Imunologia - Fernando Zanette
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Imunologia - Fernando Zanette


DisciplinaInternato Médico II – Saúde do Adulto – Clínico5 materiais30 seguidores
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incompatibilidade entre HLAs. 
 Prevenção e tratamento da rejeição de aloenxertos 
Caso o receptor de um aloenxerto apresenta um sistema imune plenamente funcionante, o transplante 
resulta, quase invariavelmente, em alguma forma de rejeição. Dentre as estratégias utilizadas na prática clínica 
para evitar ou retardar a rejeição, destacam-se a imunossupressão geral e a minimização da força da reação 
alogênica específica \u2013 por meio, por exemplo, da seleção de doadores adequados ou mais apropriados. 
 Seleção de doadores 
Baseados nas variadas experiência com transplantes renais, certos guidelines podem ser obedecidos na 
seleção de doadores e receptores na preparação para a maioria dos transplantes de órgãos. O mais importante na 
escolha de doares reside na identidade de MHC com o hospedeiro, encabeçando os gêmeos idênticos como 
doadores ideais. Enxertos de um irmão HLA compatível apresentam boas chances de sucesso, sendo que o loci D 
do MHC II precisa ser compatível para o sucesso do transplante. Além disso, na escolha do doador, deve-se 
atentar à presença do sistema ABO-compatível (para evitar a rejeição hiperaguda) e o cross-match sérico 
negativo com os linfócitos T do doador. 
Esquematização do processo básico por 
trás da rejeição crônica e seu espectro 
clínico 
 Teste de compatibilidade cruza-
da 
Caso um doador potencial seja identificado, realiza-se 
um teste denominado teste de compatibilidade cruzada 
(crossmatching), onde se verifica a existência, no receptor, 
de anticorpos sensibilizados às células do doador. Faz-se o 
teste misturando o soro do receptor com os linfócitos 
sanguíneos do doador. Testes de citotoxicidade mediados 
por complementos ou avaliações por citometria de fluxo 
podem, então, ser utilizados para determinar se anticorpos 
no soro do receptor se ligaram às células do doador. 
Por exemplo, acrescenta-se o complemento à mistura 
de células e soro, e caso anticorpos pré-formados - 
normalmente contra as moléculas de MHC do doador - 
estiverem presentes no soro do receptor, as células do 
doador sofrerão lise. Este seria o cruzamento positivo, que 
indica que o doador não é adequado para aquele receptor. 
 Imunossupressão 
A terapia de imunossupressão se mostra a parte 
essencial para transplantes alogênicos. Fármacos 
imunossupressores que inibem ou destroem os linfócitos T 
classificam-se como os principais agentes para o 
tratamento ou prevenção a rejeição de enxertos. Em 
decorrência disso, fica claro entender por que a 
imunossupressão sustentada necessária para a sobrevida 
prolongada do enxerto leva a um aumento na susceptibilida-
de a infecções virais e tumores associados, já que promove a 
redução na produção e/ou funcionalidade das células T. 
Dentre os agentes recentes mais eficientes, podemos citar a 
ciclosporina A, FK506 (tacrolimus) e a rapamicina. A 
ciclosporina A e FK506 participam inibindo a síntese de citocinas \u2013 em especial a IL-2 \u2013 após a ligação do 
antígeno ao receptor, ao passo que a rapamicina interfere na transdução de sinal após a interação IL-2 com o 
receptor de IL-2. Dessa maneira, todos os três agentes possuem o poder de bloquear a proliferação de células T 
em resposta ao antígeno. 
Outros agentes químicos utilizados para impedir a rejeição de 
enxertos e seus efeitos generalizados listam-se na tabela ao lado. 
A irradiação de corpo inteiro apresenta papel especial em 
pacientes de leucemia antes do transplante de medula óssea. 
Anticorpos anti-células T (globulina antitimocítica: ATG) ou 
contra estruturas de superfície das células T (como CD3, CD4, 
C45) estão sendo utilizados também para conseguir imunossupres-
são. Juntamente a isso, anticorpos monoclonais contra as moléculas 
de adesão de superfície celular ICAM-1 e LFA-1 salientam-se 
como outro alvo das terapias imunossupressoras. Utilizam-se 
rotineiramente também agentes inflamatórios (corticosteroides 
como a dexametasona e a prednisona) na prevenção e tratamento 
da rejeição de enxertos pelo seu efeito bloqueador de TNF e IL-1. 
