U - Estatuto da Cidade
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U - Estatuto da Cidade


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de vida, sob os aspectos social e ambiental.
II \u2013 gestão democrática por meio da participação da população e de associações representativas
dos vários segmentos da comunidade na formulação, execução e acompanhamento de planos,
programas e projetos de desenvolvimento urbano;
5 O Artigo 53 altera o artigo 1° da Lei n° 7.347/85, que é a lei de ação civil pública de responsabilidade por danos causados
ao meio ambiente e outros interesses difusos e coletivos. Este artigo inclui na lei da ação civil pública a possibilidade de
acionar na Justiça os responsáveis por danos morais e patrimoniais à ordem urbanística. Esta ação poderá ser promovida
por associação civil legalmente constituída há pelo menos um ano que tenha a previsão de promover a ação civil pública
em seu estatuto, bem como pelo Ministério Público.
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A gestão democrática da cidade é reconhecida como uma diretriz para o desenvolvimento
sustentável das cidades, com base nos preceitos constitucionais da democracia
participativa, da cidadania, da soberania e participação popular. Potencializar o exercício
dos direitos políticos e da cidadania deve ser o objetivo que deve ser respeitado nos
processos de gestão nas cidades. O direito à participação popular será respeitado quando
os grupos sociais marginalizados e excluídos tiverem acesso à vida política e econômica
da cidade. Para ser exercido, este direito para pressupõe a capacitação política dos diversos
grupos sociais.
Na gestão democrática da cidade, deve ser assumido politicamente que existem diversos
atores sociais com concepções de vida conflitantes e de cidade. O desafio é construir uma
cultura política com ética nas cidades, viabilizando que os conflitos de interesse sejam
mediados e negociados em esferas públicas e democráticas. Assume-se como princípio
básico da política urbana o imperativo de se discutir os rumos das cidades com os vários
setores da sociedade. Garante-se, dessa forma, a participação da população nas decisões
de interesse público, por meio dos instrumentos estabelecidos na Lei.
A comunidade e o Estado atuam assim, conjuntamente, na gestão e fiscalização da coisa
pública. A gestão democrática da cidade pressupõe a organização da sociedade civil para
interferir no processo político em nome das demandas sociais por meio do exercício da
cidadania. Assim, a democracia participativa é um instrumento de garantia dos direitos
fundamentais, reunidos, por sua vez, no direito à cidade.
III \u2013 cooperação entre os governos, a iniciativa privada e os demais setores da sociedade no pro-
cesso de urbanização, em atendimento ao interesse social;
Expõe-se aqui a dimensão da necessidade de parcerias entre o poder público e os vários
setores da sociedade civil no planejamento, execução e fiscalização da política urbana,
por meio de cooperação entre os investimentos públicos e privados, sempre tendo em
vista o interesse da sociedade como um todo. Esta diretriz contrapõe-se a uma noção de
parcerias entre o poder público e a iniciativa privada, cujo principal beneficiário seja o
capital imobiliário.
IV \u2013 planejamento do desenvolvimento das cidades, da distribuição espacial da população e das
atividades econômicas do município e do território sob sua área de influência, de modo a evitar e
corrigir as distorções do crescimento urbano e seus efeitos negativos sobre o meio ambiente.
O Estatuto da Cidade compreende o crescimento e desenvolvimento urbano como um
processo que pressiona o equilíbrio social e ambiental. A prática do planejamento urbano,
portanto, mais do que estabelecer modelos ideais de funcionamento das cidades, deve
contemplar os conflitos e possuir uma função de correção dos desequilíbrios de todas as
ordens que são causados pela urbanização. Nesse sentido, deve haver uma compreensão
integrada do desenvolvimento urbano e econômico, incluindo as relações entre as regiões
urbanizadas e as áreas sob sua influência direta.
V \u2013 oferta de equipamentos urbanos e comunitários, transporte e serviços públicos adequados aos
interesses e necessidades da população e às características locais;
O Estatuto estabelece como diretriz a necessidade de estabelecer uma política de
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investimentos públicos baseada na equidade e universalização do acesso aos serviços e
equipamentos públicos. Desta forma busca-se evitar a concentração da oferta de serviços
e equipamentos em apenas um setor da cidade. Esta diretriz pressupõe também a ruptura
com a idéia de homogeneização dos padrões urbanísticos, em total dissonância com as
condições concretas dos territórios, que são distintas de acordo com as condições
ambientais e históricas específicas.
VI \u2013 ordenação e controle do uso do solo, de forma a evitar:
a utilização inadequada dos imóveis urbanos;
a proximidade de usos incompatíveis ou inconvenientes;
o parcelamento do solo, a edificação ou o uso excessivos ou inadequados em relação à infra-
estrutura urbana;
a instalação de empreendimentos ou atividades que possam funcionar como pólos geradores de
tráfego, sem a previsão da infra-estrutura correspondente;
a retenção especulativa de imóvel urbano, que resulte na sua subutilização ou não utilização;
a deterioração das áreas urbanizadas;
a poluição e a degradação ambiental;
Na abordagem tradicional, a Lei de Uso e Ocupação do Solo é vista como um mecanismo
de regulação dos usos urbanos baseado principalmente em modelos ideais de distribuição
de densidades e compatibilidade de usos. Aqui, complementa-se essa visão com uma
nova maneira de tratar o uso e a ocupação do solo, incorporando a dimensão de seus
efeitos sobre o processo de formação de preços no mercado imobiliário e na adequação
entre as reais condições das diferentes partes da cidade e a ocupação que essas áreas
podem receber. A Lei de Uso e Ocupação do Solo, portanto, pode passar a induzir usos e
ocupações específicos, quando identifica distorções entre a capacidade e a real utilização
de cada parcela da cidade. Da mesma maneira, a lei pode mediar conflitos entre usos e
ocupações incompatíveis na cidade.
VII \u2013 integração e complementaridade entre as atividades urbanas e rurais, tendo em vista o de-
senvolvimento sócio-econômico do Município e do território sob sua área de influência;
Leva-se em conta a relação de dependência entre as regiões urbanas e rurais, estendendo
as premissas do Estatuto para além da região urbanizada do município. Esta diretriz afirma
a responsabilidade do município em relação ao controle do uso e ocupação do solo das
zonas rurais, na perspectiva do desenvolvimento econômico do município.
VIII \u2013 adoção de padrões de produção e consumo de bens e serviços e de expansão urbana compa-
tíveis com os limites da sustentabilidade ambiental, social e econômica do Município e do territó-
rio sob sua área de influência;
Coloca-se a idéia do direito às cidades sustentáveis, como um dos princípios norteadores
da política urbana. A sustentabilidade, aqui, é percebida no seu sentido mais amplo, indo
além do equilíbrio ambiental e incorporando as dimensões econômicas e sociais.
IX \u2013 justa distribuição dos benefícios e ônus decorrentes do processo de urbanização.
O desenvolvimento urbano e os investimentos públicos nas cidades causam profundos
impactos nas condições econômicas e sociais da população e de seu patrimônio imobiliário.
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Um dos objetivos da política urbana passa a ser o estabelecimento de mecanismos de
correção dessas distorções, de maneira a compensar perdas ou ganhos excessivos em
decorrência das alterações na dinâmica e dos investimentos públicos e privados na cidade.
X \u2013 adequação dos instrumentos de política econômica, tributária e financeira e dos gastos públi-
cos aos objetivos do desenvolvimento urbano, de modo