Teoria_Geral_do_Crime_-_1a_Parte
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pode receber medidas de proteção (art. 105 do ECA). 
 
	Idade
	Consequências pela prática de conduta descrita como infração penal
	Menor de 12 anos = criança
	Medidas de proteção (art. 105, ECA)
	12 anos completos e menor de 18 = adolescente
	Medidas sócio-educativas (art. 112, ECA)
	18 anos completos = maior
	Legislação Penal (CP e leis penais especiais)
responsabilidade Penal das Pessoas Jurídicas
Há algumas teorias que tentam explicar esse assunto. Duas prevalecem: 
Teoria da ficção (Savigny): a pessoa jurídica não tem consciência e vontade própria. É uma ficção legal. Assim, não tem capacidade penal e não pode cometer crime, sendo responsáveis os seus dirigentes.
Teoria da realidade ou organicista (Gierke): vê na pessoa jurídica um ser real, um verdadeiro organismo, tendo vontade própria. Assim, pode ela delinquir.
Com a Constituição Federal de 1988, inovou-se no sentido de reconhecer a responsabilidade penal da pessoa jurídica, em duas hipóteses:
O art. 173, § 5º, prevê a possibilidade de responsabilização penal da pessoa jurídica nos crimes contra a ordem econômica e financeira e contra a economia popular (tal dispositivo, de eficácia limitada, ainda não foi objeto de norma infraconstitucional);
O art. 225, § 3º, prevê a possibilidade de responsabilização penal da pessoa jurídica por crimes contra o meio ambiente. O dispositivo foi objeto de regulamentação, pela chamada Lei dos Crimes Ambientais \u2013 Lei 9.605/98:
Art. 3º, Lei 9.605/98 \u2013 As pessoas jurídicas serão responsabilizadas administrativa, civil e penalmente conforme o disposto nesta Lei, nos casos em que a infração seja cometida por decisão de seu representante legal ou contratual, ou de seu órgão colegiado, no interesse ou benefício da sua entidade.
Parágrafo único. A responsabilidade das pessoas jurídicas não exclui a das pessoas físicas, autoras, coautoras ou partícipes do mesmo fato.
Impende ressaltar que, conquanto boa parte da doutrina penal pátria não aceite a responsabilidade penal da pessoa jurídica, o STF e o STJ \u2013 há um bom tempo \u2013 admitem que a pessoa jurídica responda por crimes ambientais, desde que preenchidos dois requisitos (cumulativos) previstos no art. 3º da Lei 9.605/98:
A infração penal deve ter sido cometida por decisão de seu representante legal ou contratual, ou de seu órgão colegiado;
A infração penal seja cometida no interesse ou benefício da pessoa jurídica.
Discussão ainda não pacificada diz respeito à possibilidade da pessoa jurídica figurar como RÉ na ação penal, sem que com ela responda também ao processo pelo menos uma pessoa física. 
No STJ prevalece a tese de que deve, junto com a pessoa jurídica, responda ao menos uma pessoa física, responsável pela conduta, adotando-se a teoria da dupla imputação (RHC 24.239, j. 10.06.2010). No STF existe posicionamento no sentido de que a pessoa jurídica pode figurar como RÉ, mesmo sem a presença de pessoa física na pólo passivo da ação penal. 
SUJEITO PASSIVO DO CRIME
Sujeito passivo é o titular do interesse, cuja ofensa constitui a essência do crime. Por isso, é preciso indagar qual o interesse tutelado pela lei penal incriminadora.
Espécies de sujeito passivo:
Sujeito passivo geral, constante ou formal: é o titular do mandamento proibitivo não observado pelo sujeito ativo \u2013 é o Estado.
Sujeito passivo eventual, particular, acidental ou material: é aquele que sofre a lesão do bem jurídico, do qual é titular \u2013 pode ser o homem, o Estado, a pessoa jurídica ou a coletividade.
Crimes vagos: são os crimes em que os sujeitos passivos são coletividades destituídas de personalidade jurídica, como a família, o público ou a sociedade.
Sujeito Passivo e Prejudicado pelo Crime
Geralmente, confundem-se na mesma pessoa, mas não necessariamente, como no crime de moeda falsa em que o sujeito passivo é o Estado e o prejudicado é a pessoa a quem se entregou a moeda.
Prejudicado é, pois, qualquer pessoa a quem o crime haja causado um prejuízo, patrimonial ou não, tendo por consequência direito ao ressarcimento, enquanto sujeito passivo é o titular do interesse jurídico violado, que também tem esse direito (salvo exceções). 
