Teoria_Geral_do_Crime_-_1a_Parte
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do sujeito. Encontraremos o cuidado objetivo necessário, fundado na previsibilidade objetiva. Vamos comparar esse cuidado genérico com a conduta específica do sujeito. Se ele não se conduziu da forma imposta pelo cuidado normal, o fato é típico. A tipicidade da conduta conduz à sua ilicitude.
Depois, na operação final, devemos analisar a culpabilidade: o sujeito agiu, segundo seu poder individual, de forma a impedir o resultado? Ele observou a diligência pessoal possível segundo suas próprias aptidões? A resposta negativa leva à reprovabilidade, à culpabilidade.
A observância do dever genérico de cuidado exclui a tipicidade do fato; a observância do dever pessoal de cuidado exclui a culpabilidade.
PREVISIBILIDADE OBJETIVA
Previsibilidade é a possibilidade de ser antevisto o resultado, nas condições em que o sujeito se encontrava. Suponha-se que o agente dirija veículo na contramão de direção. Há a possibilidade de serem antevistas a vinda de outro veículo em sentido contrário, em sua mão de direção, e a ocorrência de um acidente com vítima? O resultado (lesão ou morte da vítima) era perfeitamente previsível. Objeta-se que a previsibilidade é ilimitada, pelo que haveria culpa em todos os casos de produção de resultados involuntários. Assim, quando se dirige automóvel é previsível a ocorrência de acidentes. Então, em qualquer acidente automobilístico, p. ex., o sujeito seria culpável. De ver-se, porém, que nem tudo pode ser previsto. O legislador exige que o sujeito preveja o que normalmente pode acontecer, não que preveja o extraordinário, o excepcional. Se tomo um carro e viajo para local distante, sei que posso sofrer um acidente. Não é esta a previsibilidade de que se trata. Trata-se de uma previsibilidade presente, atual, nas circunstâncias do momento da realização da conduta, de acordo com o quod plerumque accidit.
Há dois critérios de aferição da previsibilidade: o objetivo e o subjetivo.
De acordo com o critério objetivo, a previsibilidade deve ser apreciada, não do ponto de vista do sujeito que realiza a conduta, mas em face do homem prudente e de discernimento colocado nas condições concretas.
Nos termos do critério subjetivo, deve ser aferida tendo em vista as condições pessoais do sujeito. Não se pergunta o que o homem prudente deveria fazer naquele momento, mas sim o que era exigível do sujeito nas circunstâncias em que se viu envolvido.
Como vimos, a previsibilidade objetiva se projeta no campo do tipo penal; a subjetiva, na culpabilidade.
A culpa é o elemento normativo da conduta (não confundir com elemento normativo do tipo), pois sua existência decorre da comparação que se faz entre o comportamento do agente no caso concreto e aquele esperado pela norma, que seria o ideal.
Elementos do Fato Típico Culposo
São elementos do fato típico culposo:
conduta voluntária: não confundir com vontade de produzir o resultado. No crime culposo, a conduta não é dirigida em regra para um fim ilícito. Ela é geralmente dirigida para uma finalidade sem qualquer relevância penal. Todavia, essa finalidade \u201cé mal dirigida\u201d. Por isso é que afirma que no crime doloso pune-se a conduta dirigida a um fim ilícito, enquanto no crime culposo pune-se a conduta mal dirigida, por falta de cuidado do agente. Ex: ao dirigir imprudentemente o carro, em velocidade acima do permitido, o agente possui uma finalidade (por exemplo, chegar logo na casa da namorava porque está atrasado para o encontro e sua namorada odeia que ele se atrase). Note-se que essa finalidade é penalmente irrelevante. Ocorre que o agente, para atingir essa finalidade, acaba agindo de forma descuidada, desatenta, o que pode gerar um resultado lesivo. A conduta foi praticada com consciência e vontade (\u201csei o que faço e quero fazê-lo\u201d), mas o agente não tem a finalidade de produzir o resultado danoso. 
resultado naturalístico involuntário: para que ocorra o crime culposo é necessário que a conduta culposa cause um resultado naturalístico, isto é, deve haver uma modificação no mundo exterior (ex: agente dirigindo carro em alta velocidade atropela uma pessoa que atravessava a rua). Esse resultado é causado sem intenção, mas é causado. O agente não queria o resultado nem assumiu o risco de produzi-lo (pois acreditava sinceramente que nada aconteceria), mas o resultado acaba acontecendo de forma involuntária.
