U - Estatuto da Cidade
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Extra-Fiscal
O imposto predial e territorial urbano progressivo no tempo, como sanção ao proprietário
que não destinou sua propriedade uma função social, tem natureza extrafiscal. Seu
objetivo é motivar a utilização devida da propriedade urbana, de modo a garantir, nos
termos do Plano Diretor e do plano urbanístico local, o cumprimento da função social da
propriedade. A finalidade do poder público municipal na utilização do IPTU progressivo
no tempo não é a arrecadação fiscal, mas sim a de induzir o proprietário do imóvel
urbano a cumprir com a obrigação estabelecida no plano urbanístico local, de parcelar
ou edificar, de utilizar a propriedade urbana de forma a atender sua função social.
37José Afonso da Silva, Curso de Direito Constitucional - Positivo, Editora Revista dos Tribunais, São Paulo, 1990, p. 606.
38 Hugo de Brito Machado, Progressividade do IPTU, Repertório IOB de Jurisprudência, 2ª quinzena de agosto de 1990,
nº 1690, p. 260.
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Sobre a distinção entre as formas de progressividade do IPTU, é importante a lição do
Prof. Geraldo Ataliba: \u201cfica claramente visto que, progressividade no tempo é impedida
sem obediência ao artigo 182. Mas a circunstância de o próprio artigo 182 propor que
pode ser estimulada, induzida-se não mesmo forçada-a edificação e a adequada utilização
de imóveis urbanos, mediante a utilização de um IPTU \u201cprogressivo no tempo\u201d, já mostra
que as demais razões da progressividade (razões que não digam respeito à disciplina
urbana), bem como outros critérios (que não seja o tempo), são perfeitamente tolerados.
Em outras palavras: veda-se essa progressividade extrafiscal (de fins urbanísticos, sem
observância, pelo Município, dos pressupostos do art. 182. Não se proíbe a
progressividade fiscal.\u201d39
Para o Poder Público municipal poder aplicar o imposto predial e territorial urbano
progressivo no tempo, é necessário que o proprietário de imóvel urbano não cumpra o
prazo da obrigação, de parcelar ou edificar nos termos do plano urbanístico local.
REQUISITOS PARA APLICAÇÃO
Alíquota do IPTU Progressivo no Tempo
Pelo artigo 7º do Estatuto da Cidade, em caso de descumprimento das condições e dos
prazos previstos para o parcelamento ou edificação nos termos da lei municipal específica,
o Município deve aplicar o imposto sobre a propriedade predial e territorial urbana
(IPTU) progressivo no tempo, mediante a majoração da alíquota pelo prazo de cinco
anos consecutivos.
Com relação ao valor da alíquota, o § 1º do artigo 7º estabelece que o valor a ser aplicado
a cada ano será fixado na lei municipal específica, e não excederá a duas vezes o valor
referente ao ano anterior, respeitada a alíquota máxima de quinze por cento.
Esta norma adota dois critérios distintos para a cobrança do imposto. O primeiro é do
valor do IPTU a partir da sua cobrança não poder exceder a duas vezes o valor referente
ao ano anterior. Se o valor fixado no primeiro ano de incidência do imposto de acordo
com a alíquota for, por exemplo, de dois mil reais, no segundo ano de incidência o valor
máximo poderá ser de quatro mil reais.
O segundo critério diz respeito à alíquota máxima do imposto, que poderá ser fixada até
quinze por cento. Isto significa que o Poder Público não pode iniciar a cobrança do IPTU
progressivo no tempo por meio da alíquota máxima de quinze por cento. No caso do
Município em razão da progressividade definida atingir no quarto ano de cobrança a
alíquota máxima de quinze por cento, nos próximos anos de cobrança o Poder Público
municipal não poderá fixar um alíquota superior a este percentual, devendo manter esta
alíquota até a promoção da desapropriação para fins de reforma urbana.
