U - Estatuto da Cidade
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U - Estatuto da Cidade


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princípio da gestão democrática.
Gestão democrática que, vale dizer, sempre foi uma das principais preocupações da vida do
saudoso Senador Pompeu de Souza, professor de todos nós e autor da principal proposição
que deu origem à nova lei.
A Câmara dos Deputados e sua Comissão de Desenvolvimento Urbano e Interior por meio
desta publicação, em profícua parceria com o Poder Executivo, através da Secretaria de
Desenvolvimento Urbano da Presidência da República e Caixa Econômica Federal, intenta dar
a maior divulgação possível ao texto da recente Lei 10.257.
Com a edição deste Estatuto da Cidade comentado pelo competente Instituto Pólis de São
Paulo, temos a certeza de estar contribuindo para que esses novos instrumentos da cidadania
brasileira sejam conhecidos, estudados e compreendidos por todos os administradores e
legisladores municipais e, de forma geral, por todos os cidadãos brasileiros.
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2 | APRESENTAÇÃO SECRETARIA ESPECIAL DE DESENVOLVIMENTO URBANO DA
PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA/ CAIXA ECONÔMICA FEDERAL
A cidade é fruto do trabalho coletivo de uma sociedade. Nela está materializada a história de
um povo, suas relações sociais, políticas, econômicas e religiosas. Sua existência ao longo do
tempo é determinada pela necessidade humana de se agregar, de se interrelacionar, de se
organizar em torno do bem estar comum; de produzir e trocar bens e serviços; de criar cultura
e arte; de manifestar sentimentos e anseios que só se concretizam na diversidade que a vida
urbana proporciona. Todos buscamos uma cidade mais justa e mais democrátiza, que possa de
alguma forma, responder a realização dos nossos sonhos.
O Congresso Nacional aprovou, depois de quase onze anos de tramitação, a Lei nº 10.257, mais
conhecida como Estatuto da Cidade. Esta Lei, que está em vigor desde 10 de outubro de 2001,
estabelece as diretrizes gerais da política urbana objetivando principalmente o pleno
desenvolvimento das funções sociais da cidade e a garantia ao direito a cidades sustentáveis.
Graças a um dos seus princípios básicos: a justa distribuição dos benefícios e ônus decorrentes
do processo de urbanização, o poder público passa a ter a prerrogativa de, no interesse coletivo,
recuperar parcela da valorização imobiliária, decorrente dos investimentos em infra-estrutura
física e social, pagos pelos impostos de todos.
Poucas leis na história do Brasil foram construídas com tanto esforço coletivo e legitimidade social.
A aprovação do Estatuto da Cidade, é uma conquista dos movimentos populares, que se mobi-
lizaram por mais de uma década na luta por sua aprovação. Esta luta foi conduzida a partir da ativa
participação de entidades civis e de movimentos sociais em defesa do direito à cidade e à habitação
e de lutas cotidianas por melhores serviços públicos e oportunidades de uma vida digna.
Sem dúvida, estamos diante de uma lei admiravelmente progressista, inovadora, com vocação
democrática, autenticamente voltada para construção de cidades onde será sempre preservado
o bem estar coletivo da população. Esta grande vitória na conquista do Estatuto, entretanto, só
se efetivará na medida em que as forças sociais que o construíram busquem torná-la realidade
no cotidiano das práticas administrativas de nossas cidades.
Neste contexto está absolutamente valorizado o processo de planejamento para a ação pública.
Um planejamento que deve contar permanentemente com a participação da sociedade e buscar,
constantemente, a melhoria do desempenho e a valorização da capacidade técnico-
administrativa das prefeituras. Este planejamento deve ser integrado e integrador e ter como
referência básica o Plano Diretor.
O trabalho que ora se apresenta foi elaborado pelo Instituto Pólis, Organização Não Governa-
mental que tem tido expressiva atuação no setor. A Secretaria Especial de Desenvolvimento
Urbano da Presidência da República e a Caixa Econômica Federal o patrocinaram com o intuito
de iniciar a discussão sobre a aplicação do Estatuto. Não se trata, portanto, de documento oficial,
senão de estudo de natureza técnica, a que certamente se seguirão outros de igual relevância.
A SEDU/PR \u2013 Secretaria Especial de Desenvolvimento Urbano da Presidência da República e a
CAIXA \u2013 Caixa Econômica Federal, no exercício de suas missões institucionais, estão
empreendendo esforços para, em conjunto com municípios, estados e demais agentes públicos
e privados, implementar o Estatuto em sua globalidade, inaugurando um novo marco na
administração pública brasileira, de responsabilidades sociais solidárias, na busca e
materialização de uma melhor qualidade de vida para as atuais e futuras gerações.
