Teoria_Geral_do_Crime_-_1a_Parte
85 pág.

Teoria_Geral_do_Crime_-_1a_Parte


DisciplinaTeoria Geral do Crime230 materiais2.446 seguidores
Pré-visualização30 páginas
Greco e Damásio de Jesus; na jurisprudência: STJ, REsp 264283; 2ª) não se estende, por se tratar de circunstância pessoal, exigindo ato pessoal daquele que pretende se beneficiar da causa de diminuição (na doutrina: Guilherme de Souza Nucci e Luiz Regis Prado; na jurisprudência: STJ, HC 92.004).
A reparação ou a restituição deve ocorrer até a data do recebimento da denúncia ou da queixa (se for posterior, será considerada circunstância atenuante genérica, art. 65, III, b, CP).
NATUREZA JURÍDICA do arrependimento posterior
Trata-se de causa obrigatória de diminuição da pena. Observa-se que enquanto em outras disposições o CP emprega a expressão "pode" (exs.: arts. 26, parágrafo único, e 28, parágrafo único), no art. 16 é imperativo: "a pena será reduzida". A redução se faz em termos de um a dois terços. O quantum da diminuição deve ser investigado na própria conduta posterior do sujeito, como a pronta reparação ou restituição, demonstração de sinceridade etc. Assim, quanto mais rápida for a reparação do dano, maior deve ser a diminuição.
CASOS ESPECÍFICOS DE REPARAÇÃO DO DANO
Além de consistir em causa obrigatória de redução da pena, a reparação do dano funciona em outros institutos e hipóteses penais.
Nos termos do art. 312, § 3º, do CP, no caso do peculato culposo, a reparação do dano, se precede à sentença irrecorrível, extingue a punibilidade; se lhe é posterior, reduz de metade a pena imposta. De modo que, reparado o dano antes da sentença final e extinta a punibilidade, fica prejudicado o disposto no art. 16 do CP nesse caso.
No caso de estelionato por meio de emissão de cheque sem fundos, pagando-se o cheque até antes do recebimento da denúncia, impede-se a ação penal (Súmula 554 do STF).
Nos crimes contra a ordem tributária, pagando-se a dívida, extingue-se a punibilidade.
Nos crimes de ação penal pública condicionada à representação ou de ação penal privada submetidos à Lei nº 9.099/95 (Juizado Especial Criminal, que julga as infrações penais de menor potencial ofensivo), a reparação do dano (por meio de composição civil), gera a renúncia à representação e à queixa, extinguindo-se a punibilidade.
A reparação do dano posterior ao recebimento da denúncia ou da queixa constitui circunstância atenuante genérica (CP, art. 65, II, b). Efetuada até essa data, aplica-se o art. 16, prejudicada a atenuante genérica.
Reparado o dano, o sujeito pode obter sursis especial (CP, art. 78, § 2º). A ausência de reparação do dano configura causa obrigatória de revogação do sursis (art. 81, II).
Uma das condições da concessão do livramento condicional é a reparação do dano (art. 83, IV).
Consiste em efeito extrapenal da condenação (art. 91, I).
Condiciona a reabilitação (art. 94, III).
O condenado por crime contra a Administração Pública terá a progressão de regime de cumprimento de pena condicionada à reparação do dano que causou, ou à devolução do produto do ilícito poraticado, com os acrécismos legais (art. 33, § 4º, CP).
	Para lembrar:
O arrependimento posterior ocorre após a consumação do crime. É uma causa obrigatória de redução de pena. O crime já está consumado e o agente responderá pelo crime consumado com uma diminuição de pena de 1/3 a 2/3.
Só cabe em crime cometido sem violência ou grave ameaça contra a pessoa. Visa o legislador dar oportunidade ao agente, que pratica crime sem violência ou grave ameaça, de reparar o dano ou restituir a coisa. É cabível no homicídio culposo, visto que a violência de que a lei fala é a violência dolosa.
A reparação do dano ou restituição da coisa deve ser integral.
A reparação deve se dar por ato voluntário do agente. Não há necessidade de ser ato espontâneo, podendo haver influência de terceira pessoa.
O arrependimento posterior só pode ocorrer até o recebimento da denúncia ou queixa. Após o recebimento da denúncia ou queixa, a reparação do dano será somente atenuante genérica.