Incapaz, Pessoa Jurídica, Morto, Feto, Animais e Coisas Inanimadas
Todo homem vivo pode ser sujeito passivo de crime.
Dessa forma, é inegável que o incapaz, titular de direitos, possa ser sujeito passivo de delito, tais como no infanticídio (recém-nascido), homicídio (demente), abandono intelectual (menor em idade escolar) etc. 
Quanto à pessoa jurídica, esta pode ser sujeito passivo do delito, desde que a descrição típica não pressuponha uma pessoa física. Assim, pode ser vítima de furto, dano, difamação etc. Dúvida surge quanto à possibilidade da pessoa jurídica ser sujeito passivo dos crimes contra a honra. Como não possui honra subjetiva, não pode ser vítima de injúria, podendo ser sujeito passivo da difamação por possuir honra objetiva (reputação, boa fama etc.). Quanto ao crime de calúnia, entende-se que a pessoa jurídica em regra não pode ser vítima (porque não pode cometer crimes em geral), salvo quando lhe imputarem falsamente a prática de um crime ambiental (Lei 9.605/98).
O morto não pode ser sujeito passivo de delito, pois não é titular de direito, podendo ser objeto material do delito. O artigo 138, § 2º, do Código Penal, dispõe ser punível a calúnia contra os mortos, pois a ofensa à memória dos mortos reflete nas pessoas de seus parentes, que são os sujeitos passivos desse crime. O homem pode ser sujeito passivo mesmo antes de nascer, pois o feto tem direito à vida (arts. 124, 125 e 126, do Código Penal, que tipificam várias formas de aborto).
Os animais e coisas inanimadas não podem ser sujeitos passivos de delito, podendo ser objetos materiais (exemplo: crime de maus tratos a animais, art. 32 da Lei 9.605/98). Neste caso, os sujeitos passivos serão seus proprietários, e em certos casos a coletividade.
A PESSOA PODE SER, AO MESMO TEMPO, SUJEITO ATIVO E PASSIVO DO DELITO EM FACE DE SUA PRÓPRIA CONDUTA?
Resposta: Não. O homem não pode cometer crime contra si mesmo. 
A contravenção do artigo 62 da Lei das Contravenções Penais (embriaguez) dispõe: \u201cApresentar-se publicamente em estado de embriaguez, de modo que cause escândalo ou ponha em perigo a segurança própria ou alheia\u201d. Esse dispositivo é exceção à regra? Não, essa regra não tem exceção. No caso da contravenção de embriaguez, o sujeito passivo é o Estado, pois ela se encontra no capítulo das infrações \u201crelativas à Polícia de Costumes\u201d.
Aplica-se, aqui, dentre outros, o princípio da alteridade, segundo o qual a conduta humana só deve ser tida como criminosa quando violar direitos ou interesses de terceiros. Por essa razão, tentativa de suicídio é fato atípico, pois o que o art. 122 do CP criminaliza é a conduta do terceiro que auxilia (moral ou materialmente) a pessoa a se suicidar (ex: induzindo-a ou emprestando a arma para o suicídio).
As condutas ofensivas contra a própria pessoa, quando definidas como crimes, ofendem interesses jurídicos de outros. Assim, no crime de autolesão para fins de receber seguro (art. 171, § 2º, V, CP), sujeito passivo é a seguradora lesada.
Aspecto interessante oferece o crime de rixa (art. 137, CP), em que os rixosos são, a um tempo, sujeitos passivos e ativos. Não se trata de exceção à regra, pois ele é sujeito ativo em relação a sua própria conduta e sujeito passivo em relação à conduta dos outros.
No auto-aborto (art. 124, CP), a gestante é o sujeito ativo; o feto, o passivo. Ela não é sujeito passivo porque, como visto, não se pune a autolesão.
OBJETO DO CRIME
É aquilo contra o que se dirige ou recai a conduta humana.
Pode ser:
Objeto jurídico: é o bem ou interesse tutelado pela norma penal;
Objeto material: é a pessoa ou coisa sobre a qual recai a conduta do sujeito ativo.
Às vezes, o sujeito passivo coincide com o objeto material, como ocorre no homicídio.
A ausência ou a impropriedade absoluta do objeto material faz surgir a figura do crime impossível ou quase-crime (art. 17, CP).
Pode haver crime sem objeto?
everaldo
everaldo fez um comentário
otimoooooooo
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Fabiana
Fabiana fez um comentário
O melhor !????✅????
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Wendell
Wendell fez um comentário
Ótimo!!!
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