Para garantir uma proporcionalidade adequada do valor é preciso que a planta genérica
de valores do Município esteja em consonância com os valores do mercado imobiliário.
No caso de a obrigação de parcelar, edificar ou utilizar não ser atendida em cinco anos, o
Município manterá a cobrança pela alíquota máxima, até que se cumpra a referida
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39 Geraldo Ataliba, IPTU - Progressividade, Cadernos de Direito Municipal RDP nº 92, jan/março 1990, ano 23, p. 236.
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obrigação, ficando garantida a prerrogativa de desapropriar o imóvel para fins de reforma
urbana nos termos do §2 º do artigo 7º.
Proibição de Isenções
Pelo § 3º deste artigo fica proibida a concessão de isenções ou de anistia relativas à
tributação progressiva para os proprietários dos imóveis que não estão cumprindo com a
obrigação de dar uma destinação social à propriedade urbana.
Esta medida é fundamental para evitar que um proprietário de imóvel urbano que não
esteja cumprindo com a função social da propriedade, seja beneficiado com a concessão
de isenção ou anistia referente ao imposto sobre a propriedade urbana. Por se tratar de
um imposto sanção, não é cabível a possibilidade de isenções e anistias. O proprietário
somente deixará de pagar o IPTU progressivo no tempo se cumprir com a obrigação que
lhe foi determinada pelo Poder Público municipal de promover o parcelamento, a
edificação ou a utilização do imóvel.
DESAPROPRIAÇÃO PARA FINS DE REFORMA URBANA (ART. 8o)
SIGNIFICADO E FINALIDADE
A desapropriação prevista no inciso III do parágrafo 4º do artigo 182 é um dos casos de
exceção ao artigo 5º, inciso XXIV da Constituição, pelo qual a desapropriação será efetuada
mediante justa e prévia indenização em dinheiro. O poder público municipal poderá
efetuar essa desapropriação no caso do proprietário deixar de cumprir com a obrigação
de conferir uma destinação social à sua propriedade urbana, nos termos e prazos
estabelecidos no plano urbanístico local, após o término do prazo máximo de 5(cinco)
anos da aplicação do imposto predial e territorial urbano progressivo no tempo.
Pela forma como está prevista no texto constitucional, essa desapropriação é um
instrumento urbanístico que possibilita o poder público aplicar uma sanção ao proprietário
de imóvel urbano, por não respeitar o princípio da função social da propriedade, nos
termos do Plano Diretor e do plano urbanístico local.
A desapropriação se configura como sanção pelo critério definido para fins do pagamento
da indenização, que será mediante títulos da dívida pública, de emissão previamente
aprovada pelo Senado Federal, com prazo de resgate de até dez anos, em parcelas anuais
e sucessivas, assegurados o valor real da indenização e os juros legais. Por ser um
instrumento destinado a garantir o cumprimento da função social da propriedade, podemos
caracterizar que essa desapropriação é destinada a promover a reforma urbana, isto é,
promover transformações na cidade e, portanto, merece um tratamento especial.
De acordo com o artigo 8º do Estatuto da Cidade, a desapropriação para fins de reforma
urbana poderá ser procedida pelo Município, quando forem decorridos cinco anos de
cobrança do IPTU progressivo, sem que o proprietário tenha cumprido a obrigação de
parcelamento, edificação ou utilização.
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REQUISITOS PARA APLICAÇÃO
Forma de Pagamento
O pagamento da indenização será efetuado por meio de títulos da dívida pública. De acordo
com o § 1º do artigo 8º, os títulos da dívida pública terão prévia aprovação pelo Senado
Federal e serão resgatados no prazo de até dez anos, em prestações anuais, iguais e sucessivas,
assegurados o valor real da indenização e os juros legais de seis por cento ao ano.
Considerando as experiências de utilização indevida dos títulos da dívida pública, o Estatuto
da Cidade impõe restrições aos usos dos títulos da dívida pública no § 3º do artigo