Teste de compatibilidade cruzada entre receptor e doador. 
Em (a), a sensibilidade é aumentada ao se adicionar antiglobulina 
humana (AHG) antes de colocar o complemento no teste de compati-
bilidade cruzada de citotoxicidade dependente de complemento 
(CDC). 
Em (b) temos o teste de compatibilidade cruzada por citometria de 
fluxo, a qual não depende da ativação do complemento para a detec-
ção de anticorpos, além de apresentar sensibilidade muito maior do 
que o teste de CDC. 
PMBC: Células mononucleares do sangue periférico. 
P 
 
 Transplante de medula óssea 
No transplante de medula óssea, o fator crucial na seleção do doador reside na compatibilidade com o 
MHC classe II. Mais uma vez, repete-se os gêmeos idênticos como doadores ideias. Adota-se o transplante para 
o tratamento de leucemias, certos linfomas, anemia aplásica, talassemia e doenças de imunodeficiência, como a 
imunodeficiência combinada grave (SCID). Para tal procedimento, necessita-se que o receptor esteja 
imunossuprimido, utilizando-se ciclofosfamida e irradiação de corpo inteiro para eliminar todas as células 
cancerosas ou defeituosas. Em casos de rejeição, manifestar-se-á no hospedeiro a doença enxerto versus 
hospedeiro (GVHD), já falada no começo desse capítulo. Para controlar a GVHD, usam-se metotrexato, 
ciclosporina e prednisona, como comentado mais acima. 
 Associação do MHC com doenças 
Inúmeras doenças têm sido encontradas ocorrendo em frequências maiores em indivíduos com certos 
haplótipos de MHC. As mais proeminentes entre elas são a espondilite anquilosante (B27), a doença celíaca 
(DR23) e a Síndrome de Reiter (B27). Outras doenças associadas com especificidades diferentes do MHC listam-
se na tabela ao lado. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Imunidade tumoral 
A proliferação celular de nosso corpo sofre cuidadosa regulação por meio de inúmeros mecanismos e 
sistemas específicos. Todavia, nossas células \u2013 quando expostas a carcinogênicos químicos, irradiação e certos 
vírus \u2013 podem sofrer mutações em seus componentes, promovendo a proliferação e disseminação descontrolada, 
o que produz um tumor ou neoplasia. 
A neoplasia classifica-se como uma proliferação anormal do tecido, que foge parcial ou totalmente ao 
controle do organismo e tende à autonomia e à perpetuação, com efeitos agressivos sobre o hospedeiro. 
 Classificação 
Podemos caracterizar os tumores, por meio de inúmeras características em dois grupos básicos: benignos e 
malignos. 
 Tumores benignos 
Os tumores benignos tendem a apresentar um 
crescimento lento e expansivo determinando a 
compressão dos tecidos vizinhos, o que leva à 
formação de uma pseudocápsula fibrosa. Devido a 
esse crescimento lento, os tumores benignos também 
possuem estrema e uma rede vascular adequada - 
estruturas essenciais para a sobrevivência dos 
tecidos de modo geral \u2013 por isso raramente 
apresentam necrose e hemorragia. 
A morfologia dos tumores benignos \u2013 
chamada de bem diferenciada \u2013 mostra-se 
semelhante à das células do tecido que lhe deu origem. Além disso, em tumores, o número de mitoses se encontra 
inversamente relacionado com o grau de diferenciação: quanto mais diferenciado for o tumor, menor será o 
número de mitoses observadas e menor a agressividade. Em tumores benignos, as mitoses se demonstram raras e 
têm aspecto típico. 
Por fim, em relação à antigenicidade tumoral, deve-se ressaltar que as células dos tumores benignos \u2013 por 
serem bem diferenciadas \u2013 não apresentam a capacidade de produzir antígenos. 
 Tumores malignos 
Nos casos dos tumores malignos, o crescimento 
rápido,