto: transferência de 
tecido entre diferentes espécies; 
 Princípios do transplante 
Um hospedeiro imunocompetentes reconhece 
os antígenos estranhos em tecidos transplantados 
(ou células) e monta uma resposta imune, resultando 
em rejeição. Por outro lado, caso um hospedeiro 
imunocomprometido seja enxertado com células 
linfoides imunocompetentes, as células T 
imunorreativas no enxerto reconhecem os antígenos estranhos no tecido hospedeiro, levando ao dano do tecido 
do receptor. 
 A importância do HLA se mostra em relação à duração do transplante, e não somente do trans-
plante em si. Quanto maior a semelhante antigênica do MHC (como no caso de autoenxertos ou isoenxertos) 
maior a duração do enxerto sem que haja uma rejeição. 
Deve-se ressaltar como possíveis contraindicações para a realização de transplantes: 
 Sistema ABO incompatível: a incompatibilidade provoca rejeição hiperaguda do órgão ou 
tecido transplantado. Os diversos tipos de rejeição serão melhor explicados mais adiante; 
 Infecções por HIV ou hepatite C; 
 Cross-matching positivo: conhecida como reação cruzada entre receptor e doador. Os anti-
corpos do receptor desencadeiam resposta agressiva ao HLA do doador. 
Por sua vez, utilizando a exemplo o transplante renal, o doador pode ser classificado em: 
 Doador Cadáver: a doação post mortem deve ser precedida de diagnóstico de morte encefálica. 
O dador cadáver precisa apresentar boa função renal, ausência de infecções (como sepse clínica), de doenças 
sistêmicas ou malignas, e o rim precisa ser doado no menor tempo possível após a morte. 
 Parente vivo: o doador, nesse caso, necessita possuir os dois rins funcionais, ausência de doen-
ças transmissíveis (como HIV e hepatite C), sistêmicas e malignas, de vasos sanguíneos anômalos, precisa se 
encontra em estado psicológico estável, além de um excelente estado de saúde. 
Para ambos os tipos, deve-se lembrar das contraindicações já citadas. 
Representação esquemática dos tipos de transplantes possíveis 
 Reação hospedeiro versus enxerto (HGV) 
A duração da sobrevivência do enxerto segue a ordem decrescente de xenoenxerto, aloenxerto, isoenxerto 
e autoenxerto. Em outras palavras, quanto maior a diferença genética entre o enxerto e o hospedeiro, menor a 
sobrevivência do enxerto. O tempo de rejeição também depende da disparidade antigênica entre os doadores e o 
receptor. Antígenos de MHC salientam-se como os principais contribuintes no processo de rejeição. Como em 
outras respostas imunes, existe memória 
imunológica e resposta secundária em 
rejeição a enxertos. Dessa maneira, uma 
vez que determinado enxerto sofre 
rejeição pelo receptor (rejeição primária), 
um segundo enxerto do mesmo doador \u2013 
ou um doador com mesmos antígenos de 
histocompatibilidade \u2013 será rejeitado em 
um tempo muito menor (rejeição 
secundária). 
 Reação enxerto 
versus hospedeiro (GHV) 
Células linfoides histocompatíveis, 
quando injetadas em um hospedeiro 
imunocomprometido, são rapidamente 
aceitas. Todavia, os linfócitos T 
imunocompetentes entre as células 
enxertadas reconhecem os aloantígenos \u2013 
antígenos do hospedeiro \u2013 e, em resposta, eles proliferam e progressivamente provocam danos aos tecidos e às 
células do receptor. Tal condição fica conhecida como Doença Enxerto Versus Hospedeiro (GHV), sendo, na 
grande maioria das vezes, fatal. Dentre as manifestações comuns da reação GHV, podemos citar diarreia, eritema, 
perda de peso, mal-estar, febre, artralgia, entre outras, culminando, finalmente, em óbito. 
 Complexo de Histocompatibilidade 
O complexo de histocompatibilidade humano \u2013 conhecido 
como HLA - contém vários genes que controlam inúmeros 
antígenos, a maioria dos quais influenciando a rejeição de 
transplantes. Esses antígenos, bem como seus genes, podem se 
dividir em três grupos principais: classe I, classe II e classe III. 
 MHC classe I 
Os genes das moléculas MHC I codificam para glicoprote-
ínas expressas na superfície de praticamente todas as células 
nucleadas. Dentre suas funções \u2013 como a de reconhecimento 
celular -, a mais importante delas se é a apresentação de 
peptídeos antigênicos a linfócitos TCD8
+
 (citotóxico). A função 
efetora dos CTL CD8
+
 restritos à classe I consiste, basicamente, 
em eliminar as células infectadas por microrganismos intracelulares \u2013 como vírus -, bem como tumores que 
expressam antígenos tumorais. 
 O MHC de classe I possui três classes principais de genes: HLA-A, HLA-B e HLA-C. 
Ilustração do processo de rejeição primária e rejeição secundária em camundongos. Note o terceiro 
quadro onde, embora seja o primeiro transplante da cobaia, a injeção de linfócitos B sensibilizados ao 
antígeno do enxerto promove a resposta de rejeição de modo muito mais rápido que na rejeição 
primária. 
Esquematização dos dois principais grupos de MHC e suas 
respectivas funções 
 MHC classe II 
Os genes das moléculas de MHC II codificam para glicoproteínas expressas em células apresentadoras de 
antígenos (APCs), como células dendríticas, linfócitos B e macrófagos. A função mais importante dessa classe 
de MHC se mostra a apresentação de peptídeos antigênicos a linfócitos TCD4
+
 (Thelper). Os linfócitos TCD4
+
 
auxiliares diferenciados após o contato com o antígeno funcionam principalmente para ativar os macrófagos a 
eliminar os microrganismos extracelulares que foram fagocitados e para ativar os linfócitos B a produzir 
anticorpos que também eliminam microrganismos extracelulares. 
 O MHC de classe II possui quatro classes principais de genes: HLA-DP, HLA-DM, HLA-DQ e 
HLA-DR; O HLA-DM apresenta uma função de catalisar a ligação do peptídeo com moléculas