Microbiologia - Fernando Zanette
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Microbiologia - Fernando Zanette


DisciplinaInternato Médico IV – Saúde do Adulto – Clínico3 materiais38 seguidores
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pele, embora raramente consigam crescer nessa região devido à 
Esquematização das endotoxinas e efeito desencadeador da febre 
incapacidade de competir com as bactérias Gram positivas. 
 Vias aéreas superiores 
 Fossas nasais: nessa região, predominam espécies bacterianas de Corynebacterium e Staphylo-
coccus; 
 Cavidade bucal: presença de Streptococcus viridans \u2013 nas primeiras quatro a doze horas de vida 
-, Neisseria bacilliformis e gonorrhoeae, Bacteroides fragilis, Veillonella parvula, Lactobacillus, Fusobacte-
rium nucleatum e necrophorum, Actinomyces, Corynebacterium, entre outras espécies. 
 Orofaringe e nasofaringe: nessas áreas, podemos encontrar espécies de Streptococcus spp. (S. 
viridans), Staphylococcus spp. (S. aureus), Corynebacterium, entre outras; 
A microbiota da cavidade oral se apresenta bastante diversificada e complexa, além de possuir elevada 
importância em decorrência do fato de que as afecções periodontais \u2013 e até endocardites subagudas \u2013 podem ser 
causadas por constituintes dessa microbiota, quando em desequilíbrio. Devido ao fato de saliva possuir enzimas 
antibacterianas e baixas concentrações nutricionais, ela não se mostra um meio propício para o crescimento 
microbiano, embora a presença de alimentos promovam altos níveis nutricionais nas superfícies próximas \u2013 como 
dentes e gengivas -, o que cria condições favoráveis ao intenso crescimento microbiano local, ao dano tecidual e 
à doença. 
 Vias aéreas inferiores 
Embora o trato respiratório de adultos saudáveis não 
apresente uma microbiota residente, um grande número 
de microrganismos potencialmente patogênicos se 
mostram capazes de alcançar essa região durante a 
respiração. As células ciliadas e o muco se encarregam de 
agregar e expulsar bactérias e partículas em direção ao 
trato respiratório superior, as quais são expelidas pela 
saliva e pelas secreções nasais. Todavia, alguns patógenos 
conseguem atingir esses locais e acarretar doenças, 
principalmente pneumonias provocadas por determinadas 
bactérias ou vírus. 
Assim, de modo geral, o trato respiratório inferior 
\u2013 traqueia, pulmões, brônquios e bronquíolos - qualifica-
se como regiões naturalmente estéreis, sem a presença, 
normalmente, de microrganismos colonizadores. 
 Trato urogenital 
Nos sistemas reprodutor e urinário predominam, de forma geral, as bactérias Gram negativas. 
 Vagina: no ambiente vaginal, encontramos uma população microbiana variada devido às caracte-
rísticas alterações hormonais femininas. As recém-nascidas sofrem colonização por lactobacilos nas primeiras 
seis semanas de vida. Após esse período, a taxa de estrógeno decai, e se processa a colonização por 
estreptococos, estafilococos e enterobactérias. Logo no início da puberdade, a alteração nas taxas de estrógeno 
promovem novas mudanças, 
acidificando o até então 
ambiente alcalino vaginal e 
permitindo a colonização 
predominante de Lactobacillus 
acidophilus. O pH também se 
Microbiota normal dos tratos urogenital feminino e masculino 
Microrganismos causadores de infecções no trato respiratório inferior. 
salienta como responsável pela população microbiana vaginal. Os Lactobacillus acidophilus promovem a 
fermentação do glicogênio em ácido láctico, diminuindo o pH vaginal e dificultando o desenvolvimento de certas 
bactérias. Com o período compreendido após a menopausa, a produção de glicogênio cai, alcalinizando o meio 
vaginal, e este retorna às características de antes da puberdade. 
 Uretra anterior: possui uma colonização variada, podendo se encontrar Lactobacillus, Strepto-
coccus, Staphylococcus (S. epidermidis) e bactérias difteróides. Streptococcus fecalis, Candida e E. coli podem 
também estar presente de forma transitória e, caso se proliferem para as porções mais superiores do trato urinário, 
podem provocar infecções e doenças. 