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SUMÁRIO
17 COMO USAR ESTE GUIA
19 INTRODUÇÃO
21 1 | O QUE É O ESTATUTO DA CIDADE
23 2 | URBANIZAÇÃO DE RISCO: EXPRESSÃO TERRITORIAL DE UMA ORDEM URBANÍSTICA EXCLUDENTE E PREDATÓRIA
25 3 | ORDEM URBANÍSTICA, PLANEJAMENTO URBANO E GESTÃO: A CONSTRUÇÃO DA \u201cDESORDEM\u201d URBANA
27 4 | COMPETÊNCIAS CONSTITUCIONAIS DOS ENTES FEDERATIVOS SOBRE A POLÍTICA URBANA
29 ESTATUTO DA CIDADE: OS INSTRUMENTOS
31 1 | DIRETRIZES GERAIS
37 2 | CONCEPÇÃO DE CIDADE E PLANEJAMENTO MUNICIPAL CONTIDA NO ESTATUTO DA CIDADE
38 3 | A ARTICULAÇÃO DA POLÍTICA URBANA MUNICIPAL: O PLANO DIRETOR
38 3.1 | PLANO DIRETOR \u2013 COMENTÁRIOS URBANÍSTICOS
38 Concepção Tradicional
39 Concepção de Plano Diretor Contida no Estatuto da Cidade
41 Como Implementar o Plano Diretor
41 Conteúdo do Macrozoneamento
42 Requisitos Básicos para Definição do Macrozoneamento
43 3.2 | PLANO DIRETOR \u2013 COMENTÁRIOS JURÍDICOS E ADMINISTRATIVOS
43 Significado e Finalidade
47 Requisitos para Aplicação do Plano Diretor
56 Responsabilidade Administrativa e Obrigatoriedade do Plano Diretor
62 4 | INSTRUMENTOS DE INDUÇÃO DO DESENVOLVIMENTO URBANO
62 4.1 | INSTRUMENTOS DE INDUÇÃO DO DESENVOLVIMENTO \u2013 URBANO COMENTÁRIOS URBANÍSTICOS
63 Parcelamento, Edificação ou Utilização Compulsórios (arts. 5o e 6o); IPTU Progressivo no Tempo (art. 7o);
Desapropriação com Pagamento em Títulos (art. 8o), Consórcio Imobiliário (art. 46)
63 O Conceito dos Instrumentos
63 Objetivos dos Instrumentos
63 Como Implementar os Instrumentos
64 Alertas
65 Trajetória da Implementação dos Instrumentos
65 Outorga Onerosa do Direito de Construir (arts. 28 a 31), Direito de Superfície (arts. 21 a 24)
65 O Conceito dos Instrumentos
69 Objetivos dos Instrumentos
70 Como Implementar os Instrumentos
71 Alertas
72 Trajetória da Implementação dos Instrumentos
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74 Transferência do Direito de Construir (art. 35)
74 O Conceito do Instrumento
74 Objetivos do Instrumento
74 Como Implementar o Instrumento
75 Alertas
75 Trajetória da implementação do instrumento
78 Operações Urbanas Consorciadas (arts. 32 a 34)
78 O conceito do Instrumento
81 Objetivos do Instrumento
82 Como Implementar o Instrumento
86 Alertas
87 Trajetória de Implementação do Instrumento
93 Direito de Preempção (arts. 25 a 27)
93 O Conceito do Instrumento
93 Objetivos do Instrumento
94 Como Implementar o Instrumento
94 Alertas
94 Trajetória da Implementação do Instrumento
95 4.2 | INSTRUMENTOS DE INDUÇÃO DO DESENVOLVIMENTO URBANO \u2013 COMENTÁRIOS JURÍDICOS E ADMINISTRATIVOS
95 Instrumentos Constitucionais de Política Urbana (artigo 182, parágrafo 4o da Constituição Federal)
96 Parcelamento, Edificação ou Utilização Compulsórios (arts. 5o e 6o)
96 Significado e Finalidade
97 Subutilização e Utilização Compulsória
98 Requisitos para aplicação
100 Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana Progressivo no Tempo (art. 7o)
100 Significado e Finalidade
102 Requisitos para Aplicação
103 Desapropriação para fins de Reforma Urbana (art. 8o)
103 Significado e Finalidade
104 Requisitos para Aplicação
105 Responsabilidade Administrativa