ATENÇÃO! São raríssimas as hipóteses de crime culposo que não necessitam do resultado naturalístico para que se realizem. Podem ser citadas duas hipóteses excepcionalíssimas:
art. 13 da Lei 10.826/03 (Estatuto do Desarmamento): pune a mera conduta omissiva do possuidor da arma de fogo que se omite na guarda de arma, deixando de observar as cautelas necessárias para impedir que menor de 18 anos ou pessoa portadora de deficiência mental se apodere da arma de fogo (pela descrição típica, basta a omissão de cautela para a configuração do crime, independentemente de qualquer resultado naturalístico);
art. 28 da Lei 11.343/06 (Lei de Drogas): pune a mera conduta de \u201cprescrever\u201d culposamente drogas, sem que delas necessite o paciente (pela descrição típica, basta a prescrição da droga, consumando-se com a simples entrega da receita ao paciente, independentemente de qualquer resultado naturalístico).
nexo causal: liame entre a conduta e o resultado naturalístico;
tipicidade: adequação entre o fato e o tipo penal;
previsibilidade objetiva: é a possibilidade normal de previsão do resultado (como visto, o que se leva em conta é se o resultado era ou não previsível para uma pessoa de prudência mediana, e não a capacidade do agente de prever o resultado);
ausência de previsão: o agente não preve o previsível, daí porque alguns autores dizerem que a culpa é a imprevisão do previsível (exceção: como será explicado adiante, na culpa consciente há a previsão do resultado);
quebra do dever objetivo de cuidado: é o dever de cuidado imposto a todos. Existem três maneiras de violar o dever objetivo de cuidado. São as três modalidades de culpa: imprudência, negligância e imperícia.
Modalidades de Culpa
O Código Penal atual, quando se refere ao crime culposo, elenca as modalidades de culpa:
Art. 18 - Diz-se o crime:
(\u2026)
II - culposo, quando o agente deu causa ao resultado por imprudência, negligência ou imperícia. 
Imprudência: é a culpa de quem age (exemplo: passar no farol fechado). É a prática de um fato perigoso, ou seja, é uma ação descuidada. Decorre de uma conduta comissiva.
Negligência: é a culpa de quem se omite. É a falta de cuidado antes de começar a agir. Ocorre sempre antes da ação (exemplo: não verificar os freios do automóvel antes de colocá-lo em movimento).
Imperícia: é a falta de habilidade ou desconehcimento de regra técnica no exercício de uma profissão ou atividade. No caso de exercício de profissão, arte ou ofício, se não for observada uma regra técnica o fato poderá enquadrar-se nos artigos 121, § 4º, e 129, § 7º, do Código Penal. Observe-se que, nestes casos (art. 121, § 4º, e 129, § 7º, CP), só haverá aumento de pena se o agente conhecer a regra técnica e não aplicá-la. Não incide o aumento de pena se o agente desconhece a regra. Se a imperícia advier de pessoa que não exerce a arte ou profissão, haverá imprudência ou negligência (exemplo: motorista sem habilitação). Difere-se a imperícia do erro profissional, que ocorre quando são empregados os conhecimentos normais da arte, ofício ou profissão e o agente chega a uma conclusão equivocada (resulta da falibilidade das regras científicas conhecidas).
O Código Penal de 1890, em seu artigo 297, previa a culpa in re ipsa (ou culpa presumida), resultante de mera inobservância de disposição regulamentar. Se, por exemplo, um engenheiro deixasse de obedecer determinado regulamento e ocorresse um aciedente na construção, responderia pelo resultado, mesmo se não tivesse agido culposamente. Adotava-se, como se vê, a responsabilidade penal objetiva, abolida no Código Penal de 1940.
Espécies de Culpa
	É muito importante não confundir as modalidades de culpa (vistas acima) com as espécies
everaldo
everaldo fez um comentário
otimoooooooo
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Fabiana
Fabiana fez um comentário
O melhor !????✅????
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Wendell
Wendell fez um comentário
Ótimo!!!
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