U - Estatuto da Cidade
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da Av. Faria Lima, pretendendo-se a criação de uma via paralela à Av. Marginal
do Rio Pinheiros, para aliviar a saturação viária da região sudoeste.
Seu perímetro compreende duas áreas distintas: Área Diretamente Beneficiada, lindeira às
obras de prolongamento da Av. Faria Lima e Av. Hélio Pellegrino, e uma área mais ampla,
denominada Área Indiretamente Beneficiada.Originalmente, previam-se para essas áreas
procedimentos diferentes de aprovação de propostas, que, nas primeiras, seria automático; esse
automatismo seria possível com a criação do Certificado de Potencial Adicional de Construção \u2013
CEPAC \u2013, um título negociável em bolsa, que poderia ser convertido, na ocasião desejada por
seus detentores, em quantidades de metros quadrados de área de construção computável, e
que poderiam ser aplicados em qualquer ponto do território delimitado pela Operação.
Porém, a emissão de CEPACs não se viabilizou, e o pagamento da contrapartida é realizado em
moeda corrente nacional, como já autorizado na própria lei da Operação Urbana Faria Lima.
Nessas áreas poderá ser concedida a modificação dos parâmetros urbanísticos estabelecidos
na legislação de uso e ocupação do solo, e a cessão do espaço público aéreo ou subterrâneo.
Nesse caso, também a lei estabeleceu um estoque de área edificável adicional, que na Área
Diretamente Beneficiada é de 1.250.000 m2, e na Área Indiretamente Beneficiada, de 1.000.000
m2. A Lei definiu um programa de investimentos que inclui, além das obras viárias, um novo
terminal de ônibus, habitações de interesse social destinadas à venda financiada para a população
favelada existente no perímetro e seu entorno, a construção de habitações multifamiliares para
venda financiada à população residente em área de desapropriação e que queira permanecer
na região, e, ainda, a aquisição de imóveis para implantação de praças e equipamentos
institucionais. Apenas o custo do viário (incluindo as desapropriações) seria de 120 a 150 milhões
de reais. Estes programas, no entanto, nunca saíram do papel, tendo a Operação Faria Lima,
até hoje, investido apenas em melhoramentos viários, como os dois prolongamentos da Av.
Faria Lima e o prolongamento da Av. Hélio Pellegrino, além de começar também a configurar
uma nova situação fundiária com as propostas já aprovadas, já que em mais de 60% dos casos
houve agregação de pequenos lotes para formar os terrenos que se beneficiaram da Operação
Urbana. A aprovação dessa proposta trouxe para os cofres municipais mais de R$ 200 milhões,
montante que já cobriu o custo da implantação da avenida \u2013 que foi feita às expensas do poder
público \u2013 apenas no que se refere à própria obra, já que os recursos para as desapropriações
(possivelmente em torno de 200 milhões, número estimativo, pois são recorrentes os
questionamentos na justiça dos valores pagos em desapropriações) saíram dos cofres públicos.
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PPPPPequenas operações urbanasequenas operações urbanasequenas operações urbanasequenas operações urbanasequenas operações urbanas
Pequenas operações resultantes de acordos formais entre o poder público e a iniciativa privada,
materializados em contratos, têm sido experimentados no RIO DE JANEIRO, gerando recursos
diretos e indiretos. A Secretaria Municipal de Urbanismo implementa pequenas operações
que podem ser divididas em quatro categorias: a) obrigações relativas a grupamentos de
edificações residenciais cujo objetivo é obter edifícios, terrenos ou recursos para a construção
de equipamentos municipais; b) obrigações de urbanização cujo objetivo é a complementação
ou extensão da infra-estrutura; c) operações interligadas que são os únicos contratos feitos
nos quais a contrapartida financeira é mensurada e d) obrigações relativas a gestão de recuos
decorrentes das normas de alinhamento. A Fundação de Parques e Jardins da Prefeitura do Rio
de Janeiro também tem buscado, como tem acontecido em muitas cidades, parcerias com a
iniciativa privada ou associações para a manutenção de praças, jardins, mobiliário. Além da
ampliação dos recursos a serem utilizados na manutenção desse patrimônio, os aspectos da
educação ambiental, da responsabilidade coletiva sobre a paisagem construída e da participação
também são importantes.