 Ureteres, bexiga e rins: de forma semelhante aos pulmões, essas porções do sistema urinário não 
apresentam microbiota residente, consistindo em sítios estéreis. Quando há colonização por microrganismos, 
geralmente se processam infecções e doenças. 
 Conjuntiva 
A região da conjuntiva ocular se mostra, usualmente, estéril, com as lágrimas apresentando enzimas \u2013 
como as lisozimas \u2013 bactericidas. Ela pode, no entanto, encontrar-se colonizada por difteróides, Staphylococcus 
epidermidis e estreptococos não hemolíticos. A microbiota da conjuntiva é controlada rigorosamente pela ação 
do fluxo das lágrimas. 
 Ouvido externo 
Essa região apresenta uma população microbiana de conformação semelhante à da pele, com presença de 
Staphylococcus spp. (S. coagulase negativo, S. aureus), difteroides, Streptococcus spp. e Pseudomonas 
aeruginosa. 
 Trato gastrintestinal 
 Esôfago: encontramos aqui, normal-
mente, uma microbiota pouco numerosa, na maior 
parte das vezes composta apenas por colonização 
transitória; 
 Estômago: em decorrência do pH 
altamente ácido, poucas bactérias tolerantes 
sobrevivem nesse ambiente inóspito, como espécies 
de bactérias Gram positivas, Proteobactérias, 
Bacteroides, Actinobactérias e Fusobactérias. 
Juntamente a isso, a Helicobacter pylori \u2013 
responsável por manifestações como gastrites e 
úlceras em hospedeiros susceptíveis \u2013 mostra-se o 
microrganismo mais comumente observado, 
colonizando a parede estomacal de quase todos os 
indivíduos; 
 Intestino delgado: apresentam-se 
com relativa frequência nessa microbiota 
Staphylococcus spp., Streptococcus spp. e Lactobacillus spp., sendo encontrados, devido à crescente região 
anóxica, número ascendente de microrganismos anaeróbicos. Pode-se ainda, eventualmente, encontrar na porção 
proximal do duodeno cocos Gram positivos resistentes à acidez gástrica. Os ácidos biliares se mostram inibidores 
do crescimento de bactérias in vitro; 
 Intestino grosso: sítio de maior concentração de microrganismos, com incremento considerável 
das bactérias anaeróbicas, que chegam a superar as outras espécies. A partir do cólon, bactérias anaeróbicas 
facultativas consomem qualquer oxigênio remanescente, tornando o intestino grosso estritamente anóxico, 
Microbiota normal do trato gastrintestinal 
condição que promove o crescimento de microrganismos anaeróbios obrigatórios, incluindo espécies de 
Clostidium e Bacteroides. Além disso, nessa microbiota normal, predominam as espécies de Eubacterium, 
Bifidobacterium e Bacteroides. A E. coli \u2013 anaeróbia facultativa - se encontra caracteristicamente nessa região 
em todos os seres humanos. 
 Citologia Bacteriana 
As bactérias possuem várias formas e 
tamanhos. Elas podem variar desde menos de 
0,1 um a até 1 mm, sendo somente visíveis à 
microscopia óptica. Quanto à forma, podemos 
classificar as bactérias, didaticamente, em 
cocos esféricos, em bacilos (forma de bastão) 
e em espiral. Tais formas podem, ainda, 
apresentar variações. Os cocos, por exemplo, 
possuem também conformação oval 
(cocoíde), alongada (cocobacilos) ou 
achatada em uma das extremidades. 
Variações entre os bacilos \u2013 com 
extremidades arredondadas, afiladas 
(fusobactérias) ou quadradas (retangulares) 
e em forma de meia lua \u2013 e entre as bactérias 
espirais \u2013 vírgulas (vibriões), afiladas, 
espiraladas (espirilos) ou com corpo flexível 
(espiroquetas) \u2013 também costumam ocorrer. 
Essas células apresentam a capacidade 
de se agrupar, dando origem a uma gama 
muito grande de arranjos. Os cocos 
demonstram a possibilidade de aparecerem 
isolados, aos pares (diplococos), em cadeia 
(estreptococos), em cachos (estafilococos) e 
em grupos de quatro células (tétrades) ou de 
oito células (sarcina). Os bastonetes, por sua 
vez, também podem se apresentar isolados ou agrupados, localizados em duplas (diplobacilos), formando uma 
cadeia