Teoria_Geral_do_Crime_-_1a_Parte
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de culpa, que são:
Culpa inconsciente ou sem previsão (culpa \u201cex ignorantia\u201d) : é a culpa sem previsão do resultado, em que o agente não prevê o que era previsível. Embora não tenha sido previsto agente, o resultado era previsível para o homo medius (previsibilidade objetiva). É a culpa, digamos, \u201ccomum\u201d, aquela que normalmente ocorre nos crimes culposos.
Culpa consciente ou com previsão (culpa \u201cex lascívia\u201d): é aquela em que o agente prevê o resultado, mas acredita sinceramente que ele não ocorrerá. O resultado causado foi previsto pela sujeito, mas este esperava que não iria ocorrer ou que poderia evitá-lo.
ATENÇÃO! Não se pode confundir a culpa consciente com o dolo eventual. Tanto na culpa consciente quanto no dolo eventual o agente prevê o resultado, entretanto na culpa consciente o agente não aceita o resultado, e no dolo eventual o agente aceita o resultado. Uma das grandes questões nesse tema é: como diferenciar, na prática, o dolo eventual da culpa consciente. O STF, seguido pela doutrina, responde: ante a impossibilidade de se adentrar a psique do agente, a análise sobre a existência, no caso concreto, de dolo eventual ou culpa consciente, exige a observação de todas as circunstâncias objetivas do caso concreto (Informativo 645). A questão envolvendo o \u201cracha\u201d já foi acima abordada, tendo o STF se manisfestado que, em regra, homícidio decorrente dessa conduta é doloso (dolo eventual). Em relação àquele que dirige embriagado e causa acidente com vítimas, o STF posicionou-se no sentido de que, nas hipóteses em que o fato considerado doloso decorresse de mera presunção em virtude de embriaguez alcoólica eventual, haverá homicídio culposo na direção de veículo automotor, e não doloso (com dolo eventual), sublinhando que seria contraditória a prática generalizada de se vislumbrar o dolo eventual em qualquer desastre de veículo automotor com o resultado morte, porquanto se compreenderia que o autor do crime também submeteria a própria vida a risco. Em outras palavras, o que disse o STF foi que não basta a presunção de que, por estar embriagado, o agente causou um homicídio doloso (com dolo eventual), devendo ser demonstrado \u2013 pelo conjunto das circunstâncias do fato concreto \u2013 que o agente deu efetivamente causa ao evento por culpa (HC 107.801/SP, 1a Turma, Rel. orig. Min. Cármen Lúcia, red. p/ o acórdão Min. Luiz Fux, j. 06.09.2011, Informativo 639). O STJ também entende que o fato deve ser analisado com outras circunsântias além da embriaguez, a fim de se evidenciar se a condutado agente configure assunção do risco de produzir o resultado ou não (HC 58.826, j. 29.06.2009). Exemplos em que se poderia falar de dolo eventual do agente que dirige embriagado: além de embriagado, o agente conduz seu veículo em alta velocidade, em local com aglomeração de pessoas, passando no sinal vermelho, desrespeitando as regras de trânsito etc., enfim, dirigindo de maneira claramente perigosa.
	Culpa consciente
	Dolo eventual
	O agente prevê o resultado
	O agente prevê o resultado
	O agente não aceita o resultado (não assume o risco de produzi-lo), pois acredita que ele não ocorrerá
	O agente aceita o resultado (assume o risco de produzi-lo), pois não se importa se ele realmente ocorrer
	Ex: agente dirige em alta velocidade; vê pessoa atravessando a rua e percebe que pode atropelá-la; mas acredita sinceramente que não irá atropelá-la, ou por ter avaliado mal a situação fática ou porque acredita em sua destreza
	Ex: agente dirige em alta velocidade; vê pessoa atravessando a rua e percebe que pode atropelá-la; mas não se importa se irá atropelá-la ou não, assumindo o risco do resultado lesivo, sendo-lhe indiferente a sorte da vítima
Culpa indireta ou mediata: é aquela em que o sujeito dá causa indiretamente a um resultado culposo (ex: o assaltante aponta uma arma a um motorista que está parado no sinal; o motorista, assustado, foge do carro e acaba sendo atropelado). A solução do problema depende da previsibilidade ou imprevisibilidade objetiva do segundo resultado.
Culpa imprópria: também é chamada culpa por extensão, por assimilação ou por equiparação. Nesse caso, o resultado é previsto e querido pelo agente, que age em erro de tipo inescusável (indesculpável ou vencível). Ex: A está em casa assistindo televisão quando seu filho entra na casa pelas portas dos fundos; pensando tratar-se de um ladrão, A efetua disparos de arma de fogo contra seu azarado descendente. Nesse caso, A acreditava estar agindo em legítima defesa. Como A agiu em erro de tipo indesculpável (se fosse mais atento e diligente perceberia que era seu filho), responde por homicídio culposo nos termos do artigo 20, § 1º, do Código Penal. Observe-se que a culpa imprópria, na verdade, é um crime doloso que o legislador \u2013 por questões de política criminal \u2013 aplica pena de crime culposo. Se A, no entanto, tivesse agido em erro de tipo escusável (desculpável ou invencível), haveria exclusão de dolo e culpa, hipótese em que não poderia ser punido de nenhum modo. E se o filho (no exemplo citado acima) não tivesse morrido? Há duas posições na doutrina: 
1ª posição: A responderia por lesões corporais culposas (para aqueles que não admitem a tentativa em crime culposo);
2ª posição: A responderia por tentativa de homicídio culposo (para aqueles que admitem essa como sendo a única hipótese de tentativa em crime culposo, ou seja, na culpa imprópria, para essa corrente, pode haver tentativa).
	Para lembrar:
	