São dois os critérios para se aplicar a redução da pena: espontaneidade e celeridade. O arrependimento posterior não precisa ser espontâneo. Também, quanto mais rápido se reparar o dano, maior será a diminuição.
Em alguns casos, se o sujeito reparar o dano não incidirá o arrependimento posterior (art. 16), mas outra consequência (ex: no peculato culposo, a reparação até o trânsito em julgado da sentença extingue a punibilidade do crime).
 Iter criminis
	Desistência voluntária
	Arrependimento eficaz
	Arrependimento posterior
	A fase de execução se inicia e é interrompida pelo vontade do próprio agente
	A fase de execução se inicia e se esgota
	A fase de execução se inicia e se esgota, consumando-se o crime
	A fase de execução não se esgota
	O agente, depois de esgotar a fase de execução, pratica novo ato para evitar a consumação
	Após a consumação, o agente repara o dano ou restitui a coisa
crime impossível
É também chamado quase-crime, tentativa inidônea (inadequada ou inútil) ou crime oco. 
Tem disciplina jurídica contida no art. 17 do CP: "Não se pune a tentativa quando, por ineficácia absoluta do meio ou por absoluta impropriedade do objeto, é impossível consumar-se o crime".
Em determinados casos, após a prática do fato, verifica-se que o agente nunca poderia consumar o crime, quer pela ineficácia absoluta do meio empregado, quer pela absoluta impropriedade do objeto material (pessoa ou coisa sobre que recai a conduta). Assim, há dois casos de crime impossível:
Delito impossível por ineficácia absoluta do meio;
Delito impossível por impropriedade absoluta do objeto.
Dá-se o primeiro quando o meio empregado pelo agente, pela sua própria natureza, é absolutamente incapaz de produzir o evento. Ex.: o agente, pretendendo matar a vítima mediante propinação de veneno, ministra açúcar em sua alimentação, supondo-o arsênico. Outro exemplo: com o mesmo intuito, aciona o gatilho do revólver, mas a arma está descarregada.
Dá-se o segundo caso quando inexiste o objeto material sobre o qual deveria recair a conduta, ou quando, pela sua situação ou condição, torna impossível a produção do resultado visado pelo agente. Ex.: A, pensando que seu desafeto está a dormir, desfere punhaladas, vindo a provar-se que já estava morto; A, supondo que seu inimigo está no leito, dispara tiros de revólver, quando o mesmo ainda não se recolhera; a mulher, supondo-se em estado de gravidez, pratica manobras abortivas; o agente, supondo de outrem um objeto, subtrai objeto próprio.
Nos dois casos não há tentativa por ausência de tipicidade.
Para que ocorra o crime impossível, é preciso que a ineficácia do meio e a impropriedade do objeto sejam absolutas. Se forem relativas, haverá tentativa.
Há ineficácia relativa do meio quando, não obstante eficaz à produção do resultado, este não ocorre por circunstâncias acidentais. É o caso do agente que pretende desfechar um tiro de revólver contra a vítima, mas a arma nega fogo.
Há impropriedade relativa do objeto quando: a) uma condição acidental do próprio objeto material neutraliza a eficiência do meio usado pelo agente; b) presente o objeto na fase inicial da conduta, vem a ausentarse no instante do ataque. Ex.: a cigarreira da vítima desvia o projétil; o agente dispara tiros de revólver no leito da vítima, que dele saíra segundos antes.
TEORIAS SOBRE O CRIME IMPOSSÍVEL
Existem várias teorias a respeito do crime impossível:
Teoria sintomática: o critério decisivo é a periculosidade do agente. É preciso que a conduta seja indício de sua temibilidade criminal;
Teoria subjetiva: o fator que decide a questão é a intenção do delinquente, pois existe inidoneidade em qualquer tentativa, uma vez que o agente não produz o evento. Assim, o autor de um crime impossível deve sofrer a mesma pena cominada à tentativa. É evidente que esta teoria não pode ser aceita, pois confunde a tentativa com a consumação do delito;
Teoria objetiva: ensina que a imputação de um fato possui elementos objetivo e subjetivo, e sem a concorrência do primeiro não há falar-se em tentativa. O elemento objetivo é o perigo para os bens penalmente tutelados. É um perigo que
everaldo
everaldo fez um comentário
otimoooooooo
0 aprovações
Fabiana
Fabiana fez um comentário
O melhor !????✅????
0 aprovações
Wendell
Wendell fez um comentário
Ótimo!!!
0 aprovações
Carregar mais