Microbiologia - Fernando Zanette
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Microbiologia - Fernando Zanette


DisciplinaInternato Médico IV – Saúde do Adulto – Clínico3 materiais38 seguidores
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um agente desinfetante ou antimicrobiano. 
Os diversos tipos de agentes antimicrobianos podem ser divididos em três grupos: agentes químicos, 
físicos e quimioterápicos. O grau de eficiência de cada um deles depende da concentração ou intensidade, das 
condições do ambiente e do estado das células. 
A desinfecção pode, ainda, dividir-se em três níveis de acordo com sua intensidade ou eficiência. 
 Baixo nível: destrói-se bactérias em forma vegetativa, alguns vírus e fungos. Os esporos bacteria-
nos, o vírus da hepatite B (HBV), o bacilo da tuberculose e outros microrganismos mais resistentes, no entanto, 
sobrevivem a esse método. As soluções usadas nesse nível são os álcoois etílico, n-propílico e isopropílico, o 
hipoclorito de sódio e o quaternário de amônia. Indica-se a desinfecção de baixo nível no dia a dia das pessoas, 
como antes das refeições. 
 Médio nível: elimina bactérias vegetativas, grande parte dos vírus, fungos e micobactérias. Os es-
poros permanecem resistentes nesse nível. Enquadram-se como soluções usadas o álcool etílico (70%) e o álcool 
isopropílico (92%), o hipoclorito de sódio, os fenólicos e os iodóforos. A desinfecção de médio nível se indica 
para as Unidades Básicas de Saúde (UBS). 
 Alto nível: destrói todos os microrganismos, com exceção da maioria dos esporos e alguns tipos de 
vírus. Nesse método, as principais soluções empregadas são hipoclorito de sódio, glutaraldeído, solução de 
peróxido de hidrogênio, cloro e compostos clorados, ácido peracético e água superoxidada. A desinfecção de 
alto nível se recomenda para certas áreas hospitalares. 
 Esterilização 
A esterilização se qualifica como o processo de eliminação completa de todas as formas de vida de um 
material ou ambiente. Por meio da esterilização dos meios de cultura e do instrumental usado nos trabalhos, o 
isolamento e a manutenção de culturas puras de microrganismos se tornaram possíveis. 
A esterilização pode ser feita por diferentes processos que empregam, usualmente, dois tipos de métodos. 
 Métodos físicos 
 Calor úmido: o vapor quente sob pressão se mostra o método mais usado para a esterilização de 
materiais médico-hospitalares do tipo crítico. Evidencia-se não tóxico, de baixo custo e esporicida. O calor 
úmido destrói os microrganismos por coagulação e desnaturação irreversíveis de suas enzimas e proteínas 
estruturais. Enquadram-se nesse tipo de método as consagradas autoclaves. 
 Calor seco: reserva-se esse método aos materiais sensíveis ao calor úmido. O calor seco apresenta 
vantagens no que diz respeito à penetração do calor e na não corrosão dos metais e instrumentos cortantes, 
destruindo os microrganismos por meio da oxidação dos componentes celulares e queima das proteínas 
estruturais. Esse método, todavia, exige um período maior de exposição dos materiais para alcançar seus 
objetivos, sendo seus principais representantes as estufas e o método de flambagem na chama. 
 Métodos físico-químicos 
 Radiação ionizante: realizado com materiais que não podem entrar em contato com altas tempera-
turas \u2013 como luvas cirúrgicas, tecidos destinados a transplantes, drogas, entre outros. A radiação, embora 
insuficiente para induzir radioatividade nos materiais em questão, mostra-se capaz de lesionar o DNA de 
microrganismos e promover a morte destes. Podem ser utilizados raios gama ou ultravioleta, e apresenta como 
uma das vantagens a capacidade de se utilizado mesmo que o produto a ser esterilizado esteja em sua embalagem 
final. 
 Pasteurização 
A pasteurização utiliza um aquecimento precisamente controlado para reduzir a carga microbiana \u2013 não 
eliminando todos os microrganismos e não se qualificando, logo, como sinônimo de esterilização \u2013 presente no 
leite e em outros líquidos sensíveis ao calor. 