Fonte: Ermínia Maricato e João Sette Whitaker Ferreira. Operação urbana consorciada: diversificação urbanística
participativa ou aprofundamento da desigualdade?
Em BELO HORIZONTE, o instrumento operação urbana foi instituído pelo Plano Diretor (lei no
7165/1996), mas apenas uma operação urbana foi aprovada e está em andamento, uma parceria
entre poder público municipal, particulares e Rede Ferroviária. A área de propriedade da Rede
Ferroviária está vazia e possui uma edificação tombada, a Casa do Conde de Santa Marina, que
tinha sido até então cedida para a realização de eventos. O terreno e a casa passarão a ser
propriedade pública, a casa deverá ser restaurada para abrigar o Museu do Trem, e todo o
terreno em volta terá uso cultural. Em contrapartida será cedido parâmetro urbanístico adicional
para o terreno remanescente, que permanece patrimônio da Rede Ferroviária, e que irá a leilão
já com esse valor adicionando à propriedade.....
Em CAMPO GRANDE, a figura da Operação Urbana aparece como Urbanização Negociada.
A chamada Urbanização Negociada aparece no Plano Diretor na forma da Lei complementar
2.813, de 17 de junho de 1991 e a Urbanização Consorciada aparece no artigo 14, parágrafo
(Plano Diretor \u2013 Lei Complementar no 05 de 22 de novembro de 95). A lei da Urbanização
Negociada foi criada para o projeto específico Urbanização do Parque das Nações Indígenas.
Existia um projeto para o parque, anterior à aprovação do Plano Diretor, que previa sua
implementação entre duas avenidas que seriam abertas, e abrigariam nas suas margens
edificações verticalizadas. Essas avenidas localizam-se no centro de Campo Grande, em uma
área muito valorizada, de uso estritamente residencial horizontal. O proprietário cedeu a área à
municipalidade em troca de potencial construtivo em outra área. A área remanescente, às
margens da avenida, também seria fruto da liberação do potencial construtivo, permitindo a
verticalização. Como o processo foi muito demorado, apesar de uma parte da área ser alvo
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dessa legislação de Urbanização Negociada, outra parte foi simplesmente desapropriada pelo
Governo do Estado através de um decreto.
A legislação não foi mais utilizada e foi reformulada no final de 2000 admitindo a transferência
de potencial quando se tratasse de área ambiental ou cultural e restringindo a alteração de
índices e usos vinculando-a à realização de obras de interesse social ou qualificação urbanística.
Nessa reformulação foram delimitadas algumas áreas para serem foco dessas operações
urbanas, de interesse do município, de caráter cultural, como o Centro e a Estação de Trem
originária da cidade; e de caráter ambiental, como por exemplo cabeceiras de córregos ocupadas.
Em MAUÁ-SP,,,,, as operações urbanas estão previstas no Plano Diretor (Lei 3.052, de 21 de
dezembro de 1998), e cada uma delas tem uma lei específica que determina desafetações de
área pública e termo de compromisso de contrapartidas. . . . . Algumas operações urbanas
aconteceram, com destaque para duas. A primeira aconteceu na área abandonada da antiga
rodoviária, próxima à Prefeitura. Uma parte da área foi comprada pelo o McDonald\u2019s que se
comprometeu em construir um teatro e duas EMEIs \u2013 Escola Municipal de Educação Infantil.
Para esse empreendimento foi feita uma lei específica desafetando a área pública e descrevendo
essas obras. O teatro será inaugurado ainda este ano e as escolas já estão em uso.
Uma segunda