	
	Espécie
	Previsão do resultado
	Vontade
	Dolo 
	Direto
	Resultado previsto
	Agente pratica a conduta querendo o resultado
	
	Eventual
	Resultado previsto
	Agente assume o risco de produzir o resultado
	Culpa
	Consciente
	Resultado previsto
	Não quer e não assume o risco de produzir o resultado
	
	Inconsciente
	Resultado não previsto (embora previsível)
	Não quer e não assume o risco de produzir o resultado
Tipo Aberto
O tipo culposo é um tipo aberto, pois não há descrição da conduta culposa. Aliás, se o legislador tentasse descrever todas as hipóteses em que ocorresse culpa, certamente jamais esgotaria o rol. Para definir a tipicidade, compara-se a conduta do agente, no caso concreto, com a conduta de uma pessoa de prudência mediana (homo medius). Se a conduta do agente se afastar dessa prudência, haverá a culpa. Se a conduta inserir no comportamento esperado, exlcui a culpa. Será feita, assim, uma valoração jurídica para verificar a existência da culpa.
O tipo culposo, portanto, é um tipo aberto. Excepcionalmente, porém, o tipo culposo será um tipo fechado, quando o legislador descrever \u2013 no preceito primário da norma penal incriminadora \u2013 qual a conduta culposa. Ex: receptação culposa (art. 180, § 3º, CP), consistente na conduta daquele que adquirir ou receber coisa que, por sua natureza ou pela desproporção entre o valor e o preço (devendo haver flagrante desproporção), ou pela condição de quem a oferece (idade, aparência, profissão etc.), deve presumir-se obtida por meio criminoso. São circunstãncias não cumulativas que fazem presumir a origem ilícita do coisa. Aliás, sobre o crime de receptação culposa, outra observação se faz relevante: é o único crime contra o patrimônio (previsto no CP) que admite a modalidade culposa. 
Excepcionalidade da Culpa
Um crime só pode ser punido como culposo quando há previsão expressa na lei. Se a lei é omissa o crime só é punido como doloso (artigo 18, parágrafo único, do Código Penal).
Art. 18.
(\u2026)
Parágrafo único - Salvo os casos expressos em lei, ninguém pode ser punido por fato previsto como crime, senão quando o pratica dolosamente.
Compensação e concorrência de Culpas
No Direito Penal, não existe compensação de culpas. O fato de a vítima ter agido também com parcela de culpa não impede que o agente responda pela sua conduta culposa. Somente nos casos em que existir culpa exclusiva da vítima haverá exclusão da culpa do agente.
Não confundir com concorrência de culpas, que ocorre quando dois ou mais agentes, culposamente, contribuem para a produção do resultado (ex: choque de
everaldo
everaldo fez um comentário
otimoooooooo
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Fabiana
Fabiana fez um comentário
O melhor !????✅????
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Wendell
Wendell fez um comentário
Ótimo!!!
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