 Filtração 
A filtração se enquadra como um método que promove a descontaminação \u2013 e até mesmo a esterilização \u2013 
sem exposição de substâncias \u2013 como gases e líquidos \u2013 sensíveis à temperatura ao calor desnaturante. 
 Antissepsia 
A antissepsia se caracteriza como o conjunto de medidas propostas para inibir o crescimento de micror-
ganismos ou removê-los do tecido, mediante o uso de substâncias antissépticas ou desinfetantes de baixa 
causticidade e hipoalergênica. A higienização das mãos se mostra um método de antissepsia bastante comum. 
 Assepsia 
A assepsia compreende as medidas que visam a impedir a penetração de microrganismos em um ambien-
te que naturalmente não os contêm. A esterilização de materiais cirúrgicos, por exemplo, compõe um método de 
assepsia. 
 Resistência a fármacos antimicrobianos 
A resistência aos fármacos antimicrobianos consiste na capacidade \u2013 adquirida ou inata \u2013 de determina-
do organismos de resistir aos efeitos de um agente quimioterápico. Na adquirida, o microrganismo naturalmente 
se mostra susceptível ao quimioterápico, 
tornando-se resistente por meio da 
transmissão de material genético ou 
mutação, ao passo que na inata ele já se 
apresenta naturalmente resistente ao 
medicamento em questão. 
 Bases genéticas 
da resistência aos antibióticos 
A resistência se processa por meio de 
dois grandes mecanismos: mutação em um 
loci do cromossomo ou transferência 
horizontal de genes \u2013 em outras palavras, 
aquisição de genes de resistência 
anteriormente presentes em outros 
Representação dos diversos tipos de resistência bacteriana 
microrganismos. Podemos citar, como exemplo desses mecanismos, respectivamente, a resistência 
cromossomal \u2013 envolve modificações no alvo do antibiótico - e a resistência extracromossomal \u2013 os genes 
responsáveis pela resistência se encontram nos plasmídeos, e normalmente codificam enzimas que inativam os 
antibióticos ou reduzem a permeabilidade das células a ele. 
Deve-se ressaltar o fato que o uso indiscriminado de antibióticos, muito comum, não induz à mutação dos 
genes bacterianos à resistência, e sim seleciona as bactérias mais resistentes \u2013 diversas vezes mutantes \u2013 a 
sobreviver. Como esses microrganismos resistentes não são tão afetados pela ação antimicrobiana, eles passam a 
predominar naquela espécie, permitindo que a mutação favorável à bactéria se propague às gerações seguintes. 
A transferência horizontal de genes se mostra um processo de aquisição de material genético entre 
bactérias da mesma espécie ou de espécies distintas, e ele tende a ocorrer pelos mecanismos de transformação, 
transdução ou conjugação \u2013 já referidos na seção reprodução bacteriana \u2013 e ainda por transposição. 
 Resistência inata 
A resistência inata ou natural se qualifica como uma característica intrínseca de determinado microrga-
nismo que se processa sem uma exposição prévia ao antibiótico, conferindo-lhe proteção contra o fármaco. O 
conhecimento da resistência intrínseca das diferentes espécies auxilia na escolha de estratégias de tratamento 
empírico. Dentre as razões para tal resistência, podemos citar três mais conhecidas e possíveis: 
 Ausência de um processo ou mecanismo metabólico influenciável pela ação do antibiótico; 
 Existência de enzimas que apresentam a capacidade de inativar o antibiótico; 
 Presença de particularidades inerentes à morfologia bacteriana \u2013 certos antibióticos atuam lisan-
do a parede celular bacteriana; bactérias ausentes em parede celular, logo, são naturalmente resistentes a esses 
antibióticos; 
 Resistência adqui-
rida 
Existem quatro principais mecanis-
mos de resistência adquirida aos 
antibióticos: a alteração da permeabilidade, 
a alteração do alvo do antibiótico, a bomba 
de efluxo e o mecanismo enzimático que 
altera a estrutura química do antibiótico. 
 Alteração da permeabi-
lidade 
A permeabilidade de membrana 
celular salienta-se como essencial para que 
o efeito desejado do antibiótico, 
independente deste ser bactericida